Ele tentou entender a frase, mas o olhar tornou a se perder.
— Mamãe? — perguntou, procurando ao redor.
Olívia apertou a mão dele com carinho.
— Foi descansar um pouco. — respondeu, beijando os dedos dele. — Já vai voltar correndo quando souber que você acordou.
Victor respirou fundo, ainda desorientado.
— Papai…? — perguntou em seguida, os olhos pesados.
— Está bem. — respondeu ela, acariciando o braço dele. — Preocupado com você. Todos estão.
Ele fechou os olhos mais uma vez, cansado.
— Eu… não lembro de nada. — confessou baixinho, quase envergonhado.
Olívia sentiu o peito apertar, mas inclinou-se com cuidado e beijou a testa dele, evitando a faixa que envolvia parte da cabeça.
— Não precisa lembrar agora. — murmurou, com suavidade.
Acariciou devagar o rosto dele, o polegar deslizando de leve pela lateral da face.
— Você só precisa ficar aqui… conosco. — disse, encostando a testa de leve na dele por um segundo.
Os olhos dela marejaram outra vez, embora a voz tentasse se manter firme.
— Se recuperar… voltar para sua rotina. — continuou, ajeitando o lençol sobre o peito dele.
Os dedos dela tocaram de leve a mão dele sobre o lençol, num gesto silencioso de afeto.
— Aos poucos… você vai se lembrar.
Victor tornou a abrir os olhos lentamente e a observou por alguns segundos.
— Quem é você? — perguntou outra vez.
Ela o encarou por um instante… e então sorriu chorando.
— Victor, isso não são horas para brincadeiras. — respondeu, apontando o dedo para ele em falsa bronca. — Eu sou a sua irmã.
Ele soltou um sopro que parecia quase um riso. Pequeno. Fraco. Mas vivo. Olívia fechou os olhos por um segundo, sentindo as pernas tremerem de alívio.
Depois alcançou o celular com as mãos trêmulas. Precisava avisar a mãe. Precisava avisar o pai. Precisava avisar o mundo. Porque, depois de tantos dias no escuro… Victor havia voltado.
O quarto voltou a ficar movimentado alguns minutos depois. Enfermeiros entravam e saíam em silêncio técnico, ajustando monitores, verificando sinais, anotando respostas.
Victor havia sido examinado e agora descansava novamente, mais sedado, os olhos fechados, a respiração estável.
Do lado de fora, no corredor, Olívia aguardava com os braços cruzados sobre o próprio corpo, como se tentasse se sustentar. Assim que o médico saiu do quarto, ela foi direto até ele.
— Doutor… como ele está? — perguntou de imediato, a voz ansiosa, aproximando-se um passo. — Ele me olhou… falou comigo… mas parecia confuso. Em alguns momentos parecia que não me reconhecia. Eu não sei se ele estava brincando ou se realmente…
A frase morreu antes do final. O médico assentiu com calma profissional.
— A confusão mental neste momento é esperada. — respondeu, mantendo o tom sereno enquanto retirava as luvas.
Olívia engoliu seco.
— Esperada como? — perguntou rápido, franzindo a testa e apertando os braços contra o corpo.
Ele consultou rapidamente o tablet antes de explicar.
— Seu irmão sofreu um trauma cranioencefálico importante. Pelas lesões externas e pelo padrão dos exames, ele recebeu múltiplos impactos na região da cabeça e face.
As mãos dela se fecharam na mesma hora.
— Meu Deus… — sussurrou, balançando a cabeça, os olhos já marejando.
— O cérebro, após pancadas repetidas, pode apresentar edema temporário, inflamação, desorientação, lentidão cognitiva e falhas de memória. — continuou o médico, didático, mas humano no tom. — Além disso, ele passou dias sedado e em coma induzido. O despertar costuma vir acompanhado de confusão.
Olívia tentou absorver tudo.
— E agora? — perguntou imediatamente, endireitando a postura como quem precisava fazer algo.
— Agora, observação intensiva, novos exames, repouso neurológico e acompanhamento da equipe. Sem pressão para lembrar de nada. Sem forçar recordações.
Inclinou levemente a cabeça.
— O melhor que a família pode oferecer neste momento é calma, presença e repetição de referências seguras. Dizer quem são, onde ele está, que está protegido.
Os olhos dela marejaram.
— Eu consigo fazer isso… — disse baixinho, assentindo para si mesma, como uma promessa.
O médico assentiu.
— Eu imagino que sim. — respondeu com discrição, oferecendo um leve gesto de respeito antes de se afastar.
Olívia olhou pela pequena janela da porta do quarto. Victor dormia outra vez. Fragilizado. Diferente. Mas vivo.
O pub em Dallas estava cheio, iluminado por luzes âmbar e pelo barulho bom de reencontros antigos. Música ao fundo, copos tilintando, risadas espalhadas entre as mesas ocupadas. Olívia não estava cercada por corredores de hospital, advogados, prisão, ameaças ou notícias ruins.
Estava cercada por gente que lembrava quem ela era antes do caos. Colegas da faculdade a chamavam pelo apelido antigo, riam de histórias absurdas, discutiam quem mais colava nas provas de economia e quem fingia estudar para impressionar professor.
Olívia ria de verdade. Não aquele sorriso educado que ela vinha oferecendo ao mundo. Não aquele sorriso cansado para tranquilizar os pais. Não aquele sorriso controlado diante da família Holt que estava se obrigando a ter. Ria com os olhos brilhando.
— Isso é mentira! — protestou, apontando para um amigo do outro lado da mesa, já rindo antes de terminar a frase. — Eu nunca dormi na biblioteca!
— Dormiu, sim! — gritou ele, erguendo o copo no ar. — E ainda roncava depois de ler os livros da Jane. A nossa Jane sempre acreditando no amor. Uma romântica incurável!
A mesa explodiu em gargalhadas. Olívia levou a mão ao peito, fingindo indignação.
— Calúnia. Difamação. Vou processar todos vocês.
— Aqui só tem ex-alunos de Administração, querida. — alguém rebateu do fundo da mesa.
Ela riu mais alto. Vários celulares surgiram. As fotos começaram. Selfies apertadas. Gente entrando torta no enquadramento. Alguém pedindo para repetir porque piscou. Outro reclamando da própria cara.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Segredos De Uma Noite Meu Marido Por Contrato (Olivia)
Postem os novos capítulos, já faz duas semanas que não postam nada , ou será que o livro vai ficar incompleto...
por favor postem os outros capítulos, já tem alguns dias e não postam nada...
Volta a liberar 3 por dia...
Nao postam mais como antes 3 por dia ai comprar nao da....
E vai postar o restante quando, não tem capítulo diário, não tem semanal, será agora mensal. Afff viu...
514 libera mais.........
Podia liberar td livro....
Eu fiquei 15 dias pensei noss vai ter um mont2 de páginas pea mim devorar tinha somente 5 páginas. Desumano com quem tem ansiedade kkkkk...
Ansiosa pelo capítulo 530 , será que vai ser postado hoje , pq semana passada foi postado no domingo...
Super ansiosa estou no capitulo 512. So ue estão demorando muito pra soltar novos...