Frederico, quieto até então, ergueu os olhos dos talheres e observou o neto. Depois, sem pressa, olhou para Bárbara. Por último, pousou o olhar em Olívia.
Laura, indignada demais para manter qualquer filtro, inclinou-se um pouco para frente. A luz quente da sala refletiu no olhar dela, agora firme, afiado.
— Por que a Olívia não estava com você nessa viagem? — perguntou Laura, séria. — E por que, exatamente, você voltou no jatinho com a Bárbara?
Liam ergueu o olhar devagar, encontrando o da irmã. Por um segundo, um único segundo, a frieza dele cedeu.
— Negócios, Princesa. — disse ele, com um meio sorriso breve, o tipo de sorriso que só a Laura conseguia arrancar dele, mesmo nos piores momentos. — Nada além disso.
— Negócios. — ela repetiu, seca. — Claro. Tudo sempre muito profissional.
Ela não queria brigar com Liam. Queria que ele enxergasse o que estava fazendo com a Olívia. Bárbara sorriu, bebendo um gole de vinho.
— Foi uma viagem tranquila. — acrescentou, como se ajudasse. — Apesar do seu irmão ser péssima companhia quando está irritado.
Frederico se recostou na cadeira, entrelaçando os dedos sobre a mesa.
Olga tocou de leve o braço dele. Os dedos dela apertaram a manga do paletó com cuidado, como quem tenta puxar alguém de volta para o chão antes que ele vá longe demais.
— Frederico, por favor… — pediu em voz baixa, olhar firme, porém suplicante. — Não agora.
Mas era tarde.
A chama já tinha sido acesa.
Bárbara, fingindo não perceber o incômodo alheio, olhou para Olívia.
— E o bebê, querida? — perguntou, sorridente demais. — Está bem? Já começou o pré-natal? Tem que cuidar muito bem desse pequeno.
Olívia ergueu os olhos e a encarou com suavidade firme.
— Eu cuido muito bem do meu filho. — respondeu, o sorriso aparecendo aos poucos. — Aliás… eu e o mozão estamos cuidando muito bem do nosso pacotinho de amor.
Frederico interveio, desta vez com clareza.
— Olívia será uma mãe excepcional. — afirmou. — Já está cuidando muito bem do herdeiro Holt.
Pausou. E então lançou o golpe.
— Pena que você nunca terá esse privilégio.
Bárbara repousou o garfo, encarando-o de frente.
Érica colocou a mão novamente na perna dela, um aviso silencioso para não responder.
Mas Bárbara respondeu.
— Pra isso existe barriga de aluguel, senhor Frederico. — disse, doce e venenosa. — A qualquer momento eu posso ser mãe.
Frederico sustentou o olhar.
— Você pode ser o que quiser. — falou, lentamente. — Mas o herdeiro Holt… esse só pode vir da Olívia.
Silêncio.
Pesado.
Olga fechou os olhos por um segundo.
— Família querida… — disse, quase suplicando — vamos manter a paz à mesa. A refeição é uma hora sagrada.
Érica respirou fundo.
Bárbara virou-se para Laura, buscando terreno mais leve.
— Prima… cansou do país em que estava morando? — perguntou com um sorriso doce demais.
Laura bebeu um gole d’água antes de responder.
— Liam me obrigou a voltar. — respondeu. — Mas, pra ser honesta… estou adorando. Finalmente conheci minha cunhada.
Ela sorriu para Olívia com sinceridade. Olívia se mexeu na cadeira e retribuiu o sorriso, apesar do desconforto.
— Ele não parava de falar sobre você. — continuou, pensando no impacto. — Sempre disse que não queria casar, não queria ter filhos. Aí você aparece, e ele muda de ideia. Isso não é pouca coisa. Também, com um mulherão desse… como não falar?
Silêncio absoluto.
Olga fechou os olhos por um segundo.
— Laura, por favor… — pediu. — Tenta se controlar.
— Falei alguma mentira, vovó? — retrucou, sem remorso.


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