O silêncio que caiu no quarto foi brutal. Érica ficou completamente imóvel. Por alguns segundos, ela apenas encarou a filha, como se não tivesse entendido o que tinha acabado de ouvir.
O livro que ainda estava sobre o colo escorregou lentamente para o chão, mas nenhuma das duas pareceu perceber.
— O… quê? — murmurou, arregalando os olhos em choque.
Laura não desviou o olhar.
— Para de fingir. — disse, cruzando os braços com rigidez, o olhar cheio de acusação.
Érica piscou, completamente confusa.
— Laura… eu não estou entendendo… — respondeu, levando a mão ao peito, tentando recuperar o ar.
— Não se faça de desentendida! — interrompeu Laura, a voz tremendo de raiva e dor.
Ela se levantou abruptamente da cama.
— Assume o que a senhora fez! — exigiu, apontando o dedo na direção da mãe.
Érica também se levantou devagar, o coração acelerado.
— O que eu fiz? — perguntou, abrindo as mãos em incredulidade.
Laura deu uma risada amarga.
— Sério? Você vai mesmo fingir que não sabe? — disse, balançando a cabeça em descrença.
Ela apontou para o próprio ventre.
— Sobre minha gravidez na adolescência. — falou, pressionando a mão contra a barriga.
O rosto de Érica perdeu a cor.
— Você… o quê? — perguntou, dando um pequeno passo para trás.
Laura continuou, a voz cada vez mais quebrada.
— E perdi o bebê brutalmente. — disse, a voz embargada.
Érica levou a mão à boca.
— Meu Deus… — sussurrou, visivelmente abalada.
Laura avançou um passo.
— A senhora matou ele. — disse, encarando-a com ódio.
— Minha filha! — disse Érica, horrorizada. — Que absurdo é esse? — perguntou, balançando a cabeça negativamente.
Laura começou a tremer.
— Para de fingir! — gritou, a voz falhando.
Ela apontou o dedo para a mãe.
— A Marcela confessou tudo! — acusou, respirando com dificuldade.
Érica franziu a testa, completamente perdida.
— A ex do Edgar? — perguntou, tentando entender.
— Sim! — gritou Laura. — Ela contou que foi a senhora quem armou tudo!
Érica balançou a cabeça lentamente.
— Laura… eu não faço ideia do que você está falando. — disse, atordoada. — Minha filha, como você engravida e me esconde algo tão sério? — perguntou, tentando se aproximar.
Laura riu, uma risada desesperada.
— Claro que faz! Para com esse fingimento! — respondeu, passando a mão pelos cabelos, nervosa.
Ela começou a andar pelo quarto.
— Foi a senhora quem me obrigou a passar aquelas férias no internato! — acusou, andando de um lado para o outro.
— Filha… eu preciso entender o que está acontecendo. — disse, tentando manter a calma.
— A senhora quer que eu desenhe sua maldade para acreditar no que fez? — respondeu Laura. — Para de se fazer de desentendida, a Marcela contou tudo! — repetiu, com raiva.
— E você acreditou nela? — perguntou Érica. — Na mentira de uma mulher que é capaz de tudo por causa de homem?
Laura apertou os punhos.
— Ela disse que foi você quem armou tudo! Que me mandou para o internato para eles tirarem o bebê de mim! Que a senhora expulsou o seu Joaquim daqui, ameaçando denunciar o Edgar por ter me estuprado! Como a senhora teve coragem de fazer essa ruindade com um senhor doente?
Érica ficou em silêncio por um instante. Quando falou novamente, a voz saiu firme, apesar do choque.
— Laura… como eu poderia mandar fazer isso com você? — perguntou, incrédula. — O pai do Edgar quis ir embora e eu que levo a culpa por isso? — ela deu um pequeno passo, com cuidado. — Eu sou contra maus-tratos a idosos… e principalmente contra o aborto.
Laura riu, descrente. Érica continuou.
— Eu sempre fui contra tirar a vida de um inocente. — disse, com convicção.
Os olhos dela se encheram de lágrimas.
— Para mim, se uma mãe não quiser uma criança… então que deixe nascer. — respirou fundo. — Que entregue para adoção.
Laura ficou imóvel. Érica então deu mais um passo.
— Filha… eu sei que errei muito com você. — disse, com a voz embargada. — Eu sei que muitas vezes fui ausente… negligente… fria. — as lágrimas começaram a escorrer. — Mas eu te amo.
Laura apertou a mandíbula.
— Eu quis você. — continuou Érica, levando a mão ao peito. — Eu lutei para você vir ao mundo. — respirou fundo. — Você era a minha boneca de porcelana. — a voz ficou embargada. — Você é parte de mim. Eu te carreguei por nove meses. Porque faria essa crueldade com você?
Ela chorava agora.
— Eu sempre falei que queria ter netinhos. Como que depois de lutar para você nascer eu colocaria sua vida em risco? A vida de um bebê em risco? — respirou fundo. — Laura… pensa… qual foi a minha reação quando você disse que estava grávida, minha filha?
Laura balançou a cabeça.
— Então explica como a senhora não fez aquela ruindade se a madre superiora, antes de morrer, confessou que foi a senhora quem mandou. — respirou com dificuldade. — Se a Marcela fez questão de jogar na minha cara tudo que a senhora fez. — a voz saiu quase um sussurro. — Eu quase morri.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Segredos De Uma Noite Meu Marido Por Contrato (Olivia)
Quando será liberado mais capítulos?...
Pq está parando de postar diariamente, está estagnado no capítulo 465 ... KD o restante, espero que na publicação tenha um pouco mais.......
Cadê os capítulos, era 3 capítulos por dia, kd.......
Cadê a continuação?...
Precisamos dos novos capítulos... 🥹...
Nem uma atualizaçãozinha, tem gente chorando aqui 🥲...
Os capítulos estão demorando muito pra liberar...
Já tem 3 dias que não libera os capítulos...
Está apresentando erro. "Error! An error occurred. Please try again later."...
Posta logo...