Entrar Via

Segredos De Uma Noite Meu Marido Por Contrato (Olivia) romance Capítulo 417

Elisa não respondeu de imediato. O peito subia e descia mais forte, e os dedos se fecharam com força ao lado do corpo antes que ela erguesse o queixo e sustentasse o olhar da irmã.

— Tudo que eu fiz foi para salvar a vida da minha filha. — A voz saiu firme, apesar do nó na garganta.

Érica soltou um riso baixo, sem humor. Cruzou os braços, deixando o olhar deslizar por Elisa de cima a baixo com um desprezo quase elegante.

— Sempre tão dramática… — murmurou. — Sempre com essa pose de mulher sacrificada.

Elisa respirou fundo, tentando não ceder à provocação.

— E você sempre tão cruel. — rebateu, sem baixar os olhos. — Só pensa em você. Tem prazer em maquinar o mal. Você só ama a si mesma.

Érica levantou uma sobrancelha.

— E isso me trouxe até aqui. — O tom dela ficou ainda mais soberbo. — Viva. Linda. Rica. Bem vestida. Enquanto você ainda precisa justificar as suas escolhas.

Érica inclinou levemente a cabeça.

— Diga uma coisa… é confortável viver uma vida que não é sua? Usar o meu nome, ocupar o meu lugar?

Elisa endureceu o maxilar.

— Você sumiu. — disse, mais firme. — Eu te procurei. Fiz a denúncia do seu desaparecimento. Corri atrás. Ninguém sabia onde você estava. Disseram que você podia estar morta.

A confissão bateu no ar. Érica não piscou.

— Você fez uma denúncia dizendo que Elisa tinha sumido. Mentiu para a polícia. — Os olhos dela escureceram de prazer sombrio. — Já imaginou quando eles descobrirem tudo isso? Você vai mofar na cadeia.

A ponta dos lábios se ergueu.

— E eu vou adorar assistir à sua ruína.

Elisa colocou a mão no peito, tentando manter a calma.

— Eu estava passando necessidade. Com uma filha pra criar. Tentando me livrar de um homem que era um monstro. — A lembrança atravessou sua expressão por um segundo.

Uma pausa curta pesou entre as duas.

— E eu aproveitei. — concluiu, sem rodeios. — Sim. Aproveitei.

Érica sorriu.

— Claro que aproveitou. — A voz saiu venenosa. — Você sempre viveu à minha sombra. Só estava esperando uma oportunidade para roubar a minha vida.

Elisa ficou imóvel, mas a respiração pesou.

— Eu tive necessidade. Você sabe exatamente o que aquele homem fez comigo.

— Necessidade? — Érica riu de novo, seca. — Você sempre foi fraca. Sempre teve inveja de mim. Isso nunca mudou.

Elisa deu um passo à frente.

— Não. O que nunca mudou foi a sua capacidade de destruir tudo o que toca. E eu não me arrependo do que fiz. Faria tudo de novo. — O olhar dela se fortaleceu. — Uma mãe de verdade faz qualquer coisa para salvar a vida de um filho.

Dessa vez, o sorriso de Érica diminuiu.

— Que mãe é essa… — devolveu, baixa, cruel — que rejeita a própria filha? Que cria a menina chamando de sobrinha? Que tem coragem de fazê-la crescer dentro de uma mentira?

Ela se inclinou ligeiramente para perto da irmã.

— Já imaginou como a Bárbara vai reagir quando descobrir, mãe exemplar? — disse Érica, com um sorriso lento, cruel.

Ela inclinou levemente o rosto.

— Quando souber toda a verdade… — continuou, a voz mais baixa — sobre o pai dela… sobre o que ele fez…

Uma pausa. Pesada. Os olhos se fixaram nos de Elisa.

— …e sobre a escolha que você fez.

O sorriso se abriu um pouco mais.

— Eu fico me perguntando… — murmurou — como ela vai olhar pra você depois disso.

O golpe atingiu. Elisa sentiu. Mas não abaixou o olhar.

— Foi a única saída que encontrei para protegê-la. Tudo que fiz foi por amor. E a Bárbara nunca vai saber da verdade. — completou, baixa, decisiva. — Nunca.

Érica riu, e dessa vez havia algo mais amargo no som.

— Eu sumi… porque, depois que o Felipe me obrigou a fazer aquele aborto e me largou… eu não tinha mais nada.

Pela primeira vez, havia uma sombra mais funda sob a frieza.

— E, para manter a vida boa, tive que aturar um velho asqueroso.

Os olhos dela se endureceram de novo.

— Mas o velho morreu… — continuou, com um meio sorriso frio — e, naquela época, eu decidi que não ia aceitar voltar para a miséria. Eu não nasci pra ser pobre. Então voltei.

Aproximou-se mais da irmã.

— Fui atrás do Felipe… e descobri que você tinha tomado o meu lugar. Estava morando na mansão dos Holts. Usando o meu nome. E ainda teve a audácia de dar uma filha pra ele.

O maxilar dela travou.

— Era pra ser eu. Era pra eu ser a senhora Holt.

Elisa respirou fundo.

— Você nunca quis ser mãe.

Érica soltou um riso curto.

— Não vem com esse discurso pra cima de mim.

— Não é discurso. É verdade. — respondeu Elisa, com o olhar firme. — Você abortou porque quis. Porque, no fundo, só engravidou pra segurar o Felipe… achando que assim ele ia se separar de vez da esposa e garantir que o seu luxo nunca acabasse.

O olhar endureceu ainda mais.

— Só que você foi burra. — completou, fria. — Ele nunca quis filho.

O silêncio se adensou entre as duas.

— Eu não. — continuou, mais firme. — A gravidez da Laura foi um acidente, ele também quis que eu abortasse. E eu lutei. Porque eu nunca tiraria a vida da minha filha. Não tirei da Bárbara… e não tiraria da Laura.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Segredos De Uma Noite Meu Marido Por Contrato (Olivia)