Liam a observava em silêncio, analisando cada palavra com aquele olhar atento e indecifrável.
— Meu Deus, você e o Liam realmente se combinam. — comentou Olga, com sinceridade. — Pegou responsabilidade desde muito nova e, ainda assim, fala do que faz com paixão. Isso é raro hoje em dia. — fez uma pausa, sorrindo com ternura. — A maioria das jovens da sua idade só pensa em aproveitar a vida, mas você… você construiu a sua com propósito. Seus pais estão de parabéns, minha querida. Souberam educar você muito bem.
Olívia manteve o sorriso sereno, as mãos delicadamente pousadas sobre a mesa. Sabia que cada olhar, cada gesto, estava sendo avaliado. Quando Olga fez um comentário, ela aproveitou o momento para sustentar o papel com graça.
— Obrigada, vovó. — disse, com a voz suave, emocionada pelo carinho. Depois, voltou o olhar para Liam, fixamente. — Temos muitas coisas em comum. Não vou dizer que nosso relacionamento é sempre feito de flores, mas existe algo... — fez uma breve pausa, buscando a palavra certa — um magnetismo que sempre nos atrai. Desde que o conheci, é impossível imaginar uma vida sem ele.
Frederico observava em silêncio. O olhar do patriarca analisava, pesava, dissecava cada gesto do casal, como se tentasse enxergar além das palavras.
Liam sem desviar o olhar dela, estendeu a mão e tocou-lhe o rosto com delicadeza. O gesto pareceu tão espontâneo que ninguém ousaria duvidar da veracidade dele. O polegar deslizou levemente pela pele dela.
— Entende agora, vovô, por que mudei de ideia? — disse, num tom calmo, porém carregado de intenção. — Eu estava muito bem sozinho... mas depois que ela apareceu, não consigo mais respirar sem ela. É o meu vício diário.
E, antes que ela pudesse reagir, ele se inclinou e depositou um selinho breve em seus lábios.
O gesto foi rápido, contido, mas cheio de significado. As palavras e o toque pareceram tão autênticos que até Olívia se perdeu por um instante. Não sabia se havia algo real nas entrelinhas daquela voz grave, carregada de uma emoção que ele nunca deixou escapar.
O coração acelerou, e a razão vacilou. Por um segundo, ela esqueceu que tudo aquilo era parte de uma farsa, e foi isso que mais a desconcertou.
O ambiente ficou suspenso em um breve silêncio, até que Frederico retomou o controle da conversa com a autoridade habitual.
— Por isso fiz aquela mudança em seu quarto. — disse, rompendo o ar tenso com naturalidade. — Queria que fosse um lugar acolhedor para vocês.
Liam e Olívia quase se moveram ao mesmo tempo, como quem desperta de um sonho. O encanto — ou a tensão — se quebrou. Ela piscou, recompôs o sorriso; ele ajeitou o corpo na cadeira, voltando à máscara habitual de controle.
Foi Olívia quem respondeu primeiro, com elegância e um toque de ironia sutil.
— Ficou maravilhoso. — disse, serena. — E, de certa forma, o senhor nem imagina como essa mudança foi… oportuna.
Frederico inclinou levemente a cabeça, curioso.
— Oportuna?
Olívia respirou fundo.
— Sim. — respondeu, com serenidade. — Porque agora temos um motivo a mais para torná-lo ainda mais especial.
As conversas cessaram. As taças pararam no ar. Olga ergueu os olhos, surpresa.
— O que quer dizer, querida?
Olívia olhou para Liam por um instante. Ele não disse nada, mas o leve aceno que fez foi o bastante para que ela seguisse.
Ela pousou o guardanapo sobre a mesa e se levantou, sentindo o coração acelerar.
— Eu trouxe algo pra vocês. Me aguardem só um instante. — disse, e caminhou em direção à sala de estar.
O som dos saltos ecoava no piso de mármore, preenchendo o ambiente silencioso. Quando voltou, trazia nas mãos duas pequenas caixas brancas, amarradas com fitas douradas.
Ela colocou uma diante de Olga e outra diante de Frederico, o sorriso contido, o olhar levemente marejado.
— Espero que gostem.
Olga, curiosa, desfez o laço com delicadeza. Ao abrir a caixa, encontrou um pequeno body branco com letras bordadas em dourado.
“Bisa, prepara o colinho, pois estou a caminho.”
Frederico abriu a dele. O tecido branco trazia a mensagem.
“Biso, quando eu aprender a falar, quero dizer que te amo.”
O silêncio que se seguiu foi absoluto. Olga levou as mãos à boca, e as lágrimas vieram antes mesmo das palavras.
— Não acredito! — exclamou, a voz embargada. — Vocês vão ter um bebê?
Olívia assentiu, o sorriso se abrindo entre lágrimas.


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