A sala de reuniões da Trident Marine mantinha sua habitual imponência: paredes envidraçadas com vista panorâmica da cidade, mesa longa de madeira escura, cadeiras de couro perfeitamente alinhadas. O ar-condicionado soprava uma brisa constante, gelada, exatamente como Liam gostava.
À sua direita, Alex digitava no notebook; à frente, um dos diretores explicava com entusiasmo um gráfico de projeção trimestral. Os demais observavam atentamente, fazendo anotações, imersos na própria rotina corporativa.
Tudo fluía como sempre.
Até que o celular dele vibrou outra vez.
Liam estendeu a mão sem desviar os olhos da tela do projetor, apertou o botão lateral e a tela de bloqueio acendeu.
Notificações se acumulavam:
W******p • 800 mensagens de…
Empresa A.L - Segue as fotos para esco…
Bárbara - Moreno, o que está acontecendo…
MÃE DO MEU FILHO - Foto
O coração dele… travou.
Por um instante, não respirou.
Desbloqueou o aparelho com um movimento automático, mas a mente ficou em suspensão — atordoada.
Ele estava preparado para qualquer coisa.
Uma cobrança. Uma provocação. Um áudio irritado. Até um ataque de ciúmes.
Qualquer pessoa. Qualquer mensagem.
Menos dela. E então ele tocou na conversa.
Liam abriu a foto… E o mundo desabou alguns centímetros sob seus pés.
A imagem ocupou toda a tela. Olívia, na lingerie preta, sensual ao ponto de ser crime, o corpo desenhado pela renda, a tatuagem sinuosa aparecendo na medida exata… mas foi o olhar dela que o destruiu.
Um olhar que dizia mil coisas.
Raiva.
Provocação.
Segurança.
E algo que queimou no fundo dele como fogo:
poder.
Por um segundo eterno, Liam esqueceu onde estava.
Esqueceu o nome.
A empresa.
A reunião.
O planeta.
Apenas viu aquela foto.
O sangue desceu do rosto… depois subiu de volta em um calor explosivo. A respiração falhou. Os músculos tensos do maxilar se contraíram com força. A mão segurando o celular tremeu discretamente, mas tremeu.
E, pior de tudo: o amigão ganhou vida instantaneamente.
A cadeira pareceu ficar menor. O ar, mais denso. O terno, sufocante.
— Liam? — disse Alex, baixinho, estreitando levemente os olhos, tentando entender. — Aconteceu alguma coisa?
O diretor que apresentava o gráfico interrompeu a fala, olhando de relance. Os outros trocaram olhares discretos. A tensão mudou de eixo na sala.
Liam não respondeu.
Não piscou.
Não se moveu.
Até erguer lentamente o olhar do celular… e lançar um “cuidado” mortal para o próprio chão, como se estivesse tentando se recompor.
Mas não conseguiu. A foto havia atravessado todas as suas defesas.
Alex tentou novamente.
— Liam…?
Ele finalmente piscou, como se voltasse ao corpo que havia abandonado por alguns segundos.
Fechou a foto. Bloqueou o celular. Respirou fundo uma vez. Uma única vez. E levantou da cadeira com um movimento tão brusco que ela deslizou alguns centímetros para trás.
Os diretores se entreolharam, tensos.
Liam ergueu a mão, cortando o ar. Não para pedir, mas para ordenar.
— Parem. — disse, a voz baixa, cortante. — Ninguém continua sem mim.
Não era uma solicitação. Era um decreto.
— Eu volto em cinco minutos.
Ele não esperou reação, aceno, confirmação, nada. Já estava caminhando para fora da sala, passos firmes demais para quem costumava ser inabalável… e, naquela hora, estava ainda mais perigoso do que o normal.
Assim que entrou em sua sala, fechou a porta com força suficiente para fazer a madeira vibrar. A respiração ficou presa na garganta. Um aviso claro de que ele já tinha sentido aquilo antes, quando perdeu o controle por causa dela na mansão.
E agora o mesmo incêndio subia pelo peito.
Caminhou até a mesa, apoiou as duas mãos nela e inclinou o corpo, tentando conter o próprio corpo, a própria mente. Tentando impedir que aquela versão dele voltasse à tona.
Mas era impossível manter sanidade quando se tinha uma foto dela assim no celular.
Ele desbloqueou o aparelho outra vez. Abriu a imagem.
E, dessa vez, o palavrão que escapou foi baixo, rouco, quase animal. O som de um homem que já havia ultrapassado esse limite uma vez… e estava perigosamente perto de ultrapassá-lo de novo.
O corpo inteiro reagiu.


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