A manhã estava cinzenta sobre Nova York. A mansão Holt, imponente como sempre, parecia silenciosa demais. Até os corredores largos carregavam uma espécie de respeito pela dor que rondava aquela família
Olívia entrou na sala principal com passos lentos. O cansaço estava estampado nela. Nos olhos inchados, no rosto sem cor, na postura de quem vinha tentando permanecer de pé apenas por obrigação.
Frederico estava sentado em sua poltrona, lendo jornal. Olga estava sentada no sofá, bordando algo pequeno para Meredith. Os dois levantaram os olhos quando ela entrou.
Olga levantou-se de imediato.
— Minha querida… — disse com doçura, caminhando até ela. — Que bom ver você, meu amor.
Olívia tentou sorrir, mas o gesto morreu antes de nascer. Recebeu o abraço em silêncio. Por um segundo… só respirou. Frederico fechou o jornal devagar e retirou os óculos. Observou-a longamente. Sem pressa. Sem invasão. Apenas vendo o que estava diante dele.
— Você está gelada… — murmurou Olga, acariciando os cabelos dela. — Conseguiu dormir? Comeu alguma coisa hoje?
Olívia soltou um pequeno suspiro cansado.
— Não muita coisa, vovó.
— Sente-se, minha jovem. — disse Frederico, com a firmeza calma de sempre.
Olívia obedeceu. Sentou-se no sofá, alisando distraidamente a barra da blusa, como quem precisava ocupar as mãos. Olga permaneceu ao lado dela. Frederico apoiou os braços nos apoios da poltrona e a observou em silêncio por alguns segundos.
— O que eu espero ver diante de mim… — começou, a voz baixa e estável — é a jovem que entrou nesta família sem pedir licença para ninguém.
Olívia ergueu os olhos devagar.
— A moça ousada… inteligente… com resposta pronta na ponta da língua.
Uma pausa curta. O olhar dele suavizou quase imperceptivelmente.
— Não essa menina com os olhos apagados… como se a vida tivesse pesado demais sobre ela.
A garganta de Olívia apertou na hora. Olga segurou a mão dela com delicadeza. Frederico inclinou-se um pouco à frente.
— Estamos todos atravessando dias difíceis. — continuou, sem perder a firmeza. — Meu neto está preso. Seu irmão luta num hospital. Esta casa inteira sente isso.
Os olhos dele prenderam os dela.
— Mas você… está carregando algo além.
A frase saiu simples. Direta. Sem acusação. Olívia prendeu a respiração.
— Então me diga, minha jovem… — continuou ele, mais baixo — o que era importante demais para não ser dito por telefone?
Ela tentou responder de imediato, mas a voz não veio. Precisou respirar fundo antes.
— Eu vim dizer que… — começou, sentindo o peito arder — não vou continuar no cargo de CEO.
O silêncio caiu na sala.
— Eu pensei muito antes de vir aqui. — disse, mais baixa. — Não estou falando por impulso.
Olga franziu levemente a testa, surpresa. Frederico não se moveu. Apenas sustentou o olhar nela. Olívia respirou fundo.
— Faz uma semana que o Victor está em coma… e está tudo muito puxado. — a voz saiu mais baixa. — Ele era o braço direito do meu pai na empresa. Muita coisa depende dele.
Baixou o olhar por um instante.
— Minha mãe está se revezando entre Nova York e Dallas porque precisa cuidar do meu pai… ele não pode passar por esse estresse direto.
A voz vacilou quando continuou.
— Eu tenho a Meredith… tenho o Liam naquela prisão… tenho o hospital… a família… e a Trident.
Ergueu os olhos, marejados.A garganta apertou.
— E eu simplesmente não estou conseguindo dar conta de tudo.
Olga segurou a mão dela com carinho imediato.
— Minha querida…
Olívia apertou os dedos dela.
— Eu não quero falhar com a empresa. Nem com o senhor. Nem com ninguém. Por isso estou sendo honesta agora.
Os olhos marejaram.
— Eu prefiro me afastar a permanecer ocupando uma cadeira sem conseguir entregar o que ela exige.
Frederico ouviu tudo sem interromper. Sem desviar o olhar. Quando falou, a voz veio calma. Medida.
— Essa cadeira exige competência. E você vem entregando isso.
Fez uma pausa curta.
— O que ela não exige… é que alguém seja de ferro.
Olívia piscou, surpresa. Ele descruzou as pernas devagar.
— Você está atravessando uma soma rara de pressões ao mesmo tempo. Família, hospital, maternidade, crise jurídica, exposição pública.
O tom permaneceu estável.
— Em cenários assim, a mente costuma confundir exaustão com incapacidade.
Olívia respirou fundo, sentindo o peito apertar ainda mais.
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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Segredos De Uma Noite Meu Marido Por Contrato (Olivia)
Quando será liberado mais capítulos?...
Pq está parando de postar diariamente, está estagnado no capítulo 465 ... KD o restante, espero que na publicação tenha um pouco mais.......
Cadê os capítulos, era 3 capítulos por dia, kd.......
Cadê a continuação?...
Precisamos dos novos capítulos... 🥹...
Nem uma atualizaçãozinha, tem gente chorando aqui 🥲...
Os capítulos estão demorando muito pra liberar...
Já tem 3 dias que não libera os capítulos...
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