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Segredos De Uma Noite: Meu Marido Por Contrato romance Capítulo 98

A frase de Olívia ainda parecia vibrar no espaço

— Você acha mesmo que eu vou aceitar essa situação, Liam?

Liam a encarou por um segundo que pareceu muito mais longo do que era. A mão dele continuava firme no braço dela, quente, implacável, como se tentasse ancorá-la ali à força. O maxilar dele estava travado, o músculo pulando levemente, denunciando o autocontrole levado ao limite.

O olhar dela desceu para a mão dele que segurava seu o braço, e depois voltou para o rosto dele. Liam falou, com a voz baixa, firme, sem espaço para discussão.

— Vamos conversar no quarto.

Não havia calor na frase. Não havia pedido. Era comando puro.

Olívia soltou um riso curto, incrédulo, o tipo de riso que nasce mais de dor do que de humor.

— Qual o problema de falar aqui, hein, Liam? — retrucou, ergueu o queixo, os olhos brilhando de indignação. — Sua família sabe como você é. Não tem nada para esconder.

O polegar dele apertou um pouco mais o braço dela. Não o suficiente para machucar, mas o suficiente para avisar — chega.

Ela não parou ali.

— Seu pai, desde quando cheguei aqui, tenta me alertar sobre você. — continuou, as palavras afiadas. — Eu que não quis enxergar. Achei que ele queria te diminuir. Te humilhar.

Os olhos de Liam escureceram imediatamente. Foi como se a menção ao pai tivesse apertado uma chave oculta dentro dele. Algo perigoso. Algo que ninguém deveria tocar.

Ele piscou uma vez — lenta e pesadamente — antes de responder. Um gesto quase imperceptível, mas carregado de esforço.A linha dos lábios dele ficou ainda mais fina.

— Vamos. Para o quarto. Agora. — repetiu, mais frio, cada palavra pesada.

Por um segundo, parecia que o mundo tinha parado na escada. O silêncio entre eles era denso, eletrificado.

Olívia sentiu o coração disparar, uma mistura de adrenalina, raiva e decepção queimando no peito.

Ela virou o rosto para frente, puxou o braço com força — o suficiente para que ele a soltasse — e subiu o resto da escada com passos rápidos.

Liam veio logo atrás.

O silêncio dele dizia mais do que qualquer justificativa poderia dizer.

Na sala de jantar, o clima tinha mudado, mas não aliviado.

O lugar de Olívia e Liam à mesa agora estavam vazios. O guardanapo dobrado com cuidado ao lado do prato era a única prova de que, alguns minutinhos antes, ela também fazia parte daquele “quadro de família perfeita”.

Laura olhou para a cadeira vazia, depois para o corredor, e por fim para Bárbara. Algo nela simplesmente… rompeu.

Ela se inclinou um pouco para frente, apoiando os antebraços na mesa, o olhar preso na outra mulher. O brilho nos olhos não era apenas irritação — era indignação pura.

— Você não entendeu que meu irmão nunca vai casar com você? — perguntou, sem rodeios, a voz clara cortando o silêncio. — Que ele teve uma escolha e ele não te escolheu?

Bárbara piscou, rapidamente, como se tentasse processar o ataque direto.

Laura continuou, sem dar tempo para reação.

— Ele pode ter sido intenso com você no privado, Bárbara. — afirmou, com um meio sorriso que não tinha nada de gentil. — Isso eu até acredito. Mas, no público… — fez um gesto leve com a mão, apontando a extensão da mesa, o ambiente, a família. — Aqui, na frente de todo mundo, você não é ninguém.

Olga fechou os olhos por um segundo, como se tivesse levado uma bofetada emocional. Felipe desviou o olhar, a expressão endurecendo. Érica respirou fundo, o peito subindo e descendo mais rápido, mas manteve a coluna ereta como se não fosse desabar.

Laura apoiou as mãos na mesa e se inclinou levemente para frente, soltando as próximas palavras como quem encerra um assunto jogando uma bomba no centro dele.

— E é pra encerrar, mãe. — disse, sem tremor. — Infelizmente, o DNA da senhora e do meu pai corre nas minhas veias. Não tem como fugir dele.

Fez uma pausa curta, só para respirar.

— E presta atenção no que eu vou falar: está arriscado o meu querido pai assumir uma das amantes e te largar. — completou, seca. — Aí eu quero ver se a senhora vai conseguir sustentar seus luxos com pensão. Porque, em vez de enfrentar o papai e investir numa carreira, escolheu girar em torno dele.

As palavras caíram sobre a mesa como estilhaços de vidro.

Bárbara estava imóvel. As mãos seguravam o talher com força demais, os dedos levemente trêmulos. O rosto dela mantinha a máscara de neutralidade, mas os olhos… os olhos entregavam o incômodo.

Felipe encostou-se na cadeira, cruzando os braços, o olhar perdido em algum ponto neutro da parede. Não disse uma única palavra.

Olga suspirou fundo, cansada, como se tivesse acabado de assistir a uma guerra que sabia que estava prestes a acontecer.

Érica firmou a coluna, segurando o que restava da própria dignidade.

Foi então que a voz grave e firme de Frederico atravessou o ambiente.

— Laura. Chega. — disse, sem precisar elevar o tom.

Ela respirou fundo, voltou a se recostar na cadeira e calou. Não por arrependimento. Mas porque quando Frederico dizia “chega”, não era discussão. Era ordem.

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