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Segredos De Uma Noite: Meu Marido Por Contrato romance Capítulo 73

Olívia sorriu de leve, tentando disfarçar o cansaço que ainda a envolvia como uma névoa.

— Estou melhor agora, vovó Olga. Acho que exagerei... tive vontade de tomar sorvete com quiabo na madrugada. — comentou, entre uma risada curta. — Como não tinha quiabo, fiquei só com o sorvete. Acho que foi isso.

Frederico ergueu o olhar do celular, o semblante austero suavizado por um lampejo de divertimento.

— Até nisso você se parece com Meredith. — disse com um meio sorriso nostálgico. — Sua sogra também tinha desejos estranhos quando estava grávida. Que Deus a tenha.

Olga assentiu, o olhar distante por um breve instante.

— É verdade. — completou, num tom suave. — Ela passou os nove meses com enjoo e azia. A água de gengibre ajudava um pouco. Preparei pra você, minha querida.

Olívia sentiu o coração se aquecer com aquele cuidado simples, familiar.

— Obrigada, vovó Olga. Vou tomar, mesmo já estando melhor. O remédio que o doutor Luiz passou fez efeito. — respondeu com doçura, tocando a mão da avó postiça por um segundo.

Frederico observava em silêncio, mas o tom de voz veio firme, carregado de zelo disfarçado de autoridade.

— Você precisa se alimentar direito, minha jovem. — disse, gesticulando levemente para a mesa. — Você e meu bisneto precisam estar fortes.

Olívia sorriu e puxou uma cadeira, acomodando-se à mesa. Pegou um pedaço de mamão e começou a comer devagar.

O ambiente permanecia sereno, até que a voz alegre de Laura preencheu o ar.

— Bom dia, família linda! — exclamou, abrindo os braços como se quisesse abraçar o mundo. — Cunhadinha, o dia está perfeito pra uma piscina! Topa?

Olívia riu, surpresa com o entusiasmo contagiante da cunhada.

— Como você consegue ter tanta energia sem dormir quase nada? — perguntou, divertida, tentando acompanhar aquele ritmo impossível. — Eu fico insuportável se não dormir pelo menos oito horas.

Frederico ergueu uma sobrancelha, o olhar curioso.

— Você a viu chegar, Olívia? Você passou a madrugada toda na rua, Laura? — perguntou, em tom repreensivo.

Laura soltou uma risada breve, apoiando-se no encosto da cadeira com elegância descontraída.

— Ela viu, sim, vovô. — disse, com aquele tom provocante que lhe era natural. — A cunhadinha estava na cozinha se deliciando com um sorvete. E, diga-se de passagem, um sorvete excelente. — Ergueu uma sobrancelha, divertida. — Cadê o avô liberal de ontem, senhor Frederico?

Olívia corou, sentindo o rosto aquecer de imediato.

— Grávida é assim mesmo. — comentou Olga, rindo com ternura. — Tem desejos estranhos nas madrugadas.

— Ó, se tem! — respondeu Laura, piscando para Olívia. — Então, cunhadinha, vamos pra piscina?

Frederico pigarreou, ajeitando os óculos, o olhar ainda fixo em Laura.

— Estamos de olho em você, minha jovem. — advertiu, meio sério, embora um leve traço de humor marcasse sua voz.

Laura apoiou uma das mãos na mesa com um sorriso contido surgindo nos lábios.

— Sem neura, vovô. — disse com leveza. — Já deixei os dezoito anos para trás há bastante tempo… pode ficar tranquilo. Além disso, o Liam já cumpre muito bem o papel de me vigiar.

Olívia riu, tentando escapar da proposta antes que Laura insistisse.

— Não trouxe biquíni. — respondeu, em tom descontraído. — Fica pra outro dia.

Laura inclinou a cabeça, analisando-a com aquele olhar astuto de quem raramente aceita um “não” como resposta.

— Isso não é desculpa, dona Olívia. — afirmou, cruzando os braços, com um sorriso afiado. — Tenho uma coleção inteira, novinha, com etiqueta. Você vai escolher um. E aviso que não aceito recusas.

Olga balançou a cabeça, observando a troca entre as duas com ternura.

— Vai lá, minha querida. — disse, com voz suave. — Um pouco de sol vai te fazer bem. Eu mando servir o café na piscina.

Olívia hesitou por um instante, mas o olhar confiante de Laura tinha algo de magnético, quase desarmador.

— Tudo bem. — respondeu, rendendo-se com um sorriso pequeno. — Você é impossível, Laura.

Olívia pegou a peça com cuidado, ainda sorrindo.

— Você devia dar palestras sobre manipular Holt’s.

— Talvez eu devesse. — respondeu Laura, rindo. — Afinal, cresci cercada deles.

Poucos minutos depois, as duas estavam à beira da piscina. O sol tocava a superfície da água, refletindo brilhos dourados nas bordas. O ambiente exalava calmaria, um raro momento de leveza naquela casa de silêncios e segredos.

Enquanto isso, na sala de estar, Frederico falava ao telefone, recostado confortavelmente na poltrona. Tinha acabado de voltar do jardim.

— Liam — disse em tom tranquilo. — A Olívia acordou.

Do outro lado da linha, a voz do neto soou firme, controlada, sem emoção aparente.

— Como ela está? — perguntou, direto.

Frederico soltou um breve suspiro, um sorriso quase imperceptível curvando os lábios.

— Ainda parece um pouco abatida — respondeu, pausando de propósito. — Mal conseguiu comer um pedaço de mamão.

Houve um silêncio curto do outro lado.

— Já estou a caminho — disse apenas, encerrando a ligação.

Frederico sorriu, balançando a cabeça, e murmurou baixinho, com um olhar pensativo voltado para o jardim:

— Você está confiante demais, Liam… Precisa ver como outros homens a desejam e sentir o medo de perdê-la. Antes de eu partir, quero ver a sua mudança… quero vê-lo curado do seu trauma.

Na piscina, Laura falava com naturalidade, o tom sereno, mas espirituoso, enquanto mexia distraída na borda da taça de suco. Olívia começava a relaxar, deixando o riso fluir entre as histórias cheias de humor e inteligência da cunhada.

— Me diz uma coisa, Olívia. — começou Laura, com um olhar curioso, mas sem malícia. — O Liam é bom de cama, não é?

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