Elisa não respondeu de imediato. O peito subia e descia mais forte, e os dedos se fecharam com força ao lado do corpo antes que ela erguesse o queixo e sustentasse o olhar da irmã.
— Tudo que eu fiz foi para salvar a vida da minha filha. — A voz saiu firme, apesar do nó na garganta.
Érica soltou um riso baixo, sem humor. Cruzou os braços, deixando o olhar deslizar por Elisa de cima a baixo com um desprezo quase elegante.
— Sempre tão dramática… — murmurou. — Sempre com essa pose de mulher sacrificada.
Elisa respirou fundo, tentando não ceder à provocação.
— E você sempre tão cruel. — rebateu, sem baixar os olhos. — Só pensa em você. Tem prazer em maquinar o mal. Você só ama a si mesma.
Érica levantou uma sobrancelha.
— E isso me trouxe até aqui. — O tom dela ficou ainda mais soberbo. — Viva. Linda. Rica. Bem vestida. Enquanto você ainda precisa justificar as suas escolhas.
Érica inclinou levemente a cabeça.
— Diga uma coisa… é confortável viver uma vida que não é sua? Usar o meu nome, ocupar o meu lugar?
Elisa endureceu o maxilar.
— Você sumiu. — disse, mais firme. — Eu te procurei. Fiz a denúncia do seu desaparecimento. Corri atrás. Ninguém sabia onde você estava. Disseram que você podia estar morta.
A confissão bateu no ar. Érica não piscou.
— Você fez uma denúncia dizendo que Elisa tinha sumido. Mentiu para a polícia. — Os olhos dela escureceram de prazer sombrio. — Já imaginou quando eles descobrirem tudo isso? Você vai mofar na cadeia.
A ponta dos lábios se ergueu.
— E eu vou adorar assistir à sua ruína.
Elisa colocou a mão no peito, tentando manter a calma.
— Eu estava passando necessidade. Com uma filha pra criar. Tentando me livrar de um homem que era um monstro. — A lembrança atravessou sua expressão por um segundo.
Uma pausa curta pesou entre as duas.
— E eu aproveitei. — concluiu, sem rodeios. — Sim. Aproveitei.
Érica sorriu.
— Claro que aproveitou. — A voz saiu venenosa. — Você sempre viveu à minha sombra. Só estava esperando uma oportunidade para roubar a minha vida.
Elisa ficou imóvel, mas a respiração pesou.
— Eu tive necessidade. Você sabe exatamente o que aquele homem fez comigo.
— Necessidade? — Érica riu de novo, seca. — Você sempre foi fraca. Sempre teve inveja de mim. Isso nunca mudou.
Elisa deu um passo à frente.
— Não. O que nunca mudou foi a sua capacidade de destruir tudo o que toca. E eu não me arrependo do que fiz. Faria tudo de novo. — O olhar dela se fortaleceu. — Uma mãe de verdade faz qualquer coisa para salvar a vida de um filho.
Dessa vez, o sorriso de Érica diminuiu.
— Que mãe é essa… — devolveu, baixa, cruel — que rejeita a própria filha? Que cria a menina chamando de sobrinha? Que tem coragem de fazê-la crescer dentro de uma mentira?
Ela se inclinou ligeiramente para perto da irmã.
— Já imaginou como a Bárbara vai reagir quando descobrir, mãe exemplar? — disse Érica, com um sorriso lento, cruel.
Ela inclinou levemente o rosto.
— Quando souber toda a verdade… — continuou, a voz mais baixa — sobre o pai dela… sobre o que ele fez…
Uma pausa. Pesada. Os olhos se fixaram nos de Elisa.
— …e sobre a escolha que você fez.
O sorriso se abriu um pouco mais.
— Eu fico me perguntando… — murmurou — como ela vai olhar pra você depois disso.
O golpe atingiu. Elisa sentiu. Mas não abaixou o olhar.
— Foi a única saída que encontrei para protegê-la. Tudo que fiz foi por amor. E a Bárbara nunca vai saber da verdade. — completou, baixa, decisiva. — Nunca.
Érica riu, e dessa vez havia algo mais amargo no som.
— Eu sumi… porque, depois que o Felipe me obrigou a fazer aquele aborto e me largou… eu não tinha mais nada.
Pela primeira vez, havia uma sombra mais funda sob a frieza.
— E, para manter a vida boa, tive que aturar um velho asqueroso.
Os olhos dela se endureceram de novo.
— Mas o velho morreu… — continuou, com um meio sorriso frio — e, naquela época, eu decidi que não ia aceitar voltar para a miséria. Eu não nasci pra ser pobre. Então voltei.
Aproximou-se mais da irmã.
— Fui atrás do Felipe… e descobri que você tinha tomado o meu lugar. Estava morando na mansão dos Holts. Usando o meu nome. E ainda teve a audácia de dar uma filha pra ele.
O maxilar dela travou.
— Era pra ser eu. Era pra eu ser a senhora Holt.
Elisa respirou fundo.
— Você nunca quis ser mãe.
Érica soltou um riso curto.
— Não vem com esse discurso pra cima de mim.
— Não é discurso. É verdade. — respondeu Elisa, com o olhar firme. — Você abortou porque quis. Porque, no fundo, só engravidou pra segurar o Felipe… achando que assim ele ia se separar de vez da esposa e garantir que o seu luxo nunca acabasse.
O olhar endureceu ainda mais.
— Só que você foi burra. — completou, fria. — Ele nunca quis filho.
O silêncio se adensou entre as duas.
— Eu não. — continuou, mais firme. — A gravidez da Laura foi um acidente, ele também quis que eu abortasse. E eu lutei. Porque eu nunca tiraria a vida da minha filha. Não tirei da Bárbara… e não tiraria da Laura.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Segredos De Uma Noite Meu Marido Por Contrato (Olivia)
Postem os novos capítulos, já faz duas semanas que não postam nada , ou será que o livro vai ficar incompleto...
por favor postem os outros capítulos, já tem alguns dias e não postam nada...
Volta a liberar 3 por dia...
Nao postam mais como antes 3 por dia ai comprar nao da....
E vai postar o restante quando, não tem capítulo diário, não tem semanal, será agora mensal. Afff viu...
514 libera mais.........
Podia liberar td livro....
Eu fiquei 15 dias pensei noss vai ter um mont2 de páginas pea mim devorar tinha somente 5 páginas. Desumano com quem tem ansiedade kkkkk...
Ansiosa pelo capítulo 530 , será que vai ser postado hoje , pq semana passada foi postado no domingo...
Super ansiosa estou no capitulo 512. So ue estão demorando muito pra soltar novos...