O silêncio entre eles ainda pairava no ar quando subiram as escadas. Nenhum dos dois disse uma palavra. A casa repousava em completa quietude, e cada movimento parecia pesado demais, como se até o ar entre eles tivesse medo de quebrar.
Liam abriu a porta do quarto e esperou que ela entrasse primeiro. O ar entre eles estava denso, pesado — o tipo de silêncio que carregava tudo o que eles ainda não conseguiam dizer.
Olívia caminhou até o centro do quarto e se virou para ele. O coração ainda batia descompassado, mas o olhar estava firme.
— Liam, eu já sei exatamente o que você vai dizer. — começou, antes mesmo que ele abrisse a boca. — Mas quero deixar uma coisa muito clara.
Ele a observava em silêncio, as mãos nos bolsos, o olhar firme, mas diferente — havia algo ali, contido, prestes a romper. Como se ele finalmente tivesse decidido dizer o que vinha guardando há tempo demais.
— O beijo na cozinha... — continuou ela, respirando fundo. — Não significou nada pra mim. Foi um momento de vulnerabilidade, só isso. Eu estava confusa, com os hormônios da gravidez, mexida pela descoberta sobre a sua mãe, e por um segundo... — a voz dela vacilou, mas ela se recompôs. — Por um segundo, eu me deixei levar.
Liam manteve-se em silêncio, o semblante impassível, mas o maxilar contraído denunciava o incômodo.
— O lado bom é que sua irmã viu. — completou, com um sorriso breve e amargo. — Pelo menos ela nunca vai desconfiar que nosso casamento é uma farsa. Tenho quase certeza de que ela não sabe do contrato... então, tudo o que aconteceu lá embaixo só serviu pra reforçar a ilusão de que somos um casal de verdade. Um casal que se ama, que se deseja. — fez uma pausa curta, o olhar preso nele. — Parabéns, Liam. Você está conseguindo exatamente o que queria.
Ela deu um passo à frente, encarando-o com firmeza.
— Todos acreditam na farsa. Estamos de parabéns!
Liam a observava em silêncio. O olhar dele tinha algo de enigmático — impenetrável, sólido, mas com algo por trás que ela não conseguia decifrar.
— Terminou? — perguntou, por fim, a voz baixa, mas carregada de tensão.
Olívia cruzou os braços, sustentando o olhar dele.
— Pode ficar tranquilo. — disse, firme. — Não estou nutrindo sentimento nenhum por você. A gravidez me deixou sensível, acabei confundindo as coisas, mas agora eu sei exatamente quem você é.
Ela respirou fundo.
— Você não é homem pra casar, Liam. E eu mereço o melhor.
O silêncio que se seguiu foi ensurdecedor. Liam manteve a expressão gelada, mas por dentro algo o atravessava. Ele abriu a boca, pronto para responder, mas ela não deu tempo.
— Fica tranquilo. — disse, forçando um sorriso. — Eu vou ser a esposa perfeita que você exigiu desde o início. Acho que desde que cheguei aqui você já percebeu isso. Então, daqui a menos de um ano essa farsa...
Ela parou de repente. Levou a mão à boca, pálida.
— Olivia? — perguntou ele, dando um passo à frente.
Mas ela já estava correndo para o banheiro.
O som de engasgos ecoou, e Liam não hesitou. Entrou logo atrás dela e a encontrou apoiada na pia, vomitando. Sem pensar, prendeu o cabelo dela com uma das mãos e segurou sua cintura com a outra, dando sustentação ao corpo trêmulo.

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