A frase de Olívia ainda parecia vibrar no espaço
— Você acha mesmo que eu vou aceitar essa situação, Liam?
Liam a encarou por um segundo que pareceu muito mais longo do que era. A mão dele continuava firme no braço dela, quente, implacável, como se tentasse ancorá-la ali à força. O maxilar dele estava travado, o músculo pulando levemente, denunciando o autocontrole levado ao limite.
O olhar dela desceu para a mão dele que segurava seu o braço, e depois voltou para o rosto dele. Liam falou, com a voz baixa, firme, sem espaço para discussão.
— Vamos conversar no quarto.
Não havia calor na frase. Não havia pedido. Era comando puro.
Olívia soltou um riso curto, incrédulo, o tipo de riso que nasce mais de dor do que de humor.
— Qual o problema de falar aqui, hein, Liam? — retrucou, ergueu o queixo, os olhos brilhando de indignação. — Sua família sabe como você é. Não tem nada para esconder.
O polegar dele apertou um pouco mais o braço dela. Não o suficiente para machucar, mas o suficiente para avisar — chega.
Ela não parou ali.
— Seu pai, desde quando cheguei aqui, tenta me alertar sobre você. — continuou, as palavras afiadas. — Eu que não quis enxergar. Achei que ele queria te diminuir. Te humilhar.
Os olhos de Liam escureceram imediatamente. Foi como se a menção ao pai tivesse apertado uma chave oculta dentro dele. Algo perigoso. Algo que ninguém deveria tocar.
Ele piscou uma vez — lenta e pesadamente — antes de responder. Um gesto quase imperceptível, mas carregado de esforço.A linha dos lábios dele ficou ainda mais fina.
— Vamos. Para o quarto. Agora. — repetiu, mais frio, cada palavra pesada.
Por um segundo, parecia que o mundo tinha parado na escada. O silêncio entre eles era denso, eletrificado.
Olívia sentiu o coração disparar, uma mistura de adrenalina, raiva e decepção queimando no peito.
Ela virou o rosto para frente, puxou o braço com força — o suficiente para que ele a soltasse — e subiu o resto da escada com passos rápidos.
Liam veio logo atrás.
O silêncio dele dizia mais do que qualquer justificativa poderia dizer.
Na sala de jantar, o clima tinha mudado, mas não aliviado.
O lugar de Olívia e Liam à mesa agora estavam vazios. O guardanapo dobrado com cuidado ao lado do prato era a única prova de que, alguns minutinhos antes, ela também fazia parte daquele “quadro de família perfeita”.
Laura olhou para a cadeira vazia, depois para o corredor, e por fim para Bárbara. Algo nela simplesmente… rompeu.
Ela se inclinou um pouco para frente, apoiando os antebraços na mesa, o olhar preso na outra mulher. O brilho nos olhos não era apenas irritação — era indignação pura.
— Você não entendeu que meu irmão nunca vai casar com você? — perguntou, sem rodeios, a voz clara cortando o silêncio. — Que ele teve uma escolha e ele não te escolheu?
Bárbara piscou, rapidamente, como se tentasse processar o ataque direto.
Laura continuou, sem dar tempo para reação.
— Ele pode ter sido intenso com você no privado, Bárbara. — afirmou, com um meio sorriso que não tinha nada de gentil. — Isso eu até acredito. Mas, no público… — fez um gesto leve com a mão, apontando a extensão da mesa, o ambiente, a família. — Aqui, na frente de todo mundo, você não é ninguém.


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