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Segredos De Uma Noite Meu Marido Por Contrato (Olivia) romance Capítulo 402

Na manhã seguinte, o som dos monitores preenchia o quarto da UTI. Constante. Frio. André permanecia imóvel. Até que… um leve movimento. As pálpebras tremeram. Abriram. A luz invadiu. Tudo confuso. Pesado. A respiração falhou por um instante.

— André…? — a voz da mãe saiu baixa, trêmula.

Ele tentou focar. Mas não conseguia. E então, veio. O flash. O estacionamento. A moto. O som. O impacto. O corpo dele tensionou levemente.

— A… — tentou falar.

A voz falhou.

— Mãe… — saiu quase inaudível.

Ela se inclinou na hora.

— Graças a Deus… — disse, sem conseguir conter a emoção. — Você acordou… meu filho… eu estou aqui…

Os olhos dele se apertaram. Forçando.

— Moto… — murmurou.

A respiração ficou irregular.

— Ele… — tentou continuar.

A mãe se virou de repente, o desespero tomando conta. Foi até a porta.

— Alguém me ajuda! — gritou. — Meu filho acordou!

A porta ao lado se abriu quase no mesmo instante. Edgar saiu rapidamente da sala vizinha. Entrou no quarto sem hesitar. Rápido. Direto. O olhar clínico assumindo o controle.

— Afasta um pouco. — disse, firme, já indo até a cama.

Ele puxou levemente a pálpebra de André, avaliando a reação pupilar.

— André… olha pra mim. — chamou, com precisão.

Aproximou a mão do rosto dele.

— Me acompanha com o olhar.

André tentou. Lento. Confuso. Edgar observou cada movimento. Baixou o olhar para o monitor.

— Frequência subindo… — murmurou.

Ajustou levemente o sensor no dedo dele.

— Saturação… ok.

Colocou a mão com cuidado sobre o tórax enfaixado, sentindo a respiração.

— Respira fundo. — orientou.

André tentou obedecer. Falhou. Edgar já esperava.

— Sem esforço. — corrigiu, firme.

André tentou falar.

— Eu… vi…

Edgar levantou a mão imediatamente.

— Não. — disse, firme. — Agora não.

O tom não deixava espaço.

— Você passou por uma cirurgia cardíaca. — continuou, firme. — A bala estava muito próxima do coração. Ainda está em recuperação… qualquer esforço pode te descompensar.

A mãe observava, tensa, segurando a mão do filho. André insistiu.

— A moto…

Edgar se inclinou um pouco mais. Mais próximo. Mais baixo. Mais controlado.

— Você vai falar depois. — disse. — Quando eu liberar.

Fez um gesto para a equipe.

— Analgesia leve. — pediu.

A enfermeira assentiu, ajustando a medicação. Edgar voltou o olhar para André.

— Fica comigo. — disse. — Só respira.

Os olhos dele começaram a pesar. O corpo relaxando aos poucos. Edgar observou por mais alguns segundos. Confirmando. Controlando. Então se endireitou.

— Ele está consciente. — disse. — Mas ainda instável.

A mãe respirou com dificuldade.

— Ele vai ficar bem?

Edgar sustentou o olhar. Seguro.

— Ele passou pela parte mais crítica. — respondeu. — Agora precisamos mantê-lo estável, e isso depende dele não forçar.

André fechou os olhos novamente. Exausto. Mas consciente. Edgar fez um último olhar nos monitores. Confirmando tudo. Então se afastou.

— Qualquer alteração, me chamem na hora. — disse à equipe.

E saiu do quarto. Assim que a porta se fechou, ela foi atrás dele. Passos rápidos. Quase descompassados.

— Doutor… — chamou, a voz ainda carregada.

Edgar parou. Virou-se com calma. Esperando. Ela respirou fundo. Mas a voz ainda falhou na primeira tentativa.

— Eu… — começou, passando a mão pelo rosto — eu preciso falar uma coisa.

Ele não disse nada. Apenas sustentou o olhar. Dando espaço.

Capítulo 402 - Sob Suspeita 1

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