Laura virou o rosto para ele, os olhos brilhando de lágrimas contidas.
— Falei alguma mentira, Liam? — perguntou, com a voz baixa, mas firme, sustentando o olhar dele.
O silêncio pesou por um instante. Érica levou a mão ao peito, visivelmente atingida.
— Eu amava seu pai. — disse, com a voz quebrada. — Eu acreditei que ele não tinha mais nada com a Meredith. Você não sabe o que eu passei pra aceitar tudo isso. — respirou fundo. — Eu não quero essa vida pra você. Você vai sofrer.
Laura ergueu o queixo, a voz firme apesar do tremor.
— A senhora casou com o seu alecrim dourado… e ninguém te impediu. — disse. — Eu também vou casar com o meu.
Edgar voltou a falar, com a mesma serenidade que vinha mantendo desde o início.
— Senhora… eu amo sua filha desde que me entendo por gente. — disse, com sinceridade crua. — Tivemos que nos separar da forma mais cruel. Eu tentei refazer minha vida, sim. Mas nunca menti pra Marcela. Ela sempre soube que a mulher da minha vida era e sempre será a Laura.
Frederico, que até então permanecera em silêncio, ao lado de Olga, endireitou-se devagar. O olhar experiente percorreu todos na sala antes de se fixar em Laura e Edgar. A voz saiu carregada de autoridade.
— Laura é maior de idade perante a lei. — disse, com firmeza. — Ela responde pelos próprios atos. Se algo der errado, será ela, e somente ela, quem arcará com as consequências das escolhas que está fazendo. — Ele fez uma breve pausa, respirando fundo. — Eu sou a favor dessa união. — declarou. — E com toda a bagagem que a vida me deu, digo sem errar que você, minha Felícia, será muito feliz com este homem. — apontou levemente para Edgar. — Ele é um presente que a vida te devolveu. Vocês se completam.
Frederico sorriu de lado, ao falar de si mesmo.
— Não sei exatamente o que aconteceu para que vocês se separassem no passado. Mas sei o mais importante: vocês decidiram viver esse amor. — ergueu levemente o queixo. — Assim como eu decidi viver ao lado da minha eterna namorada, Olga. — segurou a mão dela com carinho. — Sessenta anos de casamento não acontecem por acaso. Acontecem porque o amor é uma decisão. Eu decidi. Ela decidiu. E vocês estão decidindo.
Por um segundo, o clima pareceu suavizar. Mas Érica não deixou. Ela cruzou os braços com força, o maxilar travado.
— O senhor está romantizando um relacionamento que começou dentro desta casa… — a voz saiu cortante — quando minha filha ainda era menor de idade e ele já era um homem feito. — respirou fundo. — Todos ouviram ele dizer que sempre a amou. Isso significa que esse envolvimento começou às escondidas.
O ar pareceu ficar mais pesado.
— Ele se aproveitou de uma adolescente rebelde. — continuou, apontando para Edgar. — Sabia exatamente os gatilhos dela e se aproveitou disso. — virou-se para Frederico. — Então, sogro, não venha romantizar algo gravíssimo que aconteceu debaixo do seu teto. Esse homem desrespeitou sua casa. Nos desrespeitou.
Laura se levantou num impulso, o rosto vermelho, a respiração descompassada.
— Eu que invadi o quarto dele! — gritou, a voz embargada, mas firme. — Eu que quis me entregar pra ele! Eu que o perturbei! Eu que quis! — levou a mão ao peito. — Edgar foi um príncipe comigo. Me respeitou. Me amou como nenhum homem jamais me amou! — Ela apontou para Érica, os olhos marejados de fúria e dor. — Eu não vou admitir a senhora fazer acusações infundadas contra o meu noivo!
Edgar deu um passo à frente, visivelmente afetado, mas tentando manter o controle.
— Ela não vai casar com nenhum criminoso. Vai casar com um homem criado conosco. Um homem educado, responsável, protetor, provedor, um médico bem-sucedido. — fez um gesto amplo. — Um exemplo de superação! O que mais você quer pra Laura?
Érica balançou a cabeça, visivelmente atordoada. Passou a mão pelo rosto, como se tentasse organizar os próprios pensamentos, mas a voz saiu carregada de amargura.
— Vocês estão todos loucos. — soltou, rindo sem humor. — E quando vierem os filhos, Laura? — deu um passo curto à frente, a mão crispada no ar. — Você já parou para pensar como vai ser? Já parou para imaginar o preconceito que eles vão sofrer se vierem com os traços do pai?
Ela apontou discretamente na direção de Liam, a voz subindo.
— Você acha que o Liam, com toda a fortuna dos Holt, não sofreu preconceito? — balançou a cabeça. — Você só está enxergando a parte boa… porque está cega. Cega de amor. Não quer enxergar o óbvio. — O tom ficou mais cruel. — Quero ver se vai achar tudo lindo quando estiver inventando penteados para dar conta do cabelo crespo da sua filha. Quero ver se vai continuar romantizando quando sentir na pele o que o mundo faz com quem é diferente.
O ambiente ficou pesado. Felipe deu um passo à frente imediatamente, o rosto fechado.
— Érica… — disse firme, colocando-se entre ela e Laura. — Eu não admito preconceito aqui.
Érica virou-se para ele num movimento brusco, arrancando o braço do toque dele, o olhar tomado pela raiva.
— E quem é você pra admitir alguma coisa? — disparou, com desprezo. — Você nunca ligou de verdade para a nossa filha! — apontou o dedo para o peito dele. — Quantas vezes me deixou sozinha com ela pra correr atrás das suas amantes? — Ela riu, amarga, a voz trêmula de raiva e dor antiga. — Amantes negrinhas, Felipe. Enquanto eu segurava tudo sozinha, você estava curtindo a vida com elas!

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Segredos De Uma Noite Meu Marido Por Contrato (Olivia)
Nem uma atualizaçãozinha, tem gente chorando aqui 🥲...
Os capítulos estão demorando muito pra liberar...
Já tem 3 dias que não libera os capítulos...
Está apresentando erro. "Error! An error occurred. Please try again later."...
Posta logo...
Liberem os próximos capítulos, estou extremamente ansiosa pra saber o desfecho, cada dia esse livro esta melhor....
Nossa que desfecho maravilhoso da Isís iurulll...
Libera mais páginas estou ansiosa . Apaixonada por cada capitulo...
Libera mais capítulos..... sofro de ansiedade kkkkk...
Eu não consigo colocar crédito. Já tentei 3 cartões...