Duas horas depois da consulta, Olívia já estava na mansão. Tinha acabado de sair do banho. Prendeu o cabelo em um coque, deu um nó firme no cinto do roupão e respirou fundo. O cheiro de sabonete ainda dominava o quarto. Pegou o hidratante e o deixou sobre a mesa. Ia começar a passar nas pernas quando a porta se abriu sem aviso.
Liam entrou. Como sempre, sem bater.
— Será que vou ter que começar a trancar a porta pra você aprender a bater? — perguntou, sem se virar, mantendo o tom firme.
— Comprei seu remédio. — respondeu ele, direto, aproximando-se e entregando uma sacola. — E minha secretária já marcou seus exames.
Olívia pegou a sacola, tirou a caixa, abriu e pegou um comprimido. Depois, abriu a garrafa de água que estava sobre a mesa, despejou um pouco no copo e tomou o remédio de uma vez.
— Obrigada. Vamos ver se os enjôos melhoram um pouco. Quero voltar pra academia. — disse, enquanto fechava a tampa da garrafa. — Se era só isso, você já pode sair.
Liam não respondeu. Foi até o banheiro. O som da água na pia preencheu o quarto.
— Liam, eu preciso me trocar — avisou, sem paciência. — Se puder me dar licença e usar o banheiro do seu quarto, eu agradeço.
Dois minutos depois, Liam reapareceu. Enxugava as mãos na toalha, em passos lentos, como se nada o apressasse. Parou diante dela, pegou o hidratante da mesa e, sem pedir, segurou a mão de Olívia com firmeza.
Ela o observou, desconfiada.
— O que você pensa que vai fazer? — perguntou, o olhar atento a cada movimento dele.
Liam sentou-se na beira da cama, ainda segurando a mão dela, e a puxou levemente até que ficasse de frente para ele.
O gesto foi calculado, controlado — mas o ar entre os dois pareceu se contrair.
— Seguindo as orientações do doutor Luiz — disse, a voz baixa, sem pressa. — Criando vínculo com o meu filho.
Tentou desfazer o nó do roupão, mas Olívia interceptou suas mãos antes que conseguisse.
— Você não acha que está passando dos limites? — disse, firme, sustentando o olhar. — Tentando abrir meu roupão sem pedir? E se eu estiver sem lingerie?
Liam ergueu os olhos. O olhar frio, inabalável.
— Já ultrapassamos todos os limites, Olívia. Não seria nenhuma surpresa te ver nua.
Ela respirou fundo, sem recuar.
— Se eu pudesse voltar no tempo, isso nunca teria acontecido. — respondeu com calma, mas o tom tinha uma ponta de dor contida. — E pra deixar claro, o corpo é meu. Você não toca em mim quando eu estiver assim, sem minha autorização. Mesmo sendo o genitor.
Liam manteve o olhar fixo nela.
— Se fosse o seu príncipe encantado, ele poderia.
Olívia soltou um riso curto, quase sem humor.
— Sim, ele poderia. Se fosse meu namorado. — rebateu. — Afinal, ele era louco pelo meu corpo. E eu confiava nele. Diferente de você, que eu não confio. — cruzou os braços. — E que vive dizendo que eu tenho que melhorar muito pra te despertar algum interesse.
Liam respirou fundo, os ombros se moveram de leve. Um esforço visível para não perder o controle.
— Você adora tornar tudo mais difícil. Depois não reclama.
Olívia ergueu o queixo, desafiadora.
— Será que sou só eu, marido? — ironizou. — Estou aguardando você pedir.
Por um instante, ele apenas a observou — o olhar dele era firme, dominado, mas não havia frieza; havia cálculo.
— Posso, Olívia? — perguntou, finalmente.
Ela manteve o tom controlado, mas os dedos apertaram o cinto do roupão com força.
— Agora sim, com você sendo civilizado e não dando ordens. Pode.



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