Uma lágrima solitária escorreu pelo rosto de Laura. Ela a enxugou rapidamente e riu, tentando disfarçar.
— Essa é a melhor parte desse filme, sabia? — disse, com a voz trêmula.
O tempo passou entre risos e confidências. Quando o relógio marcou o início da noite, as duas desceram para o jantar.
A mesa estava posta com a elegância habitual. Pratos dispostos com precisão, talheres alinhados e o aroma de ervas e carne assada preenchendo o ar.
Olívia sentou-se ao lado de Olga, enquanto Laura ocupava o lugar à frente. Frederico, com a postura impecável, olhou o relógio e depois para ela.
— Cadê o seu marido, minha jovem? — perguntou, com o tom calmo demais para ser inocente.
Olívia congelou por um instante. A pergunta pareceu ecoar dentro dela. O que dizer?
Sentiu o peso dos olhares de Érica e Felipe, atentos, esperando uma brecha.
Laura, percebendo o desconforto, interveio antes que o silêncio se tornasse constrangedor.
— Vovô, o senhor sabe muito bem como é o Liam. — disse, com um sorriso leve. — E o que aconteceu mais cedo. — fez um gesto com a mão. — Passamos a tarde toda na sala de cinema. O celular da cunhadinha nem tocou uma vez. Aposto que ele está por aí, com o Alex, bebendo pra recuperar a dignidade. Afinal, o homem de ferro perdeu o controle por causa de uma mulher.
O comentário arrancou alguns olhares surpresos. Olívia pousou a taça com cuidado. Por dentro, o coração acelerava; por fora, o rosto era pura serenidade.
Frederico observou-a com atenção. Um brilho malicioso surgiu em seus olhos, e um canto de seus lábios se curvou num sorriso provocativo
Érica, porém, não perdeu a chance.
— Nossa… — comentou, com a voz impregnada de veneno. — Não tem nem dois meses de casamento e já houve brigas?
Laura respondeu antes que Olívia pudesse reagir.
— Nem todos fingem ser o casal perfeito, não é, mamãe?
O olhar de Érica fulminou a filha, e Olga interveio, suspirando fundo, tentando manter a calma.
— Laura, minha filha, tenta se controlar. Vamos ter uma refeição como uma família normal. — olhou para o marido. — E você, Frederico, nem comece.
Frederico fingiu desinteresse, girando o garfo no prato, embora o sorriso ainda brincasse em seus lábios.
Olívia respirou fundo, tentando encerrar o assunto antes que o jantar virasse um campo de batalha.
— Com certeza ele deve estar em alguma reunião. — disse, forçando um sorriso polido. — O fuso horário de alguns países é diferente do nosso, vovô Frederico.
Felipe, que até então observava em silêncio, decidiu comentar, num tom que soava tanto como justificativa quanto provocação.
— Já te falei, Olívia… o Liam é imprevisível. — disse, dando um gole no vinho. — Nunca dá pra saber o que ele vai fazer.
Frederico apenas a observou, sem dizer nada. Mas o olhar dele — perspicaz, provocativo — dizia mais do que qualquer palavra.
Enquanto isso, no último andar de um hotel luxuoso, Liam estava sentado na poltrona de couro, o terno pendurado sobre o sofá. Diante dele, uma mulher de vestido curto e sorriso ensaiado observava o copo de uísque nas mãos dele.
O ambiente exalava perfume caro, mas o ar estava pesado.
— Nossa, bebê… — disse a acompanhante, rindo nervosa. — Você deve estar muito tenso com alguma coisa, porque eu juro que tentei de tudo e o seu “amigão” não quer ganhar vida hoje.
Liam levantou o olhar devagar, e o silêncio dele foi o bastante para fazê-la engolir em seco.
Passou uma mão pelos cabelos, impaciente, e se levantou. Foi até o bar, serviu-se de mais uísque e tomou um gole longo. O gelo tilintou no copo.

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