(Flashback – Quatro anos atrás)
Era uma noite abafada de verão quando Olívia entrou naquele salão. O lugar era um casarão histórico restaurado, com lustres enormes pendendo do teto e luzes âmbar refletindo em taças de cristal. A música eletrônica misturada com toques de jazz criava um clima sofisticado e quase hipnótico.
A máscara negra rendada realçava seus olhos claros. Vestia um vestido longo, acinturado, de seda azul-escuro, com fenda lateral que balançava conforme caminhava. Cabelos soltos, batom vermelho… e um coração cheio de expectativas — não por amor, mas pela sensação de estar vivendo algo diferente.
Camila, sua suposta melhor amiga, girou com uma taça na mão, empolgada.
— Essa festa está um arraso! — disse, gritando por causa da música. — Cheio de homem rico, gostoso, poderoso… quem sabe seu príncipe encantado está aqui, hein?
Olívia riu, sem acreditar muito nisso.
— Eu não vim procurar príncipe nenhum, Camila.
— Ah, Olívia… — Camila deu um empurrãozinho de leve no ombro dela — Vê se larga esse romantismo Disney e beija alguém só pra liberar endorfina!
Olívia fingiu ignorar, mas sentiu um leve desconforto quando Camila desapareceu rapidamente no meio da multidão… já flertando com um desconhecido.
Victor, seu irmão, apareceu logo depois, com expressão alerta.
— Só avisando — disse ele, entregando discretamente uma taça de suco para ela — Eu estou de olho. Isso aqui é cheio de cara que acha que mulher é brinde da noite.
Ela sorriu levemente, tocada pelo cuidado.
— Victor, você sabe que eu sei me cuidar. Para de ser ciumento e me deixa curtir a noite.
— Eu sei — ele respondeu — Mas também sei como você confia demais nas pessoas. E vive achando que vai encontrar seu príncipe encantado em algum lugar desse mundo. — deu um beijo rápido na testa dela — Se alguém passar do limite, eu quebro a cara.
Ela bufou rindo.
— Tá bom, herói.
Victor se afastou de novo, e ela ficou sozinha por alguns minutos, caminhando entre os grupos. Alguns homens tentaram puxar conversa, outros a convidaram para dançar. Ela recusou educadamente, já havia dançado bastante, mas sempre com a sensação estranha de estar sendo observada, como se existisse um olhar fixo nela, mesmo quando as costas estavam viradas.
A sensação a fez desviar para o mezanino. Subiu alguns degraus, sentindo o tecido do vestido deslizar pelo corpo. Parou no alto, curiosa. A pista vista dali era um redemoinho de gente, luz e desejo.
E foi aí que aconteceu.
Ao iniciar a descida, o salto escorregou levemente no degrau e ela acabou virando o pé. O corpo perdeu o equilíbrio.
Por um segundo, ela sentiu o ar escapar, antes que mãos firmes segurassem sua cintura com força suficiente para impedir a queda.
Olhos nos olhos.
O tempo parou.
Era um homem com máscara preta simples, elegante, do tipo que não tenta se destacar, mas domina tudo ao redor. O olhar dele era firme, intenso… e tinha algo diferente. Algo que atravessava.
— Você se machucou? — perguntou com voz grave, baixa, como se estivesse falando só para ela, mesmo em meio à música alta.
Olívia sentiu o coração disparar.
— N-não — respondeu, nervosa, lançando um olhar rápido para o pé. — Acho que foi só o salto… ele quebrou.
Ele soltou a cintura devagar, como se tivesse certeza de que ela estava firme. O olhar dele percorreu discretamente o rosto dela… e parou nos lábios antes de voltar aos olhos.
— Tome cuidado — disse com naturalidade, mas sem esconder o interesse no olhar. — Uma mulher deslumbrante como você não deveria se machucar. Seria um desperdício.


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