Era quase meio-dia quando o elevador do hospital se abriu.
Liam saiu primeiro.
O terno escuro, impecável, contrastava brutalmente com o olhar duro, fechado, como se todo o mundo ao redor tivesse deixado de existir. Os ombros estavam tensos, a postura rígida demais para alguém que acabou de chegar de uma lua de mel.
Olívia vinha ao lado dele, acompanhando cada passo, sentindo a tensão irradiar do corpo dele como eletricidade prestes a explodir. O silêncio que ele carregava era pesado, perigoso.
Ela segurou o braço dele com cuidado, os dedos firmes, tentando ancorá-lo ali, naquele corredor branco demais, silencioso demais.
— Amor… — pediu em voz baixa, quase um sussurro. — Por favor, fala comigo. — Respirou fundo antes de continuar, os olhos marejados. — Não vai perder o controle, Liam. Não se esqueça que estamos num hospital. — apertou levemente o braço dele. — Pensa na Laura. Um escândalo pode acabar com a imagem dela… — engoliu em seco. — Pensa nos seus avós.
Liam não respondeu.
Nem virou o rosto.
O maxilar estava travado, os passos firmes, constantes, como se cada movimento já tivesse sido decidido muito antes de chegar ali.
No corredor, Edgar estava sentado numa das cadeiras, os cotovelos apoiados nas pernas, as mãos cobrindo a boca, o olhar perdido em algum ponto inexistente. Tenso. Exausto.
Alex permanecia em pé, encostado na parede alguns metros adiante, braços cruzados, atento a tudo. Ele foi o primeiro a perceber a chegada deles.
E bastou um único olhar para o rosto de Liam para entender que não era hora de falar, nem de chegar perto. O semblante dele não era de discussão. Era de sentença.
Liam passou direto, sem olhar para os lados, sem diminuir o passo, sem sequer olhar para Edgar. Abriu a porta do quarto e entrou.
Laura o viu no mesmo instante.
E chorou.
Um choro que veio do fundo do peito, quebrado, descontrolado, como se tudo o que ela vinha segurando tivesse finalmente desabado.
— Liam… — chamou, a voz falhando.
Ele fechou a porta depois que Olívia entrou e atravessou o quarto em dois passos. Sentou-se na beira da cama e puxou Laura para os braços com firmeza.
Laura se agarrou a ele como quem se afoga, enterrando o rosto no peito dele.
Olívia parou próxima à porta, ao lado de Ísis. As duas observavam em silêncio, os olhos marejados. Nenhuma ousou interromper.
Laura chorava convulsivamente.
— Eu não queria estragar sua viagem, Liam… — disse entre soluços, a voz quebrando. — Me perdoa… Como sempre, estou te dando trabalho…
Ele fechou os olhos por um segundo, apertando-a mais contra o peito. A mão dele deslizou pelos cabelos dela num gesto automático, antigo.
— Princesa… — a voz saiu firme, segura, sem espaço para culpa. — Você vem em primeiro lugar. Sempre. — Afastou o rosto apenas o suficiente para olhar para ela. — Você não estragou nada. — fez um carinho lento nos cabelos dela. — Eu e a Olívia aproveitamos bastante os dias que ficamos lá. — Apoiou a testa na dela. — Você é prioridade, Laura. Posso estar do outro lado do mundo… se acontecer qualquer coisa com você, eu largo tudo pra vir te socorrer.
Ela chorou ainda mais, os dedos se fechando na camisa dele.
— Liam… — sussurrou, com a voz embargada. — Eu te amo tanto. Você sempre cuidou de mim…
Ela levou a mão ao rosto dele, tocando-o com cuidado, como se precisasse confirmar que ele estava ali.
Ele beijou o topo da cabeça dela, demorando ali, respirando fundo.
— Você é a minha vida, Laura. — disse baixo. — Meu grande amor. — Afastou-se um pouco, sério. — Agora me diz… o que houve?
Laura levou a mão ao peito, ofegante, como se respirar doesse.
— Meu coração está doendo muito, Liam… — sussurrou. — Como eu faço pra parar? — os olhos se encheram novamente. — Por que o amor dói?
Ele a olhou fixamente, segurou o rosto dela com as duas mãos, os polegares secando as lágrimas com cuidado, obrigando-a a encará-lo.
— Princesa… — falou com firmeza, mas sem dureza. — Eu preciso que você me conte o que está acontecendo pra eu poder te ajudar.
A testa dele se encostou à dela. — Fala comigo.
Ela balançou a cabeça, derrotada, os ombros caídos.
— Ninguém vai conseguir me ajudar… — murmurou. — O estrago já está feito. Não tem como voltar no tempo e consertar as coisas, Liam…
O olhar de Liam escureceu de vez.


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