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Segredos De Uma Noite Meu Marido Por Contrato (Olivia) romance Capítulo 438

A manhã estava cinzenta sobre Nova York. A mansão Holt, imponente como sempre, parecia silenciosa demais. Até os corredores largos carregavam uma espécie de respeito pela dor que rondava aquela família

Olívia entrou na sala principal com passos lentos. O cansaço estava estampado nela. Nos olhos inchados, no rosto sem cor, na postura de quem vinha tentando permanecer de pé apenas por obrigação.

Frederico estava sentado em sua poltrona, lendo jornal. Olga estava sentada no sofá, bordando algo pequeno para Meredith. Os dois levantaram os olhos quando ela entrou.

Olga levantou-se de imediato.

— Minha querida… — disse com doçura, caminhando até ela. — Que bom ver você, meu amor.

Olívia tentou sorrir, mas o gesto morreu antes de nascer. Recebeu o abraço em silêncio. Por um segundo… só respirou. Frederico fechou o jornal devagar e retirou os óculos. Observou-a longamente. Sem pressa. Sem invasão. Apenas vendo o que estava diante dele.

— Você está gelada… — murmurou Olga, acariciando os cabelos dela. — Conseguiu dormir? Comeu alguma coisa hoje?

Olívia soltou um pequeno suspiro cansado.

— Não muita coisa, vovó.

— Sente-se, minha jovem. — disse Frederico, com a firmeza calma de sempre.

Olívia obedeceu. Sentou-se no sofá, alisando distraidamente a barra da blusa, como quem precisava ocupar as mãos. Olga permaneceu ao lado dela. Frederico apoiou os braços nos apoios da poltrona e a observou em silêncio por alguns segundos.

— O que eu espero ver diante de mim… — começou, a voz baixa e estável — é a jovem que entrou nesta família sem pedir licença para ninguém.

Olívia ergueu os olhos devagar.

— A moça ousada… inteligente… com resposta pronta na ponta da língua.

Uma pausa curta. O olhar dele suavizou quase imperceptivelmente.

— Não essa menina com os olhos apagados… como se a vida tivesse pesado demais sobre ela.

A garganta de Olívia apertou na hora. Olga segurou a mão dela com delicadeza. Frederico inclinou-se um pouco à frente.

— Estamos todos atravessando dias difíceis. — continuou, sem perder a firmeza. — Meu neto está preso. Seu irmão luta num hospital. Esta casa inteira sente isso.

Os olhos dele prenderam os dela.

— Mas você… está carregando algo além.

A frase saiu simples. Direta. Sem acusação. Olívia prendeu a respiração.

— Então me diga, minha jovem… — continuou ele, mais baixo — o que era importante demais para não ser dito por telefone?

Ela tentou responder de imediato, mas a voz não veio. Precisou respirar fundo antes.

— Eu vim dizer que… — começou, sentindo o peito arder — não vou continuar no cargo de CEO.

O silêncio caiu na sala.

— Eu pensei muito antes de vir aqui. — disse, mais baixa. — Não estou falando por impulso.

Olga franziu levemente a testa, surpresa. Frederico não se moveu. Apenas sustentou o olhar nela. Olívia respirou fundo.

— Faz uma semana que o Victor está em coma… e está tudo muito puxado. — a voz saiu mais baixa. — Ele era o braço direito do meu pai na empresa. Muita coisa depende dele.

Baixou o olhar por um instante.

— Minha mãe está se revezando entre Nova York e Dallas porque precisa cuidar do meu pai… ele não pode passar por esse estresse direto.

A voz vacilou quando continuou.

— Eu tenho a Meredith… tenho o Liam naquela prisão… tenho o hospital… a família… e a Trident.

Ergueu os olhos, marejados.A garganta apertou.

— E eu simplesmente não estou conseguindo dar conta de tudo.

Olga segurou a mão dela com carinho imediato.

— Minha querida…

Olívia apertou os dedos dela.

— Eu não quero falhar com a empresa. Nem com o senhor. Nem com ninguém. Por isso estou sendo honesta agora.

Os olhos marejaram.

— Eu prefiro me afastar a permanecer ocupando uma cadeira sem conseguir entregar o que ela exige.

Frederico ouviu tudo sem interromper. Sem desviar o olhar. Quando falou, a voz veio calma. Medida.

— Essa cadeira exige competência. E você vem entregando isso.

Fez uma pausa curta.

— O que ela não exige… é que alguém seja de ferro.

Olívia piscou, surpresa. Ele descruzou as pernas devagar.

— Você está atravessando uma soma rara de pressões ao mesmo tempo. Família, hospital, maternidade, crise jurídica, exposição pública.

O tom permaneceu estável.

— Em cenários assim, a mente costuma confundir exaustão com incapacidade.

Olívia respirou fundo, sentindo o peito apertar ainda mais.

— Então escute com atenção, minha jovem. Eu aceito o seu afastamento temporário.

Ela voltou o rosto para ele, surpresa.

— Temporário?

— Sim. — respondeu, firme. — Alguns dias. O tempo necessário para respirar, organizar sua família e recuperar a lucidez.

A voz dele baixou um pouco.

— Este momento tem exigido demais de você.

Olívia sentiu as lágrimas escaparem silenciosas. Olga imediatamente a abraçou pelos ombros. Frederico esperou que ela se recompusesse antes de concluir.

— O que eu não aceito… é perder você definitivamente daquela cadeira.

O olhar dele se intensificou.

— Eu não a coloquei lá por acaso. Nem por caridade.

Uma pausa curta.

— Coloquei porque você tem capacidade. Sangue frio quando precisa. Inteligência quando falta aos outros. E coragem… quando muita gente foge dela.

Olívia abriu a boca para insistir, mas ele continuou.

— E outra pessoa não ocupará o seu cargo.

Ela o encarou. Frederico manteve a serenidade habitual.

— A cadeira continuará sua. Interinamente administrada no que for necessário, sem substituição definitiva.

As lágrimas desceram silenciosas pelo rosto de Olívia. Olga a puxou para um abraço imediato.

— Você não precisa resolver toda a vida hoje,meu amor.

Frederico aguardou alguns segundos antes de concluir.

— Quando este momento passar… voltaremos a conversar.

A voz veio firme. Inquestionável.

— Porque esta família já está perdendo coisas demais. E eu não pretendo perder você também.

A sala de visitas da prisão estava silenciosa demais. O ar parecia pesado, imóvel. Liam permaneceu sentado por alguns segundos sem dizer nada, os olhos fixos em Alex. O maxilar rígido denunciava a tensão que ele tentava controlar. Havia irritação ali. E medo também.

— Já fazem doze dias. — disse enfim, a voz baixa e dura. — O que está acontecendo com a Olívia?

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