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Segredos De Uma Noite Meu Marido Por Contrato (Olivia) romance Capítulo 233

O silêncio caiu por um segundo inteiro. Luna ergueu os olhos do desenho, curiosa. Olivia e Liam trocaram um olhar rápido, silencioso. Edgar manteve a postura firme, serena, enquanto Laura encarou a mãe com o queixo erguido e os olhos firmes.

— Por que eu não casaria, mãe? — perguntou, sem desviar o olhar.

Olivia se levantou imediatamente, sentindo a tensão se adensar no ar. Passou a mão de leve pela saia, num gesto nervoso, e então seus olhos buscaram Luna por instinto. Ela se aproximou da menina com um sorriso suave, abaixando-se um pouco para ficar na altura dela.

— Luninha… — disse com a voz mais doce, tocando de leve no ombro da criança. — Nós temos uma piscina enorme aqui. Quer ir lá fora ver comigo? Posso te mostrar.

Os olhos de Luna brilharam no mesmo instante. Ela largou o lápis sobre o papel, levantando-se rápido demais para o próprio equilíbrio, e segurou a mão do sofá para não cair.

— Eu posso, papai? — perguntou, virando-se para Edgar, com os olhos grandes, cheios de expectativa.

Edgar suavizou a expressão, mas manteve o tom firme. Segurou o rostinho da filha com cuidado entre as mãos.

— Pode sim, filha. — disse com carinho. — Mas lembre-se que você não está na aula de natação. Nada de entrar na água, combinado? — fez um gesto de alerta com o dedo, mas com um sorriso. — E tem que obedecer a tia Olivia direitinho.

Luna assentiu com força, muito séria, como se estivesse recebendo uma missão importante.

— Eu sou obediente, papai. — garantiu, inflando o peito de orgulho.

Alguns adultos esboçaram meio sorrisos, apesar da tensão ainda presente. Olivia então estendeu a mão, inclinando-se levemente para Luna, num gesto acolhedor.

— Vamos, princesa. — disse, com um sorriso tranquilo, fazendo um leve movimento com a cabeça em direção ao corredor, convidando-a a ir.

Luna segurou a mão dela, animada. As duas passaram por Érica e Felipe. Érica acompanhou a menina com o olhar por alguns segundos. Então, deu a volta no sofá, a postura rígida, a voz carregada.

— Eu não te coloquei no mundo para ter essa vida. — balançou a cabeça, incrédula. — É isso mesmo que você quer pra você?

Laura respirou fundo, sentindo Edgar apertar levemente sua mão, num gesto silencioso de apoio e também de pedido para que ela se mantivesse calma, para que não se alterasse naquele momento. O toque dele era firme, protetor, como quem dizia sem palavras: estou com você… mas respira. Ela respirou fundo, passando a língua discretamente pelos lábios, buscando controle antes de falar.

— Do jeito que a senhora fala… — disse com calma forçada — parece até que eu sou uma adolescente inconsequente, fazendo algo errado. — soltou um riso curto, sem humor. — Engraçado é que, quando eu realmente estava com a cabeça virada… a senhora não teve essa postura.

Ela apertou de leve a mão de Edgar, um gesto pequeno que denunciava o esforço para não se alterar.

— Pelo contrário… — completou, com a voz baixa, porém firme. — Parecia até que gostava.

Érica soltou uma risada curta, sem humor. Passou a mão pelos cabelos de forma nervosa, andando alguns passos pela sala antes de voltar a encarar Laura, ainda sentada. A voz saiu mais alta, trêmula de indignação.

— Você me criticou tanto… — apontou na direção dela, o dedo tremendo levemente. — E agora está seguindo exatamente o mesmo caminho.

Laura tentou se inclinar para frente, num impulso, mas Edgar apertou sua mão com mais firmeza, puxando-a de leve para trás, mantendo-a sentada. O gesto era sutil, mas carregado de significado: não agora… não perca o controle.

— Alto lá. — Laura disse, mesmo assim, a voz ganhando força, o queixo erguido. — Eu não sou amante do Edgar.

Érica estreitou o olhar, descrente. Deu um passo à frente, invadindo o espaço emocional dela.

— Senhora Érica… — começou, com voz controlada, mas firme. — A Laura nunca foi e nunca será minha amante.

Edgar sustentou o olhar dela, sem desviar.

— Naquela noite, eu realmente apresentei a Marcela. — admitiu. — E fui claro em dizer que estávamos tentando novamente por causa da minha filha. Eu e a Laura tínhamos brigado. Falamos e fizemos coisas que nos machucou. — respirou fundo. — Eu vi sua filha se exibindo com outro homem. Como qualquer ser humano cheio de falhas… eu fiquei fora de mim. Fiquei possesso de raiva e ciúmes.

A mandíbula dele se contraiu.

— Eu não estou tentando justificar meu erro. — disse, com a voz mais carregada. — Eu e a Marcela estamos separados há quatro anos. Só dividimos a mesma casa por causa da Luna. — respirou fundo. — Entre nós não existe mais nada. Nada.

Érica balançou a cabeça, com desprezo.

— Você acha que eu vou cair nesse seu papinho? — riu, amarga. — Eu já estive na posição de amante. — a voz falhou por um segundo. — E eu ouvi exatamente esse mesmo discurso. — Ela apontou para Laura.

— Ela me crucifica até hoje por isso. — respirou fundo. — Todo homem fala a mesma coisa: “não tem mais nada”, “é só por causa dos filhos”, “dormimos em quartos separados”. E nós, bobas, acreditamos porque entregamos o coração. Criamos a ilusão de que o alecrim dourado vai largar a atual pra ficar conosco.

Laura se mexeu no sofá, a dor transbordando.

— Mas a senhora conseguiu o que queria. — disse, com a voz cortante. — Casou com seu alecrim dourado… e uma pessoa maravilhosa veio a óbito.

— Laura! — Liam se levantou num impulso. — Já chega!

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