O ambiente congelou por um instante. Todos voltaram o olhar para a entrada da sala.
Uma linda mulher surgiu com a confiança de quem dominava cada espaço que pisava. Os cabelos ruivos caíam soltos sobre os ombros, o vestido preto marcava a silhueta elegante, e o sorriso carregava uma mistura perigosa de charme e desafio. Os olhos, iguais aos de Liam, brilhavam com aquele tipo de insolência que nem mesmo o tempo ou a distância pareciam domar.
Por um segundo, ninguém disse nada, até que Liam abriu um largo sorriso.
Mas não era um sorriso comum. Era o tipo de sorriso que desarmava. Sincero, leve, o mais real que Olívia já tinha visto nele.
E esse detalhe, tão simples, foi o suficiente para fazer o coração dela apertar. Porque até aquele momento, Liam nunca havia sorrido assim. Não por ela. Não daquele jeito.
— Minha Princesa!
Ele se levantou, o som discreto da cadeira arrastando-se pelo mármore. Deu alguns passos firmes até ela e, diante de todos, a puxou para um abraço apertado. Um abraço que tinha saudade, proteção e amor. A mulher sorriu contra o ombro dele, fechando os olhos por um instante, como se estivesse anos sem se verem.
Olívia sentiu o estômago revirar. A tal “Princesa” estava alí, diante de seus olhos abraçada a Liam arrancando dele um sorriso que nem nos momentos de farsa ele ousou ter.
Quando ele se afastou, segurou o rosto dela entre as mãos e depositou um beijo demorado em sua testa.
— Já estava me preparando para ir te buscar, Laura. — disse, ainda sorrindo, um brilho raro nos olhos.
Ela revirou os olhos, mas não conteve o riso.
— Voltei. — respondeu, com ironia leve. — Eu tinha escolha?
Frederico sorriu de leve, Olga levou a mão ao peito, emocionada, Érica prendeu o ar antes de soltar um suspiro quase aliviado e Felipe olhava tudo em silêncio.
— Minha filha! — exclamou Érica, levantando-se apressada. — Que bom que você voltou!
Por dias, Olívia carregou aquela dúvida em silêncio, achando que “a princesa” era outra mulher. Agora, a verdade estava ali, diante dela. A princesa era Laura Holt. A irmã dele.
Laura soltou do abraço, o sorriso desaparecendo.
— Oi, mãe. — disse, seca. E, em seguida, completou com um tom mais frio. — Achei que você preferia quando eu estava longe.
A tensão ficou palpável. Felipe ajeitou o guardanapo, evitando o olhar da filha. Olga interveio, como sempre, tentando salvar o clima.
— Laura, meu amor! — disse, abrindo os braços. — Que alegria ter você de volta, vovó estava com muita saudade.
Laura sorriu e foi até ela.
— Vó, benção! — exclamou, abraçando-a com carinho. — Estava morrendo de saudade da senhora, principalmente dos seus doces.
— E do seu avô? — perguntou Frederico, com o tom divertido.
— Ah, do senhor também. — respondeu, rindo e o abraçando também. — A benção, vô. Sabe que eu te amo, né meu veinho cheiroso?
— Se me amasse não ficaria tanto tempo longe. Deus te abençoe, minha menina. — disse ele, orgulhoso.
— Desde quando o todo-poderoso Frederico Holt ficou dramático?”
Frederico e Olga caíram na risada.
Assim que Laura se libertou dos braços do avô, voltou-se para Olívia.
— Então é você! — disse, abrindo um sorriso travesso. — Finalmente estou te conhecendo, cunhadinha. Me dá um abraço aqui! Liam falou muito de você.
Olívia, surpresa, levantou-se. Não teve tempo de pensar. Laura já a envolveu num abraço apertado, caloroso e verdadeiro.
— Temos muito o que conversar. — disse ela, animada. — Mulher, você conseguiu o impossível! Fez o Liam casar!
Olívia riu, tentando disfarçar o nervosismo.
— Nem eu sei como consegui isso. — respondeu, divertida.
— Cunhada, você deve ser uma santa. — retrucou Laura, divertida. — Porque ele é insuportável.
— Se eu for diferente, você só apronta. — rebateu Liam, com um meio sorriso, voltando para o lugar ao lado de Olívia.
— Admito. — respondeu Laura, rindo. — Mas alguém precisava manter essa casa interessante.
Laura caminhou até os avós novamente, deu outro beijo em Olga e passou a mão carinhosamente no ombro de Frederico.
— Você demorou, mas chegou na melhor hora. — disse Olga com carinho.
Laura sorriu.


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