Olívia quase engasgou com o suco.
— Laura! — protestou, entre risadas e o rosto corando de leve.
A outra apenas arqueou uma sobrancelha, mal disfarçando a provocação.
— Ah, fala sério! — insistiu, divertida. — Com essa sua carinha de mulher contida, aposto que é um furacão quando se solta. E essa tatuagem ousada, então? Tenho certeza de que meu irmão ficou louco por ela. Até nisso vocês combinam. Liam deve ser um safado romântico.
Olívia riu, nervosa, balançando a cabeça.
— Seu irmão foi o primeiro homem da minha vida. — confessou num tom baixo, quase envergonhado. — Então, não tenho muita experiência. Ainda estou… aprendendo.
Laura apoiou os braços na mesa, observando-a com um brilho curioso no olhar.
— O primeiro… e, pelo visto, o único que conseguiu te bagunçar de verdade. — comentou, serena. — Meu irmão sempre teve o mundo aos pés, Olívia. Teve todas as mulheres que quis, mas só uma conseguiu deixá-lo sem defesa. Você.
Olívia desviou o olhar para a superfície azul da piscina, um sorriso leve escapando-lhe dos lábios.
— Não sou tudo isso, cunhada.
— É sim. — afirmou Laura, convicta. — Ele podia ter deixado você ir, como fez com tantas outras. Mas não. Casou com você. Isso, pra um homem como o Liam, diz tudo.
Olívia ficou em silêncio por alguns segundos, o olhar perdido no reflexo da água.
— Seu irmão é um baú trancado a sete chaves. — murmurou, tentando disfarçar o peso da frase com um sorriso breve.
Laura inclinou a cabeça, apoiando o queixo na mão, o olhar firme, porém acolhedor.
— E, se me permite, você é a única pessoa com todas as chaves. Só precisa descobrir como usá-las. — sorriu, com a voz mais terna. — Cunhada, você conseguiu o impossível. Tem noção disso? Prendeu o Holt mais indomável de todos. E olha, não foi só com esse rostinho lindo, nem com o corpo. — fez uma pausa, mais séria. — Ele te ama, Olívia. Só é orgulhoso demais. Confiante demais.
Olívia sorriu, sem responder. Mas antes que pudesse mudar de assunto, Laura completou, num tom quase melancólico.
— Nem todas têm a sorte que você tem.
Olívia a observou, curiosa, sem entender completamente o que havia por trás daquela confissão.
— Por que diz isso? — perguntou, com delicadeza.
Laura respirou fundo, desviando o olhar.
— Deixa pra lá. — respondeu rápido, levantando-se. — Vem, vamos pra água.
As duas deixaram as taças de lado e mergulharam na piscina, rindo como adolescentes. A água fresca contrastava com o calor suave da manhã. Por alguns minutos, o riso delas preencheu o ar, leve, despreocupado.
— Vamos tirar uma foto! — sugeriu Laura, empolgada.
— Boa ideia. — respondeu Olívia, ajeitando o cabelo.
Laura saiu da piscina, pegando a toalha.
— Cunhada, vou buscar meu celular lá dentro. — anunciou, rindo.
— Tira com o meu, se quiser. — ofereceu Olívia.
— Pode ser, mas deixa eu buscar meu vício. — brincou, piscando o olho.
E saiu, secando-se com a toalha, os passos ainda molhados ecoando pelo mármore.
Liam chegou à mansão pouco depois, os passos firmes rompendo o silêncio calmo da manhã.
Frederico o observava pela janela, com um leve sorriso curvando os lábios.
— Vamos ver qual será a reação dele. — murmurou para si, sereno. — Talvez, enfim, descubra que amar é desarmar-se.
Liam entrou na mansão em silêncio. O terno escuro contrastava com a luz suave da manhã que atravessava as cortinas, desenhando contornos claros pelo chão de mármore. Caminhou até o hall principal e começou a subir os primeiros degraus da escada, a expressão tensa, os pensamentos ainda presos à noite anterior.
— A Olívia está na piscina. — disse Olga, antes que ele avançasse mais. A voz dela soou calma, mas firme. — Laura a convenceu a tomar um pouco de sol.


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