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Segredos De Uma Noite Meu Marido Por Contrato (Olivia) romance Capítulo 436

Olívia parou a poucos passos dele. As mãos se fecharam em punho, as unhas quase marcando a própria pele.

— Foi você. — disse, mesmo com a voz carregada — você mandou fazer aquilo com o meu irmão.

Alberto não respondeu de imediato. Apenas a observou em silêncio, como se avaliasse cada tremor, cada respiração, cada fissura prestes a se abrir nela. Então soltou um leve riso pelo nariz, desviando o olhar por um segundo enquanto ajeitava o punho da camisa.

— Você realmente acha… — começou, a voz baixa, controlada — que alguém na minha posição… suja as próprias mãos?

Fez uma pausa e voltou a encará-la.

— Eu não faço esse tipo de coisa.

Olívia deu um passo à frente, o corpo inteiro tensionado.

— Para de jogar comigo! — a voz subiu, tremendo de raiva — você acha que eu não entendi?

Alberto ergueu levemente a sobrancelha, mas não perdeu a calma.

— Cuidado… — murmurou, baixo, mas firme — você está na minha casa.

Ela soltou um riso seco, sem humor algum.

— Que se dane que estou na sua casa. Eu entendi seu recado. Você é um monstro. — rebateu ela, firme.

O ar pareceu enrijecer entre os dois.

Alberto inclinou levemente a cabeça, estudando-a.

— O curioso… — continuou, observando cada reação dela — é que você resolveu desafiar alguém…

Os olhos dele escureceram.

— E alguém próximo a você se machucou.

Por um instante, o corpo de Olívia gelou.

— Primeiro foi o seu marido… — acrescentou ele, quase num tom casual — agora o seu irmão…

Deu um passo para trás, abrindo um leve sorriso.

— Me diz, Olívia…

A pausa veio longa, calculada.

— Quem vai ser o próximo?

O coração dela disparou.

Alberto inclinou a cabeça de leve, como se a resposta já estivesse escolhida.

— Seu pai? — completou, quase casual.

A garganta de Olívia secou na hora.

— Um homem de coração fraco… conservador… cheio de princípios e valores…

Ele abriu um meio sorriso.

— Imagina ele saber… — continuou, a voz mais baixa, mais venenosa — o que a “Pérola Negra” dele passou naquele hotel.

Olívia travou. A respiração vacilou.

— Ou descobrir… — acrescentou, acompanhando de perto o efeito de cada palavra — por que a netinha querida não nasceu de sete meses.

Aquela foi a pancada que quase a fez perder o equilíbrio.

— Que a filha exemplar… — concluiu, com um leve sorriso — escondeu o verdadeiro motivo daquele casamento apressado.

O silêncio caiu entre os dois, esmagando.

— Você é um monstro… — sussurrou ela, a voz quebrando — não é possível que seja filho do vovô Frederico e da vovó Olga.

Alberto ignorou. Virou-se de leve, como se aquilo fosse apenas um detalhe sem importância, e ajeitou o paletó com a mesma calma irritante.

— O julgamento já está marcado… — disse, controlado — e você sabe exatamente o que vai acontecer lá dentro.

Olívia apertou as mãos, tentando sustentar o pouco de força que ainda tinha.

— Não vai acontecer nada.

Alberto voltou o rosto para ela, os olhos frios.

— Vai, sim. — cortou ele, frio — condenação.

A palavra caiu como uma sentença.

— Mas isso… — continuou — pode mudar.

O olhar dele se aprofundou.

— Eu posso… facilitar certas coisas.

Olívia respirou fundo, tentando não ceder ao tremor que subia pelo corpo.

— Eu não preciso de você, Liam vai sair daquela prisão. — disse, encarando-o — eu já sei a verdade.

Os olhos dela arderam.

— O atirador… foi o agiota. E o Alex vai provar isso.

Alberto a observou por um segundo e então sorriu. Não havia humor ali. Só desprezo.

— Verdade… sem prova… — murmurou — não serve pra nada.

Deu alguns passos pela sala, calmo demais para alguém que estava claramente conduzindo uma execução emocional.

— E, até agora… — continuou, olhando de canto — o seu brilhante advogado não conseguiu absolutamente nada.

Olívia engoliu seco.

— Ele vai conseguir.

Alberto parou e se virou devagar.

— Vai? — perguntou, quase curioso.

Se aproximou de novo, cada passo medido.

— Ou ele só está… — fez um gesto leve com a mão — colocando a própria família em risco?

O corpo de Olívia endureceu na mesma hora.

— O que você quer dizer com isso?

O sorriso dele voltou. Lento. Perigoso.

— A sua amiga… — disse, casual — a Ísis…

Os olhos dele se fixaram nos dela.

— Ela teve sorte naquela explosão no trailer.

O ar sumiu dos pulmões de Olívia.

— Mas sorte… — continuou, mais baixo — não costuma se repetir duas vezes.

O coração dela disparou.

A frase veio baixa, definitiva.

— Porque, diferente de você… — acrescentou, olhando direto nos olhos dela — eu não trabalho com esperança.

Uma pausa lenta.

— Eu trabalho com resultado.

Olívia permaneceu imóvel por um instante. Os olhos fixos nele, tentando se manter firme, mas a respiração já não acompanhava.

— E que garantia eu tenho… — perguntou, a voz mais baixa, mas ainda firme — de que você está falando a verdade?

Deu um passo à frente.

— Como eu vou confiar em você? — continuou, o olhar ardendo — se eu fizer tudo isso… o Liam sai mesmo da prisão?

O silêncio que veio depois não foi vazio. Foi calculado. Alberto a observou por alguns segundos. Sem pressa.

— Confiança… — murmurou, quase num sopro, desviando o olhar por um instante — não é algo que você tem aqui.

Voltou a encará-la.

— O que você tem… é escolha.

Olívia apertou os lábios.

— Alex vai encontrar o casal. — disse, tentando se agarrar a algo — ele está perto.

Alberto soltou um riso baixo, sem humor.

— Não está. — respondeu, simples.

Deu alguns passos lentos pela sala, passando a mão de leve pelo encosto do sofá.

— E não vai encontrar.

Virou o rosto na direção dela.

— Você acha mesmo que alguém some assim… sem ajuda?

O olhar dele se aprofundou.

— Esse casal não vai aparecer… não hoje… não amanhã… não nunca.

O coração de Olívia apertou.

— Você está mentindo…

— Eu estou sendo realista. — cortou ele, sem alterar o tom.

Se aproximou novamente, devagar.

— O seu advogado é bom… — admitiu — mas não é suficiente.

A pausa veio pesada.

— E enquanto ele corre atrás de uma prova que não existe… o tempo do Liam está acabando.

Olívia engoliu seco.

— Não…

— Sim. — disse, firme — o julgamento já está marcado. E você sabe como isso termina.

Ela não respondeu.

— Você ainda está aqui… porque eu permiti. — continuou ele, mais baixo — porque, se eu quisesse… já teria acabado com tudo isso.

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