Olívia manteve os olhos nos dele por um instante, sentindo o peito acelerar de novo, como se o corpo reconhecesse uma ameaça doce ou um perigo que talvez valesse a pena correr.
Então, disse com um sorriso leve, quase brincando, apesar dos nervos trêmulos por dentro.
— Digamos que… eu sou uma princesa diferente.
Ele a observava analisando cada palavra que ela dizia.
Olívia ergueu o garfo com o bolo.
— E eu amo bolo com recheio de nozes. Quer? — ofereceu, tentando parecer relaxada, mesmo sentindo a pele arrepiar com a intensidade do olhar dele.
Ele desviou o olhar para a fatia de bolo apenas por um instante… mas não parecia realmente interessado nela. Quando voltou a encará-la, seus olhos pararam nos lábios de Olívia, demorando alguns segundos além do que seria considerado casual.
— Não gosto de nozes — disse, com uma calma quase provocativa. — Prefiro outros tipos de doce.
Não se apressou em completar a frase, apenas manteve o olhar firme nos lábios dela por mais um instante, como se deliberadamente deixasse espaço para que ela entendesse o que ele queria dizer.
Olívia sentiu o rosto aquecer. Abaixou o olhar para o prato, tentando parecer distraída, mas sabia perfeitamente que aquilo não era sobre bolo. Mordeu o lábio inferior sem querer e foi um erro, porque isso apenas atraiu ainda mais a atenção dele.
Ele se moveu então, arrastando discretamente a cadeira e sentou-se com naturalidade, pernas afastadas, postura relaxada… como se estivesse exatamente onde queria estar.
— Você parece alguém que gosta muito de bolo de nozes — comentou, sem desviar o olhar.
Ela o encarou por um segundo, tentando manter a compostura.
— É um dos meus favoritos… — disse com um leve sorriso, tentando soar casual. — Tem gosto de… família.
Ele inclinou a cabeça levemente, como se aquela palavra tivesse significado mais do que o esperado.
— Família? — repetiu devagar. O olhar se aprofundou, curioso. — Por que família?
Olívia mordeu de leve o lábio antes de responder, quase envergonhada da própria sensibilidade, mas mesmo assim falou.
— Porque… nos momentos mais importantes, sempre tem bolo. — disse com um pequeno sorriso nostálgico. — Aniversário, Natal, casamento, conquista… quando a gente está comemorando algo que importa… geralmente estamos juntos de quem amamos. E, na minha família, isso sempre termina com alguém rindo, alguém chorando… e bolo de nozes na mesa.
Ela a observou atentamente.
Ela desviou o olhar por um breve segundo, mas continuou.
— Então eu acho que… quando como esse bolo, sinto como se um pedacinho disso estivesse comigo. Da minha família. Da sensação de pertencimento… e do tipo de vida que eu quero construir.
Silêncio.
Não desconfortável, mas respeitoso.
O olhar dele suavizou por um instante, como se algo naquela resposta tivesse atingido um ponto que ele não esperava.
— Faz sentido — disse, enfim, em um tom mais baixo, quase reflexivo. — Os melhores momentos da vida costumam ter duas coisas: celebração… — ele tocou de leve o tampo da mesa com os dedos — …e gente que importa.
Seus olhos voltaram aos de Olívia, e havia ali algo entre compreensão e encantamento silencioso.
— E me parece que você teve muitos momentos assim — completou, com leveza. — E ainda vai ter… quando construir a sua própria família.
Olívia piscou devagar, sentindo o coração bater um pouco mais forte. Não sabia por quê.
O silêncio que veio entre os dois não era desconfortável. Era denso, como se o ar ao redor da mesa tivesse ficado mais quente.
— Você sempre observa as pessoas com esse tipo de atenção? — ela perguntou, numa tentativa — falha — de desviar o foco.
Os olhos dele brilharam com um tipo de interesse tranquilo.
— Só quando alguém… realmente chama minha atenção — respondeu, sem pressa. — E você chamou desde o instante em que entrou.
Algo tremeu dentro do peito dela, como se o coração tivesse dado um passo em falso.
— Então era você quem eu sentia me observando? — perguntou num tom leve, tentando manter a naturalidade.
Ele não hesitou, tampouco fingiu surpresa.
— Desde que cruzei aquela porta — confirmou, como quem menciona algo inevitável.
Ela buscou alguma estabilidade mordendo mais um pedaço do bolo. Precisava manter as mãos ocupadas. O modo como ele falava era inquietante: não elogiava de forma barata, não usava excesso, e ainda assim, cada palavra caía como se já tivesse peso antes mesmo de ser dita.
— E… por quê? — insistiu, sem fugir do olhar dele.
Ele deixou o olhar descer por um breve instante, como se analisasse não só a pergunta… mas também quem a fazia. Depois voltou os olhos para os dela, com firmeza.
— Porque toda vez que você atravessava o salão… eu tinha a sensação de que, a qualquer segundo, alguém ia te levar embora da minha vista. — falou com naturalidade, mas com uma firmeza quase possessiva. — E eu não costumo deixar escapar o que prende meu olhar de um jeito… raro.
Olívia piscou, sentindo a nuca arrepiar lentamente.
Não era sobre chamar atenção como mulher bonita. Ela percebeu isso de imediato. Parecia mais sobre presença. Sobre algo que ele tinha visto nela e que, de alguma forma, parecia não querer perder, mesmo sem saber seu nome.
Algo naquela intensidade a deixou sem saber se queria fugir… ou ficar por mais tempo.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Segredos De Uma Noite Meu Marido Por Contrato (Olivia)
Postem os novos capítulos, já faz duas semanas que não postam nada , ou será que o livro vai ficar incompleto...
por favor postem os outros capítulos, já tem alguns dias e não postam nada...
Volta a liberar 3 por dia...
Nao postam mais como antes 3 por dia ai comprar nao da....
E vai postar o restante quando, não tem capítulo diário, não tem semanal, será agora mensal. Afff viu...
514 libera mais.........
Podia liberar td livro....
Eu fiquei 15 dias pensei noss vai ter um mont2 de páginas pea mim devorar tinha somente 5 páginas. Desumano com quem tem ansiedade kkkkk...
Ansiosa pelo capítulo 530 , será que vai ser postado hoje , pq semana passada foi postado no domingo...
Super ansiosa estou no capitulo 512. So ue estão demorando muito pra soltar novos...