O som dos passos de Liam e Olívia ecoava pelo corredor elegante da mansão Holt.
Ela caminhava ao lado dele, em silêncio, o coração ainda acelerado pela conversa anterior. O clima entre eles era tenso, e a cada passo, a atmosfera mudava de um desconforto privado para uma encenação pública.
Quando chegaram à sala de jantar, as vozes cessaram. Frederico sentado à cabeceira, levantou os olhos com calma. O olhar dele, perspicaz e firme, parecia atravessar qualquer máscara. Ao lado, Olga exibia um sorriso doce, sempre tentando manter a leveza que faltava nos outros. Felipe e Érica conversavam em voz baixa, mas se calaram assim que o casal entrou.
— Finalmente. — disse Frederico, com a voz grave. — Já estávamos prestes a servir.
Liam assentiu, mantendo o controle absoluto no olhar.
— Peço desculpas, vovô. — disse, num tom impecavelmente calmo. — Estava mostrando o quarto para Olívia.
— E então? — perguntou. — Aprovou as melhorias?
Liam sustentou o olhar dele por um instante antes de responder.
— E, por que não estaria. — disse, firme. —
— Que bom. — retrucou o patriarca, com um leve sorriso. — Às vezes, mudanças são necessárias… principalmente quando há algo a ser testado.
A frase pairou no ar, pesada, velada. Olívia percebeu o duplo sentido, mas manteve o sorriso educado.
— Abriu mais espaço, já temos idéias para aquele local vovô Frederico. — respondeu, a voz doce e firme. — Por isso demoramos para descer. Me empolguei um pouquinho.
— Que bom, minha querida. — disse ele, simpático. — Fiz questão de cuidar disso pessoalmente.
Olga sorriu, animada.
— Ah, mas sentem-se, por favor. Vamos jantar antes que esfrie.
Liam afastou a cadeira para Olívia.
— Senta aqui, mozão. — disse, num tom calmo, quase provocante.
Por um segundo, Olívia ficou sem reação. A palavra ecoou na mente dela com um impacto inesperado.
“Mozão.”
Ela usou esse apelido para sustentar a farsa e provocar Liam. Era a maneira dela de testar seus limites, de expor o desconforto dele com gestos de afeto falsos.
Por um segundo, Olívia ficou sem reação.
Não sabia se ele fazia aquilo por ironia, provocação ou puro controle da situação.
De qualquer forma, tinha funcionado.
Ela piscou, recompôs o sorriso e respondeu com a voz doce e firme — o tom perfeito da esposa encantada que todos esperavam ver.
— Claro, Mozão.
Liam sustentou o olhar dela por um breve instante, como se saboreasse o efeito das próprias palavras. Depois sentou ao lado dela, a postura impecável, o rosto sereno demais para ser natural. Mas havia algo nos olhos dele. Um brilho sutil, quase imperceptível, que deixava claro que ele sabia exatamente o que estava fazendo.
E Olívia, por mais que tentasse disfarçar, sentiu o coração acelerar.
O jantar começou com um silêncio educado, quebrado apenas pelo som dos talheres.
O cheiro do vinho tinto e das ervas preenchia o ambiente.
— Olívia, querida, você está se acostumando com seu novo lar? — perguntou Olga, com ternura.
— Estou, sim, vovó. — respondeu ela. — Ainda me perco de vez em quando, mas nada melhor que o tempo.
— Isso é bom de ouvir. — comentou a senhora, satisfeita. — É importante que o lar seja um lugar de conforto. Liam tem um carinho muito especial por aquela mansão. Se você está lá, é porque verdadeiramente ele te ama.
Olivia olhou para Liam. Eles se olhavam intensamente sem dizer uma palavra
Felipe, que até então permanecia em silêncio, resolveu intervir.
— Conforto é importante — comentou, sem levantar o olhar do prato —, mas disciplina também é.
Liam desviou o olhar para ele, mantendo o semblante sereno.

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