Olívia prendeu a respiração por um instante, porque… ele estava certo.
— Como sabe?
— Pelo jeito como olha a festa… e não as pessoas. — seu tom era seguro. — Você escuta, observa… mas não se j**a. Tem um tipo de romantismo escondido aí — disse, com os olhos nos dela — e isso te torna mais difícil… e mais interessante.
Ela desviou o olhar rapidamente, não porque estivesse com vergonha, mas porque sentiu que, se ficasse olhando por mais dois segundos, poderia confessar segredos que nem lembrava de ter.
Tentou recuperar o controle com leveza.
— E você? — ela devolveu, olhando novamente para ele. — Costuma observar mulheres numa festa inteira até que alguma tropece para ter uma desculpa de chegar perto?
Ele não respondeu de imediato. Aproximou-se um pouco mais, e a forma como sua mão apertou a cintura dela foi sutil… mas capaz de fazer a pele de Olívia se arrepiar.
— Eu nunca me autoavaliei por esse critério — disse por fim. — Mas sei o suficiente sobre mim para afirmar que, quando quero ficar… eu fico.
Ela riu de leve, com uma provocação sutil nos lábios.
— Você está querendo dizer, de forma educada, que é insistente?
Ele não desfez o contato visual. Apoiado naquela confiança silenciosa que não precisava se exibir para ser notada, respondeu sem pressa:
— Estou dizendo… que não costumo ignorar aquilo que me interessa.
Não houve exagero no tom. Mas houve verdade. E isso fez a temperatura entre eles mudar.
A música continuava, mas já não era só música. Era parte do diálogo.
Os passos ficaram menos ensaiados, mais guiados pelo corpo dele — firme, mas sem invadir o espaço dela. Cada vez que ele a conduzia, parecia testá-la, vendo até onde ela permitiria que ele chegasse. E cada vez que ela deixava, ele avançava um pouco mais… com elegância.
Quando a melodia se dissipou, ele não largou sua cintura imediatamente. Ficou ali, próximo o suficiente para que ela sentisse a respiração dele tocar sua pele. Observou-a em silêncio por alguns segundos, como se estivesse escolhendo cuidadosamente o que diria em seguida.
— Quantos beijos você recusou hoje? — perguntou sem ironia. Como se realmente quisesse saber… e já soubesse a resposta.
Ela sustentou o olhar, sem desviar.
— Se você realmente estava me observando… sabe que foram todos.
Ele assentiu levemente, como quem confirma algo que já esperava.
— E por quê? — continuou. — Não teve… vontade?
A pergunta bateu fundo. Não pelo conteúdo, mas pela forma como foi feita. Ele falava como alguém que não tinha pressa, mas que estava muito seguro de que conseguiria levá-la até onde queria… se ela deixasse.
Olívia respirou fundo.
— Eu vim aqui pra dançar. Não pra beijar alguém só por impulso — respondeu, tentando manter firmeza na voz. — Não gosto de beijos que não significam nada.
Ele ficou em silêncio por um instante… e então sorriu. Não de deboche. Mas como quem acabava de encontrar uma pista importante sobre ela.
E foi nesse sorriso que algo mudou.
Um instante depois, ela sentiu a mão dele subir lentamente pelas costas até a nuca. Firme, quente, decidida. Ele não a puxou de uma vez. Apenas deixou claro, através do toque, que estava pedindo passagem.
E ela não recuou.
Os lábios se encontraram com calma, mas só no começo. Porque quando ele sentiu que ela o acompanhava, o beijo ganhou intensidade. Deixou de ser descoberta e virou entrega. Ele a puxou mais pela cintura, aprofundando o beijo como quem domina o ritmo sem pressa, mas com certeza.
A respiração dela falhou. O corpo reagiu antes do pensamento. Era forte. Quente. Marcante. Como algo que ficaria gravado.

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