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Segredos De Uma Noite Meu Marido Por Contrato (Olivia) romance Capítulo 60

Duas horas depois da consulta, Olívia já estava na mansão. Tinha acabado de sair do banho. Prendeu o cabelo em um coque, deu um nó firme no cinto do roupão e respirou fundo. O cheiro de sabonete ainda dominava o quarto. Pegou o hidratante e o deixou sobre a mesa. Ia começar a passar nas pernas quando a porta se abriu sem aviso.

Liam entrou. Como sempre, sem bater.

— Será que vou ter que começar a trancar a porta pra você aprender a bater? — perguntou, sem se virar, mantendo o tom firme.

— Comprei seu remédio. — respondeu ele, direto, aproximando-se e entregando uma sacola. — E minha secretária já marcou seus exames.

Olívia pegou a sacola, tirou a caixa, abriu e pegou um comprimido. Depois, abriu a garrafa de água que estava sobre a mesa, despejou um pouco no copo e tomou o remédio de uma vez.

— Obrigada. Vamos ver se os enjôos melhoram um pouco. Quero voltar pra academia. — disse, enquanto fechava a tampa da garrafa. — Se era só isso, você já pode sair.

Liam não respondeu. Foi até o banheiro. O som da água na pia preencheu o quarto.

— Liam, eu preciso me trocar — avisou, sem paciência. — Se puder me dar licença e usar o banheiro do seu quarto, eu agradeço.

Dois minutos depois, Liam reapareceu. Enxugava as mãos na toalha, em passos lentos, como se nada o apressasse. Parou diante dela, pegou o hidratante da mesa e, sem pedir, segurou a mão de Olívia com firmeza.

Ela o observou, desconfiada.

— O que você pensa que vai fazer? — perguntou, o olhar atento a cada movimento dele.

Liam sentou-se na beira da cama, ainda segurando a mão dela, e a puxou levemente até que ficasse de frente para ele.

O gesto foi calculado, controlado — mas o ar entre os dois pareceu se contrair.

— Seguindo as orientações do doutor Luiz — disse, a voz baixa, sem pressa. — Criando vínculo com o meu filho.

Tentou desfazer o nó do roupão, mas Olívia interceptou suas mãos antes que conseguisse.

— Você não acha que está passando dos limites? — disse, firme, sustentando o olhar. — Tentando abrir meu roupão sem pedir? E se eu estiver sem lingerie?

Liam ergueu os olhos. O olhar frio, inabalável.

— Já ultrapassamos todos os limites, Olívia. Não seria nenhuma surpresa te ver nua.

Ela respirou fundo, sem recuar.

— Se eu pudesse voltar no tempo, isso nunca teria acontecido. — respondeu com calma, mas o tom tinha uma ponta de dor contida. — E pra deixar claro, o corpo é meu. Você não toca em mim quando eu estiver assim, sem minha autorização. Mesmo sendo o genitor.

Liam manteve o olhar fixo nela.

— Se fosse o seu príncipe encantado, ele poderia.

Olívia soltou um riso curto, quase sem humor.

— Sim, ele poderia. Se fosse meu namorado. — rebateu. — Afinal, ele era louco pelo meu corpo. E eu confiava nele. Diferente de você, que eu não confio. — cruzou os braços. — E que vive dizendo que eu tenho que melhorar muito pra te despertar algum interesse.

Liam respirou fundo, os ombros se moveram de leve. Um esforço visível para não perder o controle.

— Você adora tornar tudo mais difícil. Depois não reclama.

Olívia ergueu o queixo, desafiadora.

— Será que sou só eu, marido? — ironizou. — Estou aguardando você pedir.

Por um instante, ele apenas a observou — o olhar dele era firme, dominado, mas não havia frieza; havia cálculo.

— Posso, Olívia? — perguntou, finalmente.

Ela manteve o tom controlado, mas os dedos apertaram o cinto do roupão com força.

— Agora sim, com você sendo civilizado e não dando ordens. Pode.

— Senhora Olívia, o senhor Liam já te aguarda no carro. Vim pegar sua mala.

— Já vou descer, Thomas. Obrigada.

Entregou a mala e pegou sua bolsa, junto com a outra que levava as lembranças.

No pátio, o motorista abriu a porta para Olívia, enquanto Thomas colocava a mala no porta-malas com a eficiência de sempre. Liam já estava no banco da frente, observando a movimentação pelo retrovisor.

Ela entrou no carro em silêncio, acomodando a bolsa no colo. Assim que a porta se fechou, o motor ronronou e o veículo começou a se mover pela alameda ladeada de árvores.

O silêncio se instalou, preenchendo o espaço como uma terceira presença. Apenas o som dos pneus tocando o asfalto quebrava o ar tenso.

Liam foi o primeiro a romper a quietude.

— Você sabe o que tem que fazer. — disse sem olhar para ela, a voz firme, controlada. — Com meu avô, é preciso muito cuidado. Ele não se deixa enganar.

Olívia manteve o olhar na janela, vendo a paisagem correr do lado de fora.

— Como você mesmo disse… eu finjo bem. — respondeu, num tom calmo, mas carregado de ironia.

Ele desviou os olhos por um segundo, avaliando-a em silêncio.

— Vamos dormir no meu quarto. — anunciou. — Tem um sofá grande. Você fica com a cama.

— Graças a Deus. — retrucou ela, sem disfarçar o alívio. — Seria desconfortável dividir a cama com você.

Liam virou o rosto na direção dela, o maxilar firme, os olhos frios. Não disse nada. Apenas voltou a encarar a estrada à frente.

O restante do caminho foi um silêncio denso, quase palpável — o tipo de silêncio em que nenhuma palavra seria capaz de disfarçar o que realmente estava acontecendo entre eles.

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