Na manhã seguinte, o som dos monitores preenchia o quarto da UTI. Constante. Frio. André permanecia imóvel. Até que… um leve movimento. As pálpebras tremeram. Abriram. A luz invadiu. Tudo confuso. Pesado. A respiração falhou por um instante.
— André…? — a voz da mãe saiu baixa, trêmula.
Ele tentou focar. Mas não conseguia. E então, veio. O flash. O estacionamento. A moto. O som. O impacto. O corpo dele tensionou levemente.
— A… — tentou falar.
A voz falhou.
— Mãe… — saiu quase inaudível.
Ela se inclinou na hora.
— Graças a Deus… — disse, sem conseguir conter a emoção. — Você acordou… meu filho… eu estou aqui…
Os olhos dele se apertaram. Forçando.
— Moto… — murmurou.
A respiração ficou irregular.
— Ele… — tentou continuar.
A mãe se virou de repente, o desespero tomando conta. Foi até a porta.
— Alguém me ajuda! — gritou. — Meu filho acordou!
A porta ao lado se abriu quase no mesmo instante. Edgar saiu rapidamente da sala vizinha. Entrou no quarto sem hesitar. Rápido. Direto. O olhar clínico assumindo o controle.
— Afasta um pouco. — disse, firme, já indo até a cama.
Ele puxou levemente a pálpebra de André, avaliando a reação pupilar.
— André… olha pra mim. — chamou, com precisão.
Aproximou a mão do rosto dele.
— Me acompanha com o olhar.
André tentou. Lento. Confuso. Edgar observou cada movimento. Baixou o olhar para o monitor.
— Frequência subindo… — murmurou.
Ajustou levemente o sensor no dedo dele.
— Saturação… ok.
Colocou a mão com cuidado sobre o tórax enfaixado, sentindo a respiração.
— Respira fundo. — orientou.
André tentou obedecer. Falhou. Edgar já esperava.
— Sem esforço. — corrigiu, firme.
André tentou falar.
— Eu… vi…
Edgar levantou a mão imediatamente.
— Não. — disse, firme. — Agora não.
O tom não deixava espaço.
— Você passou por uma cirurgia cardíaca. — continuou, firme. — A bala estava muito próxima do coração. Ainda está em recuperação… qualquer esforço pode te descompensar.
A mãe observava, tensa, segurando a mão do filho. André insistiu.
— A moto…
Edgar se inclinou um pouco mais. Mais próximo. Mais baixo. Mais controlado.
— Você vai falar depois. — disse. — Quando eu liberar.
Fez um gesto para a equipe.
— Analgesia leve. — pediu.
A enfermeira assentiu, ajustando a medicação. Edgar voltou o olhar para André.
— Fica comigo. — disse. — Só respira.
Os olhos dele começaram a pesar. O corpo relaxando aos poucos. Edgar observou por mais alguns segundos. Confirmando. Controlando. Então se endireitou.
— Ele está consciente. — disse. — Mas ainda instável.
A mãe respirou com dificuldade.
— Ele vai ficar bem?
Edgar sustentou o olhar. Seguro.
— Ele passou pela parte mais crítica. — respondeu. — Agora precisamos mantê-lo estável, e isso depende dele não forçar.
André fechou os olhos novamente. Exausto. Mas consciente. Edgar fez um último olhar nos monitores. Confirmando tudo. Então se afastou.
— Qualquer alteração, me chamem na hora. — disse à equipe.
E saiu do quarto. Assim que a porta se fechou, ela foi atrás dele. Passos rápidos. Quase descompassados.
— Doutor… — chamou, a voz ainda carregada.
Edgar parou. Virou-se com calma. Esperando. Ela respirou fundo. Mas a voz ainda falhou na primeira tentativa.
— Eu… — começou, passando a mão pelo rosto — eu preciso falar uma coisa.
Ele não disse nada. Apenas sustentou o olhar. Dando espaço.
— Doutor… — disse em voz baixa — a polícia já está aqui.
Edgar parou por um segundo. O olhar mudou. Mais atento.
— Já foram informados? — perguntou, virando levemente o rosto na direção do enfermeiro.
— Sim. Assim que ele acordou. — respondeu ele.
Edgar assentiu, passando a língua discretamente pelos lábios, processando rápido.
— Eles não entram sem minha autorização. — disse, firme.
— Entendido.
Nesse momento, dois policiais apareceram no final do corredor. Postura firme. Olhar direto. Um deles se aproximou.
— Doutor Edgar? — chamou, ajustando levemente o distintivo no peito.
— Sim. — respondeu Edgar, voltando-se totalmente para ele.
— Fomos informados que o paciente recobrou a consciência. — disse o agente. — Precisamos falar com ele.
Edgar sustentou o olhar, imóvel.
— Ele passou por uma cirurgia cardíaca recente. — respondeu, direto. — Ainda está em recuperação e sob monitoramento.
O policial assentiu, mas não recuou.
— Entendemos. — disse, mantendo o tom controlado. — A conversa será breve.
Edgar cruzou levemente os braços, avaliando cada palavra.
— Cinco minutos. — disse. — Sem pressão. Sem insistência.
O tom não era sugestão. Era condição. O policial inclinou a cabeça de leve.
— Certo. — respondeu, dando um passo sutil para trás.
— E eu fico no quarto. — completou Edgar.
O agente assentiu novamente.
— Sem problema. — disse, ajustando a postura.
Nesse momento, a mãe de André saiu do quarto. Os olhos ainda vermelhos. Mas agora mais firmes. Ela viu os policiais. E o corpo reagiu na mesma hora.
— Não. — disse, se colocando na frente. — Ele não vai falar com ninguém agora.
O policial manteve o tom controlado, abrindo levemente as mãos em um gesto conciliador.
— Senhora, precisamos apenas de algumas informações.
— Ele quase morreu! — retrucou ela, a voz subindo, apontando na direção do quarto.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Segredos De Uma Noite Meu Marido Por Contrato (Olivia)
Postem os novos capítulos, já faz duas semanas que não postam nada , ou será que o livro vai ficar incompleto...
por favor postem os outros capítulos, já tem alguns dias e não postam nada...
Volta a liberar 3 por dia...
Nao postam mais como antes 3 por dia ai comprar nao da....
E vai postar o restante quando, não tem capítulo diário, não tem semanal, será agora mensal. Afff viu...
514 libera mais.........
Podia liberar td livro....
Eu fiquei 15 dias pensei noss vai ter um mont2 de páginas pea mim devorar tinha somente 5 páginas. Desumano com quem tem ansiedade kkkkk...
Ansiosa pelo capítulo 530 , será que vai ser postado hoje , pq semana passada foi postado no domingo...
Super ansiosa estou no capitulo 512. So ue estão demorando muito pra soltar novos...