Edgar mal conseguia respirar. As costas pressionadas contra a parede fria do corredor, a camisa amassada na mão de Liam, o antebraço dele firme contra seu peito, impedindo qualquer reação. O gosto de sangue ainda queimava na boca, a cabeça girando pelo impacto recente.
O olhar de Liam não carregava fúria descontrolada, era pior. Era frio. Calculado. Mortal.
— Ficou maluco, Liam?! — rosnou, Edgar tentando se endireitar. — Me solta!
— Você passa noites com a minha irmã. — a voz de Liam saiu baixa, controlada demais para ser segura. — Tira a virgindade dela. — os olhos ardiam. — Desrespeita a casa do meu avô. Some da vida dela. E agora volta… — aproximou o rosto, ameaçador — …com uma filha, casado, querendo fazer da Laura sua amante?
O soco veio seco. Dessa vez no estômago.
Edgar se dobrou na hora, o ar faltando, as mãos indo instintivamente ao abdômen.
Liam não deu espaço. Aproveitou o movimento e o prensou novamente contra a parede.
— Você vai ficar longe da Laura. — rosnou. — Está me ouvindo?
Edgar ergueu o rosto com dificuldade, o olhar carregado de dor… e desafio.
— Eu amo sua irmã. — disse entre respirações falhas. — Tenho uma filha sim, mas eu não sou casado, porra!
Os olhos de Liam escureceram ainda mais.
— Que amor é esse que some e faz filho em outra? — falou, cada palavra pesada — O que você fez com ela no passado que até hoje ela não consegue me falar?
Edgar cerrou o maxilar.
— Isso é assunto meu e dela.
Nesse instante, Alex segurou Liam por trás com força, envolvendo os ombros dele.
— Liam! — disse firme. — Se controla! Você vai acabar sendo expulso do hospital!
Liam respirava pesado.Os punhos cerrados.
Por um segundo, pareceu que não ia soltar.
Mas soltou.
Empurrou Edgar com força para longe e apontou o dedo na cara dele.
— Você vai ficar longe dela. — disse, frio. — Eu vou reforçar a segurança. Você não chega mais perto da minha irmã.
Edgar se endireitou com dificuldade.
— Sua irmã agora é maior de idade. — rebateu. — E nem você, nem ninguém vai me impedir de falar com ela.
O olhar de Liam não vacilou. O corpo dele avançou num impulso claro, violento, pronto para pegar Edgar novamente, mas Alex reagiu no mesmo instante. O agarrou pelo tórax e pelos ombros, usando todo o peso do corpo para contê-lo.
— Liam, não! — rosnou, forçando-o a parar. — Chega! Olha onde você está!
Liam tentou se soltar, o maxilar travado, os punhos cerrados, o peito subindo e descendo pesado demais.
— Me solta. — disse baixo, mortal. — Eu vou acabar com a vida dele.
Alex não soltou.
— Você não vai destruir a própria vida por causa dele. — respondeu firme. — Nem acabar com a recuperação da Laura. Não aqui.
Liam respirou fundo, uma vez. Duas. Os olhos nunca deixando Edgar. Só então deu um passo para trás. E Alex o soltou.
— Nós sempre fomos amigos. — disse, a voz agora mais grave, controlada à força. — Crescemos juntos. Eu sempre te respeitei. — fez uma pausa breve. — Até brincava dizendo que aquelas brigas de vocês ainda iam virar amor um dia. — Ele respirou fundo, o olhar fixo em Edgar. — As vezes em que eu estava na casa do meu avô… — continuou, a voz mais baixa, perigosa. — eu vi a Laura indo para o seu quarto de madrugada. — outra pausa, pesada. — Na época, eu não fiz nada. — engoliu seco. — Porque ela estava feliz.
O tom mudou. Ficou mais perigoso.
— Você sabe de todos os problemas da nossa família. — continuou. — Dos traumas dela. Dos medos. — Os olhos queimavam. — Mas você não se importou. Pelo contrário, fez algo com ela. Essa crise não foi a primeira. A diferença é que agora eu estou aqui. — Deu um passo à frente. — E eu não vou permitir que você faça minha irmã sofrer de novo. — concluiu. — Cai fora daqui.

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