A biblioteca parecia ainda mais silenciosa depois da pergunta de Olívia. Frederico permaneceu alguns segundos em silêncio, os dedos repousados sobre os joelhos, o olhar distante. Não nela, mas em algum ponto antigo da memória.
— Os pesadelos do Liam… — começou, enfim, com a voz baixa e firme — …não têm mistério algum, minha jovem. Eles vêm de um único lugar. Da infância. Da morte da mãe dele.
Olívia sentiu o peito apertar.
— Ele me disse que a mãe faleceu quando ele tinha seis anos… — respondeu com cuidado. — E que ela deixou o piano para ele. Foi a única coisa que contou. — respirou fundo. — Ele nunca falou sobre a causa da morte. Existe um limite muito claro até onde ele me deixa ir.
Frederico inclinou levemente a cabeça, como quem reconhece algo importante.
— Se ele falou do piano… da idade… e ainda a levou para morar na casa dela… — disse, com um meio sorriso triste — …acredite, Olívia, ele já fez mais do que você possa imaginar. — fez uma pausa curta. — O Liam não fala porque não consegue. — olhou-a com atenção. — E isso, por si só, é a maior prova de que meu neto está amando uma mulher pela primeira vez.
Os olhos de Olívia se encheram de lágrimas.
— Ele é como um baú fechado a sete chaves… — disse, ela baixinho. — Mas eu já consegui abrir algumas. — sorriu, emocionada. — Evoluímos muito. Estamos numa fase em que ele me surpreende positivamente todos os dias. — levou a mão ao peito. — E, com isso… eu o amo cada vez mais.
Frederico assentiu lentamente.
— Não tenho dúvidas de que você é a mulher certa para ele. — afirmou. — E talvez por isso eu precise lhe contar coisas que poucas pessoas sabem.
Ele respirou fundo, como quem se prepara para atravessar um passado pesado.
— Felipe… meu filho… sempre teve uma obsessão doentia pela Meredith. — começou. — E ela o amava mais do que a si mesma. — A voz endureceu levemente. — Felipe sempre deixou claro que não queria filhos. Mas o sonho da Meredith era formar uma família. Ser mãe.
Olívia permaneceu em silêncio absoluto, absorvendo cada palavra.
— Seis meses antes do casamento, Meredith perdeu os pais num acidente de carro. — continuou Frederico. — De uma vez só… perdeu os dois. — Ele fechou os olhos por um instante. — Aquilo a destruiu. Felipe passou a ser a única família dela. Por isso o casamento foi antecipado. — suspirou. — A dependência emocional dela por ele, só aumentou.
Ele apontou discretamente para a janela.
— A casa onde você mora era herança dos pais da Meredith. — explicou. — Eles tinham um casamento invejável. E ela queria aquilo para si. — balançou a cabeça. — Os pais dela gostavam de Felipe, mas tinham receio. Ele era ciumento demais. Controlador. Não queria filhos.
Frederico fez uma pausa.
— Meu filho mais velho, Alberto… — continuou — …também amava a Meredith. Antes do casamento, ele se declarou. Disse que queria casar com ela, ter filhos, formar uma família. — a voz ficou amarga. — Mas ela só enxergava Felipe.
Olívia levou a mão à boca, chocada.
— Alberto disse que ela sofreria nas mãos de Felipe. — prosseguiu Frederico. — Que o casamento não terminaria bem. Que o fim dela seria no caixão. — fechou os punhos. — Disse que faria de tudo para que ela enxergasse quem Felipe realmente era… e que estaria ali quando isso acontecesse.
Ele respirou fundo.
— Meu filho me odeia até hoje. Achava que eu tinha obrigação de fazê-lo casar com Meredith. Disse que eu sempre preferi Felipe. — fez um gesto vago. — Ele tentou arruinar minhas empresas com meu neto Charles. — uma sombra de orgulho surgiu. — Mas de Liam ninguém passa por cima. Ele é melhor do que eu jamais fui.

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