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Segredos De Uma Noite: Meu Marido Por Contrato romance Capítulo 55

Ísis a escutava com atenção absoluta, sentindo que, a cada palavra, descobria algo novo sobre a amiga

— Esse beijo te marcou, hein? — comentou, com um sorriso suave, sem julgamento, apenas percebendo.

Olívia sorriu de leve — um sorriso contido que carregava nostalgia, mas não dor.

— Por um tempo… sim — confirmou com sinceridade. — Guardei a máscara e o vestido como se fossem parte de um segredo meu. Eu olhava pra eles e lembrava daquela noite. Não era sobre o rosto dele… era sobre o jeito.

Ela parou por um segundo, inspirou fundo, como quem toca uma lembrança sentida demais.

— A forma como me olhou, sabendo exatamente o que queria… A firmeza. A dança sob as estrelas, só nós dois… sem barulho, sem interferência. Foi intenso. Diferente. Meio insano.

Ísis cruzou os braços, inclinando-se levemente para a frente, como se estivesse assistindo a um filme narrado ao vivo.

— Você está me contando isso e eu quase consigo ver a cena — disse devagar. — Então… imagino o quanto você carregou esse beijo.

Olívia assentiu com um leve movimento de cabeça.

— Carreguei. Porque foi algo que me tirou do eixo… me fez sentir algo que eu ainda não tinha sentido. Foi como se ele soubesse exatamente onde tocar pra me desestabilizar.

Ísis franziu de leve a testa, intrigada, mas ainda com o rosto gentil.

— Mas por que ele não voltou? Por que vocês não perguntaram o nome um do outro? Não trocaram número? Nada?

Olívia hesitou, olhando para baixo como se revisse a si mesma aos vinte anos.

— Acho que eu estava em choque com tudo e simplesmente acreditei que ele voltaria. Esperei um bom tempo… mas ele nunca apareceu. E então eu entendi uma coisa: alguns homens surgem como faísca e desaparecem como fumaça… mas deixam incêndio aqui dentro.

Ela tocou o próprio peito com a ponta dos dedos, quase de forma instintiva.

Ísis ficou em silêncio por alguns segundos, absorvendo a frase.

— E o Liam? — perguntou por fim, com um meio sorriso curioso. — Faísca ou incêndio?

Olívia soltou uma risada curta, mas genuína.

— Liam entrou na minha vida como um raio. Surgiu tão rápido… que não me deu escolha de pensar se eu queria ou não me envolver… simplesmente aconteceu.

Ísis ficou alguns instantes refletindo, tentando entender onde os dois homens se encaixavam na história interna de Olívia.

— Então você foi embora sem saber nome, cidade, profissão… nada? — reforçou, ainda surpresa.

— Nada — confirmou. — Foi como se ele tivesse entrado e saído da minha vida na mesma velocidade. Marcou… e sumiu. Como se estivesse destinado a ser só uma memória.

Ísis apoiou o queixo na mão, pensativa.

— Talvez vocês até tenham se esbarrado depois, mas não se reconheceram. Afinal, estavam mascarados.

— Talvez — disse Olívia, dando de ombros. — Por um bom tempo eu esperei que ele aparecesse. Depois… só aceitei que algumas pessoas aparecem para viver uma página com a gente, não um capítulo inteiro.

O silêncio que se instalou depois disso não pesou — foi o tipo de pausa em que cada uma processa no próprio tempo.

Então, Ísis sorriu de leve.

— Agora entendo por que você nunca se livrou dessa máscara — comentou com carinho. — Ela não é só uma fantasia… é uma lembrança. Como um marcador guardando o ponto exato de uma história que você viveu — mesmo que tenha durado pouco.

Olívia respirou devagar e concordou.

— Acho que guardei pra não esquecer que eu fui capaz de sentir assim. Mesmo que tenha durado pouco.

— Impossível. Aquele homem… era diferente. Tinha algo protetor, interessante, intenso de um jeito que parecia construído com calma. Já o Liam… é arrogante, frio, implacável, sem sentimentos. Eles têm essências completamente diferentes.

O que ela não sabia… era que Liam estava parado no corredor, encostado na parede ao lado da porta entreaberta, ouvindo tudo. Nenhuma palavra. Nenhuma reação imediata. Até que, ao final, seu maxilar se contraiu com força.

Então, saiu — com passos firmes, o rosto fechado e uma raiva silenciosa queimando por dentro.

No quarto, Olívia e Ísis seguiram sem perceber.

— Então… vai mesmo me emprestar a máscara? — perguntou Ísis, com um sorriso divertido. — Mesmo ela carregando uma história tão marcante?

Olívia soltou um leve riso, cruzando os braços.

— Vou sim. Essa história eu já fechei faz tempo. Depois disso eu vivi outras coisas, namorei três anos com o Peter… senti algo real por ele. A vida continuou.

Ísis assentiu, satisfeita.

— Beleza. Mas me promete uma coisa…

— O quê?

Ísis sorriu.

— Se esse homem misterioso reaparecer… você me conta. Porque essa história ainda tem cara de série com final inesperado.

Olívia balançou a cabeça, mas acabou rindo junto.

— Ele não vai aparecer, e agora nem faz mais sentido.

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