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Segredos De Uma Noite Meu Marido Por Contrato (Olivia) romance Capítulo 472

Edgar sorriu convencido enquanto caminhava pelo corredor com Laura nos braços.

— Tá vendo? Minha filha reconhece minhas qualidades.

Laura riu entre lágrimas, escondendo o rosto no ombro dele.

Quando chegaram à cozinha, Edgar colocou Laura sentada cuidadosamente sobre a ilha.

Depois apoiou as duas mãos uma de cada lado do corpo dela, prendendo-a ali entre os braços.

Luna já corria animada atrás da pipoqueira sem perceber nada.

Edgar então aproximou lentamente os lábios do ouvido da esposa.

A voz saiu baixa.

Rouca.

Provocadora.

— Se a Luna não estivesse aqui… — murmurou olhando fixamente pra ela — eu lambuzava você inteira de brigadeiro…

O olhar dele desceu lentamente pela boca dela.

— …e fazia você esquecer esse choro do jeito que eu sei. Te chupando toda.

Laura arregalou os olhos imediatamente, ficando vermelha na mesma hora.

Edgar sorriu satisfeito com a reação.

E Luna apareceu carregando a panela de pipoca naquele exato instante.

— Mamãe tá vermelha igual tomate! — anunciou inocentemente.

Edgar soltou uma risada baixa.

Laura pegou um pano de prato e jogou nele.

— Culpa do seu pai sem vergonha!

A madrugada mergulhava a cobertura em silêncio. Só a luz baixa do abajur iluminava o quarto dos bebês, criando sombras suaves nas paredes enquanto o som delicado da respiração dos gêmeos preenchia o ambiente.

Ísis estava sentada na poltrona de amamentação, usando um robe leve. Zaya mamava tranquilamente em seu colo, os dedinhos minúsculos fechados contra o tecido da roupa dela.

Mas Ísis chorava em silêncio. As lágrimas escorriam devagar pelo rosto cansado enquanto ela acariciava os cabelinhos da filha com a ponta dos dedos.

O peito apertava cada vez que lembrava de Olívia. Da última conversa. Do desespero escondido nos olhos da amiga.

A porta do quarto abriu devagar. Alex entrou em silêncio, já sem o paletó, com a camisa social parcialmente aberta no peito e os cabelos levemente bagunçados pela madrugada longa demais.

Os olhos dele encontraram a esposa imediatamente. E o coração apertou. Sem dizer nada, caminhou até ela devagar.

Parou atrás da poltrona e pousou as mãos nos ombros dela com delicadeza.

— Ei, minha preta… — murmurou baixo, inclinando-se para beijar os cabelos dela. — Não faz isso com você…

Ísis fechou os olhos no instante em que ouviu a voz dele. O choro aumentou.

— Eu devia ter insistido mais… — sussurrou com culpa. — Eu sabia que tinha alguma coisa errada.

Alex permaneceu em silêncio, ouvindo. Ela fungou, apertando Zaia mais contra o peito.

— Eu fui na casa dela porque senti que ela estava estranha… conversei… tentei fazer ela falar…

A voz falhou.

— Mas a Olívia já estava tão longe emocionalmente… tão fechada…

Alex desceu as mãos lentamente pelos braços dela num carinho calmo.

— Preta…

— Você mesmo falou que naquele momento ela precisava de pessoas próximas. — continuou, chorando. — E eu tentei. Mesmo com os pontos da cesárea ardendo… mesmo cansada… eu fui até lá porque ela era minha amiga.

Olhou para a filha mamando.

— Eu não queria esse fim pra ela… nem pra Meredith…

A frase saiu quebrada.

— A Meredith era tão pequenininha, Alex…

Ele fechou os olhos por um segundo. A culpa atravessou o peito dele com violência. Porque Ísis sofria por alguém que ele sabia estar viva.

Mas ele também sabia que revelar aquilo agora destruiria toda a investigação… e colocaria Olívia e Meredith e sua família em risco outra vez.

Então engoliu a própria dor. E se ajoelhou ao lado da poltrona. Com cuidado, segurou o rosto da esposa entre as mãos.

Se inclinou e beijou demoradamente o ombro dela.

— Minha preta inteligente… linda… maravilhosa… gostosa…

Ísis revirou os olhos ainda chorando.

— Alex…

— O quê? — perguntou inocente. — Estou usando técnicas terapêuticas avançadas.

Ela acabou rindo de novo, abafando o rosto no ombro dele. Alex a abraçou com cuidado, protegendo também Zaya entre os dois.

E ficou ali. Segurando a esposa. Em silêncio. Enquanto escondia dentro do próprio peito o peso brutal de saber uma verdade que ninguém mais podia conhecer.

A mansão de Liam parecia irreconhecível naquela tarde. O silêncio não era paz. Era luto. Pesado. Frio. Sufocante.

Quando a porta principal se abriu, o mordomo permaneceu imóvel, abaixando discretamente a cabeça ao perceber o estado do patrão.

Vânia depois do mordomo, foi a primeira a vê-lo. Mais atrás, duas faxineiras pararam o que faziam no mesmo instante. Ninguém teve coragem de dizer nada.

Liam entrou vestindo um terno preto. A gravata estava frouxa, os primeiros botões da camisa abertos, e os olhos vermelhos pareciam completamente vazios.

Mas era o que ele carregava nos braços que destruía qualquer um ali.

As urnas.

Vânia levou a mão à boca na mesma hora, os olhos se enchendo de lágrimas. O mordomo desviou o rosto discretamente. Uma das funcionárias começou a chorar baixinho.

Liam caminhou devagar pelo hall principal, passando pela escada sem sequer olhar para cima. Não tinha forças para subir. Não tinha forças para entrar no quarto que dividia com Olívia.

Então virou diretamente para o escritório. O lugar onde tantas vezes ele e Olívia trabalharam juntos. Entre relatórios espalhados pela mesa, reuniões ignoradas no meio do caminho, mãos bobas por baixo do blazer dela, provocações baixas ao pé do ouvido… e beijos que quase sempre terminavam numa rodada intensa de amor sobre a mesa.

A lembrança atravessou Liam de forma brutal.

Cada canto daquela mansão carregava memórias dela. Do perfume suave impregnado nos lençóis… às risadas ecoando pelos corredores… aos gemidos abafados que pertenciam só aos dois. Tudo ali ainda era Olívia.

As lembranças atravessaram o peito dele como uma violência silenciosa. Os passos vacilaram por um segundo. Só um. Depois continuou andando.

Entrou no escritório sem acender a luz principal. Apenas a claridade cinzenta do fim de tarde atravessava parcialmente as janelas.

Caminhou até a mesa. E colocou as urnas ali com um cuidado absurdo. Como se ainda pudesse machucá-las. Os dedos permaneceram sobre elas por longos segundos. Imóveis. A respiração dele começou a falhar devagar. Então ouviu passos atrás de si.

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