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Segredos De Uma Noite: Meu Marido Por Contrato romance Capítulo 54

Olívia prendeu a respiração por um instante, porque… ele estava certo.

— Como sabe?

— Pelo jeito como olha a festa… e não as pessoas. — seu tom era seguro. — Você escuta, observa… mas não se j**a. Tem um tipo de romantismo escondido aí — disse, com os olhos nos dela — e isso te torna mais difícil… e mais interessante.

Ela desviou o olhar rapidamente, não porque estivesse com vergonha, mas porque sentiu que, se ficasse olhando por mais dois segundos, poderia confessar segredos que nem lembrava de ter.

Tentou recuperar o controle com leveza.

— E você? — ela devolveu, olhando novamente para ele. — Costuma observar mulheres numa festa inteira até que alguma tropece para ter uma desculpa de chegar perto?

Ele não respondeu de imediato. Aproximou-se um pouco mais, e a forma como sua mão apertou a cintura dela foi sutil… mas capaz de fazer a pele de Olívia se arrepiar.

— Eu nunca me autoavaliei por esse critério — disse por fim. — Mas sei o suficiente sobre mim para afirmar que, quando quero ficar… eu fico.

Ela riu de leve, com uma provocação sutil nos lábios.

— Você está querendo dizer, de forma educada, que é insistente?

Ele não desfez o contato visual. Apoiado naquela confiança silenciosa que não precisava se exibir para ser notada, respondeu sem pressa:

— Estou dizendo… que não costumo ignorar aquilo que me interessa.

Não houve exagero no tom. Mas houve verdade. E isso fez a temperatura entre eles mudar.

A música continuava, mas já não era só música. Era parte do diálogo.

Os passos ficaram menos ensaiados, mais guiados pelo corpo dele — firme, mas sem invadir o espaço dela. Cada vez que ele a conduzia, parecia testá-la, vendo até onde ela permitiria que ele chegasse. E cada vez que ela deixava, ele avançava um pouco mais… com elegância.

Quando a melodia se dissipou, ele não largou sua cintura imediatamente. Ficou ali, próximo o suficiente para que ela sentisse a respiração dele tocar sua pele. Observou-a em silêncio por alguns segundos, como se estivesse escolhendo cuidadosamente o que diria em seguida.

— Quantos beijos você recusou hoje? — perguntou sem ironia. Como se realmente quisesse saber… e já soubesse a resposta.

Ela sustentou o olhar, sem desviar.

— Se você realmente estava me observando… sabe que foram todos.

Ele assentiu levemente, como quem confirma algo que já esperava.

— E por quê? — continuou. — Não teve… vontade?

A pergunta bateu fundo. Não pelo conteúdo, mas pela forma como foi feita. Ele falava como alguém que não tinha pressa, mas que estava muito seguro de que conseguiria levá-la até onde queria… se ela deixasse.

Olívia respirou fundo.

— Eu vim aqui pra dançar. Não pra beijar alguém só por impulso — respondeu, tentando manter firmeza na voz. — Não gosto de beijos que não significam nada.

Ele ficou em silêncio por um instante… e então sorriu. Não de deboche. Mas como quem acabava de encontrar uma pista importante sobre ela.

E foi nesse sorriso que algo mudou.

Um instante depois, ela sentiu a mão dele subir lentamente pelas costas até a nuca. Firme, quente, decidida. Ele não a puxou de uma vez. Apenas deixou claro, através do toque, que estava pedindo passagem.

E ela não recuou.

Os lábios se encontraram com calma, mas só no começo. Porque quando ele sentiu que ela o acompanhava, o beijo ganhou intensidade. Deixou de ser descoberta e virou entrega. Ele a puxou mais pela cintura, aprofundando o beijo como quem domina o ritmo sem pressa, mas com certeza.

A respiração dela falhou. O corpo reagiu antes do pensamento. Era forte. Quente. Marcante. Como algo que ficaria gravado.

Vibrou de novo.

E mais uma vez.

Até que ele parou, respirou fundo e tirou o aparelho, olhando a tela por um breve instante.

— Eu preciso retornar esta ligação. — disse, mantendo uma mão na cintura dela, um sinal de que ainda estava ali — É urgente.

Olhou para ela com algo que poderia ser um pedido silencioso.

— Não é seguro você ficar aqui, sozinha. — Ele estendeu a mão. — Vamos?

Ela deu sem pensar. Caminharam juntos até a mesa onde o prato com o resto do bolo ainda esperava. Antes de soltá-la, ele a fitou por um instante.

— Me espera aqui. — falou, firme. — Não vou demorar.

Ela assentiu, o coração acelerado demais para articular frases.

E saiu.

Por alguns segundos, Olívia ficou de pé, os dedos tocando os próprios lábios, como se pudesse manter ali o gosto do beijo. Sentou devagar. O jardim tinha voltado a ter barulho — o som da água na fonte, um riso perdido, copos que tilintavam —, mas parecia tudo muito longe.

Demorou a perceber que estava sorrindo sozinha.

No presente, a lembrança terminou exatamente ali. Olívia tocou a boca de leve, repetindo o gesto antigo, e soltou um riso curto, quase envergonhado, ao olhar para Ísis.

— Eu fiquei louca com aquele beijo — confessou, sem rodeios. — O homem da máscara beijava… muito. E o jeito que me segurou… — fez um gesto, como se desenhasse no ar a mão na cintura — firme, certo. Ele me respeitou quando eu falei da primeira vez. E… eu sei o que você vai dizer: que eu fui maluca de ficar sozinha com um desconhecido. Mas foi mais forte que eu. Como foi com o Liam — concluiu, sincera, sem se proteger.

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