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Segredos De Uma Noite: Meu Marido Por Contrato romance Capítulo 162

Laura ficou em silêncio por alguns segundos depois que Olívia e Ísis se acomodaram no quarto.

O olhar dela vagava pelo teto, como se estivesse puxando lembranças de um lugar antigo demais para ser tocado sem cuidado.

— O pai do Edgar começou a trabalhar na mansão quando éramos crianças… — disse, enfim, com a voz baixa. — O senhor Joaquim.

Olívia e Ísis se entreolharam, atentas.

— Ele era o jardineiro. — Laura continuou. — Um homem simples, educado, sábio. Sempre falava com orgulho do trabalho dele. Dizia que não tinha vergonha nenhuma de ser jardineiro… mas que o filho dele seria médico. — um sorriso triste surgiu. — Que o Edgar tinha obrigação de ser inteligente e educado, porque era negro, pobre… e o mundo não ia perdoar isso.

Ela respirou fundo.

— Edgar e eu brigávamos o tempo todo. Ele implicava comigo sem parar. — balançou a cabeça, quase rindo. — Me chamava de Felícia. Era insuportável.

Ísis ergueu levemente o olhar, curiosa.

— E o Liam? — perguntou.

— O Liam ria. — Laura respondeu. — Sempre dizia que aquilo ia acabar virando amor. Que aquelas brigas iam dar em casamento.

O sorriso morreu.

— Minha mãe odiava ele. — a voz endureceu. — Tentava me afastar o tempo todo. Não por preocupação… mas porque ela é racista. — disse, sem rodeios. — Já meu pai e meus avós… sempre trataram o Edgar muito bem. Tudo que meu avô dava pro Liam, dava pra ele também.

Olívia sentiu um aperto no peito.

— Meu pai dizia que o Edgar ia seguir o legado dele. — Laura continuou. — Quando o Edgar falou que queria cuidar do coração das pessoas… que queria ser cardiologista… foi aí que meu pai passou a gostar ainda mais dele. Pagou os estudos. Ajudou em tudo.

Ela fechou os olhos por um instante.

— Eu sempre fui péssima em português. Interpretação, poesia… — abriu um sorriso breve, frágil. — Foi ele que me ensinou. Eu ficava encantada ouvindo ele ler poesia pra mim. Acho que foi ali que eu percebi que gostava dele.

A voz ficou embargada.

— Eu ia pro internato e contava os dias pra voltar pra casa e vê-lo. Quando eu chegava, às vezes tinha uma flor me esperando. — respirou fundo. — Eu dizia pra mim mesma que estava sendo boba. Que um homem mais velho, bonito, inteligente… nunca ia gostar de mim desse jeito, só estava sendo gentil.

Olívia manteve o corpo imóvel. Apenas o rosto denunciava a atenção absoluta. Ísis, na poltrona, cruzou uma perna sobre a outra devagar, o cotovelo apoiado no braço da poltrona, a mão sustentando o queixo. O olhar firme, mas cheio de cuidado. Nenhuma interrupção. Nenhum julgamento.

— Eu insisti… — Laura continuou, respirando fundo antes de prosseguir. — Na minha cabeça, amar era não guardar nada. Era me entregar inteira.

Ela deu um sorriso breve, quase infantil, que não combinava com a dor que carregava.

— Ele foi responsável. Disse que era para eu esperar mais, ter a certeza daquela decisão. Disse que eu precisava me cuidar, me proteger… ir na ginecologista. — fez um gesto vago com a mão. — No dia da consulta, ele foi comigo, o motorista havia passado mal. Ele ficou ao meu lado o tempo todo. Segurou minha mão como se… — a voz falhou por um instante — …como se já estivesse assumindo algo que ainda não podia assumir.

Olívia levou a mão ao peito sem perceber, os olhos marejando. Ísis respirou fundo, lenta, sentindo o peso da história se instalar no quarto.

— Quando chegou a hora… — Laura hesitou, escolhendo bem as palavras — …ele foi cuidadoso, afinal ele é negão né? Então vocês sabem que o amigão dele é bem grande, poderoso. — Ela sorriu. — Ele foi respeitoso. Me falou coisas bonitas. Me acalmou. — engoliu seco. — Eu me senti escolhida. Amada. — Ela fechou os olhos por um segundo. — E eu me perdi nisso. Fiquei viciada nele.

Ísis baixou o olhar por um instante. Olívia estendeu a mão e pousou com delicadeza sobre o joelho de Laura, sem dizer nada.

— Passei a achar que precisava ser suficiente em tudo. — Laura continuou. — Que precisava aprender, agradar… corresponder. — balançou a cabeça. — Comecei a ver coisas na internet pra fazer com ele. Achei que se fosse boa na cama, ele ficaria comigo, mesmo ele dizendo que sexo não era tudo na . Eu era tão bobinha, tão imatura. Hoje eu sei que isso não segura homem nenhum. Mas, naquela época, era tudo o que eu entendia.

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