Olívia assentiu devagar.
— Estou sim, doutor. Todos os dias. — respondeu, uma mão pousando instintivamente sobre o ventre. — A outra obstetra passou.
— Perfeito. Vou prescrever um remédio para os enjoos. Não vai sumir cem por cento, mas vai ajudar a aliviar. — disse. — E também vou orientar umas massagens de shiatsu para ajudar na digestão, nos enjôos e outras coisas mais. Liam, essa é sua tarefa. Aprender a fazer a massagem nela.
Dr. Luiz começou a escrever a receita.
Ele entregou o papel diretamente na mão de Liam.
O toque foi intencional.
— Cuide dela. — disse simples, sem floreios. — Trate sua esposa com carinho. Gravidez mexe com tudo, até com o humor.
Liam olhou para o papel e assentiu.
— Vou cuidar.
Olívia sentiu o ar do peito vacilar por um segundo.
Não porque acreditava. Mas porque doeu querer acreditar.
Dr. Luiz terminou de preencher o encaminhamento para os exames.
— Agora, uma última coisa — disse, olhando alternadamente para os dois. — Vocês conversaram com o bebê?
Olívia sorriu.
— Eu já faço isso sempre.
— Eu sei que conversa. — o médico retribuiu o sorriso. — As mães fazem sempre isso.
Depois, voltou-se para Liam.
— E você?
Liam manteve o silêncio por dois segundos longos.
— Não. — respondeu, sem se justificar.
— Pois comece. — disse o médico, firme. — O vínculo começa antes do nascimento. Se você não se fizer presente agora, seu filho pode criar apego apenas à mãe. E ela vai precisar muito de você no puerpério.
Olívia soltou um riso breve, desviando o olhar.
Liam apenas assentiu, guardando para si o que estava sentindo.
— Por hoje, terminamos. — disse o médico, voltando ao tom profissional. — Tenho um procedimento agora, mas vocês podem sair com calma. Olívia, retornaremos quando os exames ficarem prontos.
Ele pegou um cartão e entregou diretamente a ela.
— Qualquer coisa, pode me ligar.
— Obrigada, doutor. — respondeu Olívia, guardando o cartão na bolsa.
Dr. Luiz olhou para Liam, com familiaridade e respeito.
— Fico feliz em ver você aqui. Significa que você está enfrentando coisas que antes evitava.
Liam apenas assentiu.
— Cuidem-se. — disse apenas e saiu da sala, dando privacidade ao casal.
Olívia ajeitou o vestido devagar, sentindo a pele ainda arrepiada do toque de Liam.
Liam pegou o celular, vendo as notificações com a mesma frieza de sempre.
Olivia quebrou o silêncio.
— Viu só, mozão? — disse, com um sorriso doce demais para ser inocente. — Estamos de parabéns. Convencemos o doutor.
Liam ergueu o rosto devagar, encarando-a.
— Você é boa nisso.
— No quê?
— Fingir.
A respiração de Olívia ficou presa por um segundo, mas ela sorriu.
— E você não é diferente. Fingiu muito bem que é um marido preocupado e que se importa com meu filho.
Ele nem hesitou.
— Nosso filho, Olívia. Entendeu?


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