Liam estava sentado na poltrona do quarto de Olívia. O corpo curvado para a frente, os cotovelos apoiados nas coxas, as mãos entrelaçadas cobrindo parcialmente a boca. O olhar cravado no carpete parecia atravessá-lo. O zumbido dos próprios pensamentos era tão alto que parecia físico. Quando ouviu a voz dela, ergueu os olhos devagar, como quem volta de muito longe.
— Por que você agrediu a Bárbara?
Os olhos de Olívia estreitaram. A respiração veio curta; incredulidade e dor se misturavam no mesmo olhar.
— Jura que você está me perguntando isso? — a voz saiu revoltada, um pouco trêmula. — Acho que a pergunta deveria ser “você está bem?”. Afinal, estou grávida e ela me provocou até o limite.
Ele a observou em silêncio. Olívia virou-se, caminhou até a porta. Girou a maçaneta com um gesto firme e a escancarou, tentando impor controle ao próprio corpo.
— Não temos nada para conversar. Agora pode se retirar, por favor. Está tarde e eu estou com muito sono.
Liam levantou-se. O movimento foi lento, calculado. Os passos até a porta soaram mais altos do que o normal no silêncio do quarto. Em vez de sair, empurrou-a de volta com a palma da mão, fechando-a num clique controlado.
— Ainda não terminei.
Olívia ergueu o queixo, o corpo rígido.
— Claro — ela aumentou um grau a voz, sem gritar, mas carregando sarcasmo. — Esqueci que você é quem sempre dá a última palavra.
Os dois ficaram a menos de um metro. O vapor do banho ainda subia na pele dela. Olívia cruzou os braços sobre a toalha como um escudo, mantendo o olhar fixo nele.
— Acho que você ainda não aprendeu a interpretar um contrato — disse Liam, cada sílaba marcada, sem emoção aparente. — Mesmo tendo acesso a muitos, mediante a sua profissão… — fez uma pausa calculada, os olhos frios passeando pelo rosto dela. — Deve ser mais uma daquelas pessoas que só passam pela faculdade.
Ela sorriu de lado, um sorriso cansado e amargo.
— Já estou me acostumando com seus elogios velados, Liam. Nada do que você disser vai me ferir mais. Você já matou tudo o que eu tinha de bom por dentro em poucos dias. Parabéns! — inspirou fundo, sustentando o olhar. — Agora, por gentileza, saia do meu quarto.
Ele a olhou de cima a baixo, enigmático, o olhar fixo, sem piscar. Olívia respirou fundo, engoliu em seco e continuou; a voz saiu embargada, mas clara, cada palavra carregando lembranças e convicção.
— Que você é um homem sem valores, isso eu já sei — disse ela, erguendo o queixo. — Eu fui criada num lar tradicional, com pai, mãe e filhos, sem amante à espreita. Meu pai sempre me trouxe flores, dizia que eu era a princesa dele, a joia rara, a pérola negra. — Um sorriso rápido e triste atravessou seu rosto antes de desaparecer. — Minha casa sempre teve amor, respeito e princípios. Meus pais estão casados há mais de trinta anos; fizeram eu e meu irmão com amor. E o meu filho já não vai ter isso… mas, mesmo assim, ele vai ser gerado num lar com pai e mãe. Por mais que seja um contrato, não aceito ele nascer num lar onde o pai leva a “namorada” para dentro de casa. — Ela inspirou fundo, os olhos brilhando. — Entendeu? O mundo pode até ter mudado, Liam, mas os meus princípios não mudaram.
Liam inclinou levemente a cabeça, frio.
— Acho que você esqueceu o que falou mais cedo. Vou relembrar: uma mulher que se vende não tem princípios. Isso aqui não é um conto de fadas. Aceite as regras. Esse seu discurso que parece de mulher apaixonada, com ciúmes, recatada… não me convence.
— Você me obrigou a aceitar essa farsa! — gritou Olívia, andando pelo quarto, as lágrimas saltando dos olhos. Liam voltou sentar-se na poltrona, o olhar pesado. — Se você não tivesse cruzado o meu caminho, hoje eu estaria noiva, planejando o meu casamento. Peter me respeitava, me amava, cuidava de mim… e, sinceramente, acho que o que ele disse ontem é verdade.
Liam inclinou-se para a frente, os cotovelos apoiados nos joelhos, a voz baixa e sem pressa, cada palavra medida e pesada antes de ser dita.
— Eu mesmo posso ir à delegacia me denunciar, alegando que abusei de você — disse, os olhos verdes cravados nela, sem piscar. — Talvez assim você pare de jogar isso na minha cara. E, pra que fique bem claro, essa atitude não vai me impedir de receber a herança. — Respirou fundo, mantendo o tom gélido. — O que me interessa em você, Olívia, é o meu filho… e o que ele representa. Só isso. O que você ainda não entendeu?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Segredos De Uma Noite Meu Marido Por Contrato (Olivia)
Acabou o livro? Mais de uma semana sem capítulos novos . . . ....
pelo que entendi estao postando de 20 dias a mais, quando vamos ler os novos capítulos nem se lembra mais o que estava nos capítulos anteriores, é preciso voltar p se atualizar. por favor poderiam postar tudo logo, já está ficando chato....
Até que enfim depois de 3 semanas divulgaram novos capítulos...
Mais capítulos já tem 3 semanas que li o cap 551. O romance é bom, mas ficar aguardando liberar capítulos é muito ruim....
Ivanete de fatima cerqueira de miranda...
Capitulo 552 ansiosa pra ler......
Fica difícil acompanhar a história pq demora muito para desbloquear os capítulos, está parado no 534 a muitos dias....
Era bom que fossem divulgado 3 capítulo por dia como era antes, pq fica muito chato esperar 2 ou 3 semanas pra ler...
Espero que não demore muito pra divulgar o capítulo 552 pq passou 3 semanas pra postar os capítulos 530 a 551. Mal posso esperar...
pelo amor de deus não nos abandone mais, "ansiosicima" para os demais capítulos...