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Segredos De Uma Noite Meu Marido Por Contrato (Olivia) romance Capítulo 254

O ar dentro do banheiro parecia pesado demais para ser respirado. Olívia permaneceu imóvel por alguns segundos após ouvir a última frase. A mão estava pousada na maçaneta, os dedos trêmulos, como se o corpo ainda precisasse de tempo para acompanhar a mente.

Era como estar presa em um pesadelo sem conseguir acordar. Não sabia se chorava, se gritava, ou se continuava calada. As emoções se atropelavam dentro dela — choque, raiva, culpa, vergonha, alívio — tudo misturado, tudo intenso demais.

Afinal, acreditou por um tempo, que Liam havia sido o responsável pela noite que mudou o destino da vida dela.

Quantas vezes jogou isso na cara dele. Quantas vezes o culpou, ferindo quem jamais mereceu carregar aquele peso.

Tudo o que doía, tudo o que confundia, tudo o que parecia errado… havia sido uma armação de Peter. O homem em quem confiou. Em quem achou que amou. Em quem acreditou que, naquela mesma noite, a pediria em casamento.

Era o mesmo que a entregaria como moeda de troca. Que a usaria como se fosse um objeto, uma peça descartável em um jogo de ambição. Uma marionete nas mãos de alguém que nunca a viu como pessoa.

Agora, tudo estava se encaixando.

Do lado de fora, Peter falou em tom baixo, convicto, como quem acreditava ter tudo sob controle.

— Ela nunca vai saber. — disse, com frieza. — Fiz questão de aparecer no casamento dela e dizer que foi aquele tal de Liam Holt o culpado de tudo.

Ele respirou fundo, passando a mão pelo rosto.

— Não sei como fui capaz de trocar a Olívia pela Bianca. — continuou. — Mas eu não desisti dela. E vou recuperar o que um dia foi meu. Tenho certeza que ela não me esqueceu.

O dono do banco soltou uma gargalhada alta, debochada, que ecoou pelo corredor.

— Você não me engana. — disse, entre risos. — Essa pose de homem arrependido não cola comigo. — Ele se aproximou um pouco mais, o sorriso carregado de desprezo. — Você continua sendo o mesmo homem sem escrúpulos, Peter. Sempre foi. — riu de novo. — Faz de tudo para conseguir o que quer. — O olhar dele ficou ainda mais cruel. — Se tivesse algum sentimento por ela, não teria aceitado minha proposta em alimentar meu vício por mulher virgem em troca de uma promoção. — disse, seco. — Não teria dopado a Olívia e a deixado naquele quarto, indo transar com a amante… e depois inventado a história de que estava socorrendo a mãe.

Peter ficou em silêncio por um instante.

Olívia, não aguentando mais ouvir toda aquela crueldade em silêncio, abriu a porta com força. O barulho ecoou pelo corredor da agência. Peter e o dono do banco se viraram ao mesmo tempo. O sorriso cínico do banqueiro morreu no instante em que encontrou o olhar dela. Peter empalideceu.

— Olívia… — ele começou, dando um passo atrás.

Ela avançou.

— COMO VOCÊ FOI CAPAZ DE FAZER ALGO TÃO SÓRDIDO, PETER?! — Olívia gritou, a voz ecoando pelo corredor da agência. — QUE TIPO DE SER HUMANO É VOCÊ?!

Ela avançou um passo, o olhar em chamas, o peito subindo e descendo rápido demais. As mãos tremiam de indignação.

— VOCÊ BRINCOU COM A MINHA VIDA! — continuou, sem baixar o tom. — ME USOU, ME DROGOU, ME MANIPULOU COMO SE EU NÃO FOSSE NADA!

O silêncio que se seguiu foi pesado. Todos os olhares estavam nela agora.

— EU ACREDITEI QUE VOCÊ ME AMAVA! — a voz falhou por um segundo, mas voltou ainda mais forte. — COMO VOCÊ TEVE CORAGEM DE FAZER O QUE FEZ COM QUEM DIZIA AMAR?! EU TENHO NOJO DE VOCÊ!

— Olívia… eu posso explicar… — tentou, a voz baixa, fraca. — Eu estava cego, mas…

Ela riu. Não havia humor algum naquele som.

— E fique sabendo de uma coisa: eu não tenho medo das suas ameaças. — disse, com frieza. — Você não conhece Liam Holt. Não sabe do que ele é capaz quando se trata de me proteger… e de proteger o nosso filho.

O silêncio que se seguiu foi pesado. O banqueiro desviou o olhar, percebendo que havia perdido o controle da situação. Ela voltou o olhar para Peter.

— Você sabe o que é acordar achando que foi usada? — a voz dela tremeu por um segundo, mas não quebrou. — Você sabe o que é olhar pra um homem bom e acusá-lo de algo monstruoso porque confiou na pessoa errada?

Peter baixou a cabeça.

— Eu me arrependo… — murmurou. — Se eu pudesse voltar no tempo…

— NÃO. — Olívia foi implacável. — Você se arrepende de ter sido descoberto. Só isso. — Ela respirou fundo, pousando a mão no próprio ventre, num gesto instintivo de proteção. — Sabe o que você não está suportando? — continuou, agora mais baixa, mas ainda mais cruel. — Que eu segui em frente. Que eu encontrei um homem de verdade. Que hoje eu vivo o amor que você nunca foi capaz de oferecer.

Peter levantou o rosto, os olhos marejados.

— Eu ainda te amo…

Ela sorriu. Um sorriso triste. Definitivo.

— VOCÊ NÃO AMA NINGUÉM. — disse. — Você ama poder. Ama status. Ama ganhar. Se amasse de verdade, não teria aceitado aquela proposta. Não teria me colocado em risco. Não teria me abandonado naquela noite pra ir transar com a amante e depois inventar que estava socorrendo a mãe.

O silêncio ao redor era absoluto.

— E quanto à Bianca… — Olívia inclinou levemente a cabeça. — Vocês se merecem.

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