No silêncio elegante de um hotel de luxo, Liam estava deitado, tentando controlar a respiração depois de horas de excessos. Ao lado dele, a acompanhante esticou o corpo e aproximou-se, buscando espaço sobre o peito dele.
— Nossa… hoje você estava tenso demais — comentou em tom leve, inclinando-se sobre ele. — Quer dormir um pouco, bebê, ou prefere conversar? — murmurou, aproximando o rosto, os lábios quase tocando os dele. — Uma acompanhante pode ser uma excelente psicóloga, sabia?
Liam manteve o olhar fixo no teto, a expressão fria e distante. Quando ela se aproximou mais, ele ergueu a mão e tocou os lábios dela, impedindo o avanço.
— Quando eu abri minha vida para uma acompanhante ou autorizei um beijo? — disse, a voz baixa, porém firme, sem emoção alguma. — Nunca dormi com uma, nem beijei na boca. E você já está se apegando… o que significa que está na hora de trocar.
A mulher ergueu as sobrancelhas, mordendo o lábio por um segundo. Depois se recompôs, tentando manter o tom sedutor, ainda que a frieza dele a tivesse atingido.
Antes que ela respondesse, o celular de Liam vibrou sobre o criado-mudo. Ele sentou devagar, passou a mão pelo rosto e atendeu.
— Vovô.
Do outro lado, a voz do avô veio direta, sem rodeios:
— Estou vendo que você se casou e sua família não foi convidada…— disse, sem esconder a reprovação. — muito bonito isso. Para quem não queria casar, até que foi rápido demais. Parabéns, sua esposa é linda. Estou aguardando vocês aqui em casa.
Antes que Liam pudesse responder, a ligação foi encerrada. Ele ficou olhando para a tela por um instante.
A acompanhante tentou quebrar a tensão com um sorriso tímido.
— Bebê… quer que eu vá embora? Ou prefere aliviar a tensão?
Liam levantou-se sem responder, caminhou até o banheiro, retirando o preservativo e, ao parar na porta, falou sem olhar para ela.
— Quando eu sair do banho, não quero mais te ver aqui — disse, antes de fechar a porta atrás de si.
Já era tarde quando ele estacionou diante da cobertura de Bárbara. O hall do prédio estava deserto, apenas o porteiro cochilava atrás do balcão. O som seco da campainha ecoou no corredor silencioso do andar da cobertura.
Do outro lado da porta, Bárbara respirou fundo. Já tinha preparado a cena: robe de seda vinho, maquiagem borrada no ponto certo, perfume doce no ar. Abriu a porta num gesto rápido e se lançou sobre ele, os olhos supostamente marejados.
— Amor… você demorou tanto — a voz saía trêmula, quase um soluço. — Te liguei várias vezes e você não me atendeu.
Liam sustentou o peso do corpo dela com um braço, mas manteve-se frio, sem apertá-la de volta. O cheiro do perfume era intenso demais.
— O que aconteceu? — perguntou, a voz baixa e gélida.
Bárbara soltou-se lentamente, como quem cede à gravidade, e caminhou até o enorme sofá da sala. Sentou-se de lado, deixando as pernas à mostra, e cobriu o rosto com as mãos fingindo choro. Liam fechou a porta atrás de si, caminhou até ela e parou a um passo de distância.
— Bárbara, o que houve? — repetiu, agora mais firme.
Ela ergueu o rosto, os olhos “úmidos” fixos nele.
— Aquela mulher está se achando a dona da mansão, amor — disse, as palavras pingando veneno. — Mal chegou e já está mandando em tudo.
Liam fechou a expressão.
— Seja mais clara.
— Disse que é sua esposa — continuou, dramatizando cada sílaba. — Me expulsou de lá. Proibiu que eu entrasse. E falou que, se alguém desobedecesse, ela ia demitir porque quem manda é a “esposa”.
Um silêncio pesado caiu. Liam inspirou fundo, sentou-se devagar na poltrona em frente a ela, cruzou os dedos sobre o joelho.
— O que você fez, Bárbara, para ela ter essa atitude?


VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Segredos De Uma Noite: Meu Marido Por Contrato