Minutos depois, Liam entrou. Parou na porta, em silêncio. Ela dormia de lado, o corpo desenhado pela camisola. Por um instante, ele só observou. Algo em sua expressão suavizou.
Foi até o closet, pegou um edredom e voltou. Fez um leve carinho na barriga dela, e Olívia se mexeu, sonolenta. Ele a cobriu com cuidado, deu um beijo na cabeça dela e foi tomar banho.
Ao sair, vestindo apenas uma calça de moletom, pegou mais dois edredom, forrou o chão, colocou dois travesseiros, apagou a luz, deitou e se cobriu.
Em minutos, o quarto mergulhou no silêncio.
No meio da madrugada, Olívia acordou.
Acendeu o abajur e viu Liam dormindo no chão. Levantou-se, vestiu o robe e saiu em silêncio, fechando a porta com cuidado.
A cozinha estava mergulhada na penumbra.
— Meu Deus… meu primeiro desejo de grávida e vou demorar horas pra achar alguma coisa aqui. — resmungou, abrindo armários e gavetas, completamente perdida naquela cozinha enorme.
Abriu o freezer e sorriu.
— Sorvete! — exclamou baixinho. — Não é o que a mamãe faz, mas serve.
Pegou uma taça, serviu uma porção generosa e sentou-se no banco da ilha, saboreando o sorvete com prazer. O sabor gelado contrastava com o calor suave da cozinha, iluminada apenas pelas luzes embutidas sob os armários. Por alguns minutos, o silêncio da madrugada pareceu um refúgio.
Até que ela ouviu passos firmes se aproximando.
— Está sem sono? — a voz grave de Liam soou atrás dela, fazendo-a estremecer.
Olívia virou-se rápido, e o sorvete que estava na colher respingou no robe… e nos seios.
— Ai! — murmurou, olhando o desastre com um suspiro frustrado.
Liam se aproximou devagar, parando diante da ilha. Apoiou as mãos no mármore frio, a voz baixa e controlada.
— Desculpa. Não quis te assustar.
Ela respirou fundo, tentando disfarçar o nervosismo.
— Não me assustou… — respondeu, sem jeito. — Eu que sou desastrada às vezes.
Foi até o balcão, pegou papel toalha e começou a limpar o robe, os movimentos apressados e atrapalhados. A camisola grudava na pele, o cheiro doce do sorvete se misturava ao perfume dela.
Liam desviou o olhar, mas a tensão o traía. A mandíbula travada, o ar rarefeito. Foi até a geladeira, pegou uma garrafa de suco e um copo, e sentou-se de frente para ela, tentando disfarçar o incômodo.
Por alguns segundos, ficou apenas observando. O som do papel amassado, o robe ainda manchado, o reflexo dourado da luz sobre a pele dela. Havia algo hipnótico naquele caos silencioso, uma intimidade perigosa.
Olívia notou o olhar e sentiu o corpo inteiro reagir. Voltou a sentar-se e tomar o sorvete, tentando parecer natural.
— Vai ficar me observando? — perguntou, a voz leve, mas o coração disparado.
Ele ergueu o olhar, impassível.
— Só estou tentando entender se isso não vai te fazer mal.
Ela ergueu uma sobrancelha com um sorriso divertido.
— Sorvete? — perguntou. — Não é o que minha mãe faz, mas estou com muita vontade. Só faltou umas rodelinhas de quiabo.
Liam a encarou, confuso.
— O quê?
Ela riu, divertida com a expressão dele.
— É… desejo. Sorvete com quiabo. Mas calma, você não vai ver essa cena nojenta. — deu de ombros. — Estou com preguiça de cozinhar e nem sei se tem quiabo aqui. — olhou para ele. — Pega um copo pra mim, por favor? Quero um pouco desse suco.
Liam se levantou e pegou o copo. Aproximou-se por trás dela, o perfume do cabelo dela o atingindo de imediato. Fechou os olhos por um instante, respirando fundo, lutando contra o impulso de se aproximar ainda mais. Quando os abriu, Olívia estava se virando. Os olhares se encontraram, intensos e indecifráveis.
Ele pousou o copo na ilha, o timbre grave quase um sussurro.
— Aqui.
— Obrigada. — respondeu ela, tentando disfarçar o nervosismo.
Ele serviu o suco. As mãos de Olívia tremiam levemente — nervosas, quase traidoras — e, quando tentou beber, o líquido escapou, caindo na blusa dele e escorrendo pela calça.
— Ai, meu Deus! — exclamou, aflita. — Desculpa, Liam! Eu juro que não foi por querer!
Liam olhou para baixo, avaliando o estrago. Sem dizer nada, tirou a blusa, revelando o abdômen firme e definido.

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