Luna começou a chorar de novo.
— Desculpa, papai…
Edgar ficou em silêncio por um instante. Então fez outra pergunta, do nada, como quem conduzia a filha para uma verdade maior.
— O que você falou pro menino da sua turma… quando ele te chamou de feia?
Luna piscou, confusa. Fungou.
— Eu… eu falei que eu sou linda… — respondeu baixinho.
Edgar inclinou a cabeça.
— E por que você falou isso?
Luna respondeu com a voz ainda trêmula, mas agora com um orgulho.
— Porque eu sou… — ela limpou o nariz com a mão. — Eu sou a princesa do meu pai.
Edgar assentiu lentamente.
— Isso. — disse baixo. — Você respondeu assim porque você sabe que não é feia. — fez uma pausa curta. — Você não acreditou naquela mentira.
Ele se inclinou mais um pouco, olhando dentro dos olhos dela.
— Mas você acreditou… quando alguém disse que eu te abandonei.
Luna ficou muda. O olhar dela baixou de novo. Edgar respirou fundo, sentindo a garganta arder.
— E se você acreditou… — ele continuou, com a voz pesada — é porque, lá no fundo… você sente isso.
Luna não respondeu. Só chorou. Edgar fechou os olhos por um segundo, como se aquilo doesse mais nele do que nela. Então continuou, com calma.
— Filha… eu ter me casado com a Laura não quer dizer que eu te abandonei. — disse, firme. — E não quer dizer, de forma nenhuma, que ela me tirou de você.
Ele apontou de leve para o próprio peito.
— O amor que eu tenho por você… e o amor que eu tenho pela Laura… são completamente diferentes. — explicou. — Mas os dois são verdadeiros.
Luna o ouvia com atenção, mesmo chorando.
Edgar respirou fundo.
— Eu e a sua mãe não demos certo como casal. — disse, com cuidado. — Mas isso não muda uma coisa: você continua sendo minha filha amada. E vai ser pra sempre.
Ele fez uma pausa. E então veio a parte mais dura.
— Eu não vou parar a minha vida. — disse, firme. — Eu não vou deixar de ter a minha vida… só porque você está com medo.
Luna arregalou os olhos. Edgar imediatamente suavizou o tom, tocando de leve o joelho dela.
— Mas eu vou incluir você em tudo o que eu puder. — prometeu. — Você vai viajar comigo e com a Laura na nossa lua de mel. Vai estar com a gente. Era uma programação só de casal… mas eu quero você comigo. Sua tia está super animada com você indo conosco. E sabe por quê?
Luna balançou a cabeça em negativa, e Edgar continuou.
— Porque ela tem um amor enorme por você. Porque ela sabe o quanto você é importante pra mim. E porque… não existe Edgar sem a princesa Luna.
Ele respirou fundo.
— Só que vai ter momentos… que eu vou viajar sozinho. Ou com a minha esposa. E você não vai ir. — disse. — E isso não quer dizer abandono. Quer dizer que eu sou um homem. E que eu tenho uma vida.
Ele sustentou o olhar dela, esperando que ela entendesse.
— Você está conseguindo entender seu pai, Luna Sterling?
Luna fungou, enxugou as lágrimas com a manga do uniforme e fez que sim com a cabeça.
Um “sim” pequeno.
Mas verdadeiro.
Edgar apertou o dedinho dela de leve, como um pacto.
— Combinado?
Luna assentiu, fungando, ainda com as bochechas molhadas.
Depois daquela conversa, ela foi tomar banho.
O silêncio que ficou na sala era pesado. Laura permaneceu alguns segundos parada, como se ainda estivesse tentando processar tudo. Os olhos dela estavam marejados.
Ela se aproximou devagar de Edgar e tocou o braço dele com delicadeza, como quem encosta em alguém que acabou de atravessar uma tempestade.
— O que foi isso, amor? — perguntou, com a voz embargada, levando a mão ao peito. — Você… você foi tão firme… e tão calmo…
Edgar soltou um suspiro longo, passando a mão no rosto, como se só agora permitisse o peso cair nos ombros. Ele olhou na direção do corredor por onde Luna tinha ido. Depois voltou os olhos para Laura.
— Eu não vou mais permitir a Marcela estragar a Luna. — disse, baixo, mas com uma firmeza que não deixava espaço para discussão.
Laura engoliu em seco. Edgar deu um passo, andando de um lado ao outro por um instante, inquieto. A mandíbula estava travada.
— Quero ver alguém me impedir de educar minha filha. — ele disse, e a voz endureceu. — Eu sou pai. E eu sou pai presente.
Laura o observou, em silêncio, sentindo o arrepio que aquela certeza causava.
Edgar parou, voltando para ela. O olhar estava escuro.
— Se a Marcela vier de graça… — ele respirou fundo, controlando a raiva — eu passo por cima dela como um rolo compressor.
Laura arregalou os olhos, mas não por medo. Por entender. Edgar se aproximou dela, e o tom baixou, mais humano… mais dolorido.
— Mas eu te garanto uma coisa… — ele disse, segurando as mãos dela com força, como se precisasse se ancorar. — Eu não vou permitir que ela bagunce a mente da Luna. — apertou os dedos dela, firme. — Não vou deixar a minha filha crescer cheia de traumas. Cheia de insegurança. Achando que não tem pai… achando que não é amada.
Edgar engoliu em seco, e a voz falhou um milímetro.
— Porque eu estou aqui. Eu sempre estive.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Segredos De Uma Noite Meu Marido Por Contrato (Olivia)
Precisamos dos novos capítulos... 🥹...
Nem uma atualizaçãozinha, tem gente chorando aqui 🥲...
Os capítulos estão demorando muito pra liberar...
Já tem 3 dias que não libera os capítulos...
Está apresentando erro. "Error! An error occurred. Please try again later."...
Posta logo...
Liberem os próximos capítulos, estou extremamente ansiosa pra saber o desfecho, cada dia esse livro esta melhor....
Nossa que desfecho maravilhoso da Isís iurulll...
Libera mais páginas estou ansiosa . Apaixonada por cada capitulo...
Libera mais capítulos..... sofro de ansiedade kkkkk...