Laura ficou em silêncio por alguns segundos depois que Olívia e Ísis se acomodaram no quarto.
O olhar dela vagava pelo teto, como se estivesse puxando lembranças de um lugar antigo demais para ser tocado sem cuidado.
— O pai do Edgar começou a trabalhar na mansão quando éramos crianças… — disse, enfim, com a voz baixa. — O senhor Joaquim.
Olívia e Ísis se entreolharam, atentas.
— Ele era o jardineiro. — Laura continuou. — Um homem simples, educado, sábio. Sempre falava com orgulho do trabalho dele. Dizia que não tinha vergonha nenhuma de ser jardineiro… mas que o filho dele seria médico. — um sorriso triste surgiu. — Que o Edgar tinha obrigação de ser inteligente e educado, porque era negro, pobre… e o mundo não ia perdoar isso.
Ela respirou fundo.
— Edgar e eu brigávamos o tempo todo. Ele implicava comigo sem parar. — balançou a cabeça, quase rindo. — Me chamava de Felícia. Era insuportável.
Ísis ergueu levemente o olhar, curiosa.
— E o Liam? — perguntou.
— O Liam ria. — Laura respondeu. — Sempre dizia que aquilo ia acabar virando amor. Que aquelas brigas iam dar em casamento.
O sorriso morreu.
— Minha mãe odiava ele. — a voz endureceu. — Tentava me afastar o tempo todo. Não por preocupação… mas porque ela é racista. — disse, sem rodeios. — Já meu pai e meus avós… sempre trataram o Edgar muito bem. Tudo que meu avô dava pro Liam, dava pra ele também.
Olívia sentiu um aperto no peito.
— Meu pai dizia que o Edgar ia seguir o legado dele. — Laura continuou. — Quando o Edgar falou que queria cuidar do coração das pessoas… que queria ser cardiologista… foi aí que meu pai passou a gostar ainda mais dele. Pagou os estudos. Ajudou em tudo.
Ela fechou os olhos por um instante.
— Eu sempre fui péssima em português. Interpretação, poesia… — abriu um sorriso breve, frágil. — Foi ele que me ensinou. Eu ficava encantada ouvindo ele ler poesia pra mim. Acho que foi ali que eu percebi que gostava dele.
A voz ficou embargada.
— Eu ia pro internato e contava os dias pra voltar pra casa e vê-lo. Quando eu chegava, às vezes tinha uma flor me esperando. — respirou fundo. — Eu dizia pra mim mesma que estava sendo boba. Que um homem mais velho, bonito, inteligente… nunca ia gostar de mim desse jeito, só estava sendo gentil.
Olívia manteve o corpo imóvel. Apenas o rosto denunciava a atenção absoluta. Ísis, na poltrona, cruzou uma perna sobre a outra devagar, o cotovelo apoiado no braço da poltrona, a mão sustentando o queixo. O olhar firme, mas cheio de cuidado. Nenhuma interrupção. Nenhum julgamento.
— Eu insisti… — Laura continuou, respirando fundo antes de prosseguir. — Na minha cabeça, amar era não guardar nada. Era me entregar inteira.
Ela deu um sorriso breve, quase infantil, que não combinava com a dor que carregava.
— Ele foi responsável. Disse que era para eu esperar mais, ter a certeza daquela decisão. Disse que eu precisava me cuidar, me proteger… ir na ginecologista. — fez um gesto vago com a mão. — No dia da consulta, ele foi comigo, o motorista havia passado mal. Ele ficou ao meu lado o tempo todo. Segurou minha mão como se… — a voz falhou por um instante — …como se já estivesse assumindo algo que ainda não podia assumir.
Olívia levou a mão ao peito sem perceber, os olhos marejando. Ísis respirou fundo, lenta, sentindo o peso da história se instalar no quarto.
— Quando chegou a hora… — Laura hesitou, escolhendo bem as palavras — …ele foi cuidadoso, afinal ele é negão né? Então vocês sabem que o amigão dele é bem grande, poderoso. — Ela sorriu. — Ele foi respeitoso. Me falou coisas bonitas. Me acalmou. — engoliu seco. — Eu me senti escolhida. Amada. — Ela fechou os olhos por um segundo. — E eu me perdi nisso. Fiquei viciada nele.
Ísis baixou o olhar por um instante. Olívia estendeu a mão e pousou com delicadeza sobre o joelho de Laura, sem dizer nada.
— Passei a achar que precisava ser suficiente em tudo. — Laura continuou. — Que precisava aprender, agradar… corresponder. — balançou a cabeça. — Comecei a ver coisas na internet pra fazer com ele. Achei que se fosse boa na cama, ele ficaria comigo, mesmo ele dizendo que sexo não era tudo na . Eu era tão bobinha, tão imatura. Hoje eu sei que isso não segura homem nenhum. Mas, naquela época, era tudo o que eu entendia.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Segredos De Uma Noite Meu Marido Por Contrato (Olivia)
Postem os novos capítulos, já faz duas semanas que não postam nada , ou será que o livro vai ficar incompleto...
por favor postem os outros capítulos, já tem alguns dias e não postam nada...
Volta a liberar 3 por dia...
Nao postam mais como antes 3 por dia ai comprar nao da....
E vai postar o restante quando, não tem capítulo diário, não tem semanal, será agora mensal. Afff viu...
514 libera mais.........
Podia liberar td livro....
Eu fiquei 15 dias pensei noss vai ter um mont2 de páginas pea mim devorar tinha somente 5 páginas. Desumano com quem tem ansiedade kkkkk...
Ansiosa pelo capítulo 530 , será que vai ser postado hoje , pq semana passada foi postado no domingo...
Super ansiosa estou no capitulo 512. So ue estão demorando muito pra soltar novos...