Olívia rolou a tela. Milhares de curtidas e comentários pipocavam na publicação.
Corações vermelhos, emojis de casal, elogios.
“Casal lindo demais!”
“Vocês nasceram um pro outro!”
“Ah, que foto perfeita! Dá pra sentir o amor só de olhar”
“Finalmente um homem que sabe valorizar a esposa”
“Metas de relacionamento!”
Mas, entre as mensagens carinhosas, algumas chamaram mais atenção. E cada uma parecia cutucar uma ferida aberta.
“Liam, você tá cada dia mais gato”
“Que homem, meu Deus! Essa mulher tem sorte demais”
“Se um dia cansar, me chama no direct”
“Um desses e eu nunca mais reclamava da vida”
“Alguém me apresenta esse marido perfeito, por favor?”
Olívia sentiu o estômago revirar. Ela respirou fundo, o maxilar travado.
— Vamos entrar em cena então. — murmurou. — Quer teatro, Liam? Vamos dar show.
Abriu o campo de comentários e digitou.
“Não tem lugar melhor pra estar do que em seus braços, Mozão. Me sinto tão segura, tão protegida. Amo dormir assim, todas as noites, com você fazendo cafuné. Isso virou um vício. Sou tão sortuda por ter você na minha vida. Te amo, marido.”
O coração dela batia acelerado, como se tivesse acabado de cometer um crime. Mas não parou por aí. Foi até o seu perfil, editou a biografia e adicionou um emoji de anel seguido de “@liamholt”.
Depois, escolheu uma foto do casamento.
Ficou alguns segundos olhando para a tela.
A intenção era provocá-lo, fazê-lo sentir o que ela sentia. Mas, no fundo, as palavras que digitava não eram só vingança. Eram verdades que ela jamais teria coragem de dizer em voz alta.
“É incrível como, de repente, chega alguém e muda tudo. Sem querer, sem pedir licença, você entrou no meu coração como quem já tinha morada ali. Você foi o ponto de virada da minha história. Aquele que veio do nada, mas se tornou tudo. É a pessoa que estou destinada a passar o resto da minha vida. Somos o encontro de almas. Eu te amo, meu amor.”
Quando publicou, o peito doeu. Porque, embora quisesse feri-lo, cada palavra também a feria. Era a confissão mais sincera que já havia feito, disfarçada de provocação.
Em segundos, as notificações começaram a pipocar. Olívia rolou a tela. Milhares de curtidas e comentários inundavam a publicação. O feed brilhava com corações vermelhos, emojis de amor e frases que pareciam tiradas de um conto de fadas.
“Meu Deus, que casal perfeito!”
“Amor de novela! ”
“Que lindos, vocês nasceram um pro outro!”
“Olívia, você realizou seu grande sonho! Parabéns, minha linda!”
“Felicidades ao casal mais maravilhoso desse I*******m!”
“Sabia que o destino guardava algo grandioso pra você. O atual é muito melhor que o ex, um verdadeiro livramento!”
“Finalmente você encontrou alguém à sua altura, amiga! Que homem!”
“Agora sim, um amor de verdade!”
“Que inveja boa! Um marido lindo, rico e apaixonado. Tá vivendo o conto de fadas, hein?”
“Liam Holt é simplesmente o homem dos sonhos! Se sobrar um irmão, me apresenta”
Olívia sentiu o peito apertar. As palavras piscavam na tela como pequenas facas.
Cada elogio, cada “casal perfeito”, soava como ironia. Ninguém imaginava que, por trás da foto, existia uma mulher presa num casamento que não escolheu. A perfeição daquela imagem era a prisão mais bonita que ela já viu.
Ela riu sem humor, balançando a cabeça.
— Amor de novela… — murmurou, amarga. — Pena que ninguém avisa que, nos bastidores, o roteiro é um pesadelo.
Bloqueou o celular, jogando-o no colo, e ficou ali por um tempo olhando o nada. O céu já começava a perder o brilho das estrelas, e o cansaço pesava. Pegou o celular novamente, colocou uma série qualquer, só para abafar o silêncio, mas nada prendia sua atenção.
Quase quarenta minutos se passaram. Um clarão do lado de fora chamou sua atenção.
Olívia se endireitou na poltrona e virou o rosto para a janela. Lá fora, o portão eletrônico da mansão se abria lentamente, os faróis de um carro iluminando o jardim.
Seu coração acelerou sem querer. Ela observou o veículo estacionar, o motorista sair e abrir a porta traseira. Liam desceu, a postura cambaleante.



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