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Segredos De Uma Noite Meu Marido Por Contrato (Olivia) romance Capítulo 456

Fabrício ouviu tudo com serenidade madura. Depois sorriu.

— Ana e eu soubemos fazer filhos bonitos mesmo.

Liam riu pelo nariz. Fabrício completou.

— E com muito amor.

Depois o tom voltou a ficar sério.

— Mas escuta o que eu vou te dizer: essa prisão está bagunçando sua cabeça.

Apontou para o peito dele.

— Está te fazendo imaginar que ela possa se interessar por outro… ou cogitar estar com outro.

Negou com calma.

— Ela não está.

Deu uma pausa.

— Ela é só sua.

O silêncio que caiu foi profundo. Liam engoliu seco. Os olhos marejaram discretamente.

— Estou com saudade da minha filha.

A voz quase falhou.

— Não estou acompanhando nada dela.

Passou a mão pela testa.

— Preciso sentir o cheirinho dela de novo… segurar ela nos braços… como foi no hospital.

Respirou tremido.

— Eu preciso da minha família de volta.

Olhou ao redor da sala fria.

— Da minha vida de volta.

Fechou os olhos por um instante.

— Estou a ponto de surtar aqui dentro.

Fabrício estendeu a mão por cima da mesa e apertou a dele com firmeza.

— Eu sei.

Esperou Liam encará-lo.

— Alex está muito perto de tirar você daqui.

A voz veio segura.

— E a Olívia vai voltar a te visitar agora que o irmão está melhor. Victor saindo do hospital muda muita coisa.

Sorriu com carinho.

— Então tenha paciência com ela.

Pausa.

— Entenda ela.

Outra pausa.

— Não fique chateado.

Liam respirou fundo. Depois um sorriso pequeno apareceu.

— Não existe outro homem na face da Terra… que tenha mais paciência com a Olívia do que eu.

Fabrício ergueu uma sobrancelha, divertido. Liam completou, apontando de leve para ele.

— E o senhor.

Os dois riram. Liam recostou-se na cadeira.

— Eu tenho toda a paciência do mundo com ela.

O olhar ficou distante, saudoso.

— Com o jeito dela… com as manhas dela… com o ciúme dela… com esse romantismo exagerado que ela jura que não tem.

Sorriu de lado.

— Eu amo a Olívia exatamente como ela é.

Fabrício o observou em silêncio por alguns segundos. Depois assentiu devagar, emocionado de um jeito discreto.

— Então aguenta firme mais um pouco. Porque homem que ama assim… não perde. Só atravessa tempestade.

Fez uma pausa curta, como quem decidia revelar algo importante.

— E já que estamos falando a verdade aqui… preciso te contar uma coisa.

Liam franziu levemente a testa. Fabrício apoiou os antebraços sobre a mesa. A voz saiu baixa, íntima.

— Nos dias em que ela ficou lá em casa… cuidando de mim e da casa enquanto tudo estava um caos… eu vi muita coisa.

Liam ficou imóvel.

— Vi a minha filha chorando na madrugada… vestida com uma blusa sua… e segurando outra só pra sentir o seu cheiro.

O maxilar de Liam travou na mesma hora. Fabrício continuou com calma.

— Ela tentava se mostrar forte. Principalmente na minha frente… pra eu não sofrer mais.

Baixou os olhos por um instante, tocado pela lembrança.

— Mas quando achava que ninguém estava vendo… quebrava inteira.

Liam respirou fundo, os olhos marejando.

— Cada coisa nova que a Meredith faz… ela pega o celular correndo pra gravar.

Um sorriso triste surgiu nos lábios de Fabrício.

— “Isso aqui é pro Mozão ver depois”, ela fala.

Liam fechou os olhos por um segundo. Fabrício prosseguiu.

— Ela mostra seus vídeos antigos para bebê. Seus áudios. Sua voz.

A voz dele falhou levemente de emoção.

— Coloca suas camisas perto da Meredith pra menina não esquecer o cheiro do pai.

As lágrimas desceram silenciosas pelo rosto de Liam. Ele virou o rosto por reflexo, tentando recuperar o controle.

— Ela faz isso todo dia? — perguntou rouco.

— Todo santo dia.

— Você está no limite.

Olívia sorriu sem força.

— Eu sei.

Tentou brincar.

— Família dramática essa nossa. Te amo, Vic!

Victor soltou um meio sorriso cansado.

— Puxou a você. E eu também te amo, Liv. Obrigado por tudo!

Ela apertou os dedos dele uma última vez e se afastou. Ana foi a próxima. Caminhou até a filha e a envolveu num abraço longo, apertado, desses que dizem mais do que qualquer frase. Olívia fechou os olhos dentro daquele colo antigo.

— Descansa. — murmurou Ana, acariciando os cabelos dela. — Eu te amo, filha!

— Vou descansar. — respondeu baixo, embora a própria voz denunciasse incerteza. — Também te amo, mãe!

Ana se afastou apenas para tocar o rosto da filha.

— Se alimenta. Dorme. E para de querer salvar o mundo sozinha.

Olívia quase sorriu.

— Vou tentar, senhora general.

Então encontrou o olhar de Fabrício. Ele abriu os braços imediatamente. Olívia caminhou até ele e se deixou abraçar. Fabrício a envolveu com firmeza tranquila, cheiro de proteção, de casa, de infância.

— Eu vou aparecer lá, papai. — murmurou ela contra o peito dele.

Fabrício se afastou só o suficiente para olhar nos olhos da filha.

— Negativo… primeiro você vai visitar o seu marido.

Olívia piscou, pega de surpresa.

— Pai…

Ele ergueu a mão com delicadeza, interrompendo.

— Agora que Victor está indo pra casa e está seguro… você vai voltar pra sua rotina.

A voz saiu doce, porém inegociável.

— Vai cuidar da sua família. Do seu casamento. Da sua vida.

Tocou o queixo dela com carinho.

— Depois disso, você vai pra nossa casa passar uns dias… se ainda quiser.

Os olhos de Olívia marejaram.

— Eu…

Fabrício sorriu pequeno.

— Sem desculpas, Pérola Negra.

Beijou a testa dela.

— Só faz o que precisa ser feito. Liam precisa muito de você. Eu te amo, minha menina!

Ela assentiu devagar.

— Tá bom. Também te amo, papai!

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