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A babá é a mais nova obsessão do CEO romance Capítulo 10

— Eu trabalho para quem paga, senhor — respondi, com um meio sorriso — E confia em mim, claro.

Ele me observou por alguns segundos, como se tivesse assimilando minha resposta que foi sincera, mas talvez simples demais.

Entrelaçou os dedos sobre a mesa:

— Resposta bem evasiva, senhorita.

— E...vasiva? — o encarei, confusa.

Do jeito que as coisas estavam indo, logo ele falaria sobre aquela noite, há um mês atrás. E Deus, eu rezei para que aquilo não acontecesse. Do jeito que as coisas estavam indo, preferia que ele realmente não lembrasse de mim.

Mas... era possível esquecer? Por mais que eu não fosse alguém marcante... estivemos tão intimamente ligados.

Levantei o queixo e mantive a postura. Não importava o que aquele homem pensava sobre mim ou onde queria de fato chegar. Eu precisava daquele emprego. Muito.

— O que você acha que uma criança precisa, Maria Fernanda?

Quando ele não usava o “senhorita” e se referia a mim pelo nome, me desconsertava ainda mais. Eu ficava com os olhos fixos na sua boca, tentando manter a sanidade, quando tudo dentro de mim gritava: “ei, você lembra de mim?”

— Amor. — respondi imediatamente. — O... seu, óbvio. — tentei consertar, tentando deixar claro que eu não queria roubar o amor do filho dele.

E se ele tivesse entendido que “eu” queria o amor dele?

— Não está disposta a amar o meu filho?

— Eu... não quis dizer isso. Na verdade... o que eu acho é que o amor de pai e mãe é o mais importante para uma criança. Meu papel é... cuidar. Mas às vezes, amar o que não lhe pertence pode ser inevitável. — abaixei a cabeça, atordoada.

— Amor? Só isso que uma criança precisa?

— Amor é o principal. Mas uma criança precisa de várias outras coisas, como atenção, carinho, proteção, atenção e limites. Não deixar fazer tudo que quer também é um ato de amor... e quer dizer que se preocupa. Afinal, na vida não se faz tudo que se quer o tempo inteiro.

— Não? — arqueou uma sobrancelha.

— Não — confirmei — sempre há limites. E... mesmo que se tenha todo o dinheiro do mundo... ainda há coisas que não se pode fazer, por questão ética e... de empatia.

— Espionagem. Você acha isso ético?

— Espionagem... industrial? — franzi a testa, confusa — ou espionagem... tipo de filmes?

— Não sei... me diga você.

Inclusive sobre sabotagem? Ou seria espionagem? Enfim, cada louco com sua mania. Como dizia meu irmão: ricos eram estranhos pra caralho.

Levantei, incerta se tínhamos finalizado. Ele fez o mesmo:

— Acompanharei você até a porta. — disse de forma polida.

Tentei perguntar se eu tinha ido bem ou não com as respostas, mas não consegui. Estava nervosa demais. E sabia que não era só por causa da entrevista.

Quando ele passou por mim, minha bolsa caiu. Estava um pouco aberta e meu celular decidiu fugir, se jogando para fora. Me abaixei para pegar e ele fez o mesmo. Quando percebi, estávamos os dois agachados no chão, cara a cara.

Engoli em seco e fiquei imóvel quando a mão dele tocou a minha, ambos com o mesmo objetivo: pegar o celular. Se eu ainda tinha alguma dúvida de que ele era a pessoa em quem pensei todos os dias no último mês, se dissipou naquele exato momento.

Sim, Maria Fernanda: você dormiu com um homem casado! Foi trocada pela sua prima pelo homem que amava e para o seu azar, se jogou nos braços de um comprometido. Definitivamente, a vida era cruel comigo. E pelo visto encontrar alguém para partilhá-la era algo bem difícil.

Mas eu nem estava tão desesperada assim por amor. Tudo que eu quis foi fazer algo leviano, como sair numa boate. E dessa forma, provar para mim mesma que Michael não era tão importante assim e que eu poderia seguir a vida sem ele. Então, me apaixonar à primeira vista pelo primeiro homem lindo que aparecesse na minha frente não era uma opção. Era hora de seguir em frente e fingir, assim como ele, que nada aconteceu entre nós.

Se tinha uma coisa que eu abominava era traição. Eu me culparia pelo resto da vida por ter sido a outra numa relação. A parte boa, se é que tinha uma, é que ele não deixaria a esposa por mim. Ficou claro que eu era só uma distração, alguém descartável. Então eu decidi me perdoar.

Foi bom ter sido a Maçãzinha na vida dele por alguns minutos. Minutos que não voltariam nunca mais.

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