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A babá é a mais nova obsessão do CEO romance Capítulo 9

Ele me observou por alguns segundos, mais demorados do que eu esperava.

— Entendo — disse.

Respirei fundo. Acho que até agora eu estava me saindo bem. Eu não menti. Mas ao mesmo tempo não ousaria, mesmo que fosse verdade, dizer que era uma pessoa festeira, já que aquilo destruiria a possibilidade de ser contratada.

A questão ali era: eu sabia que tinha dormido com ele. Mas ele sabia que tinha dormido comigo? Não deu indício algum. Talvez estivesse tão bêbado quanto eu naquela noite. E embora meus olhos também fossem azuis, certamente eu não era o tipo de mulher que deixava lembranças. Quem sabe tenha sido a minha falta de jeito naquela cabine, causada pela inexperiência.

Foi quando me dei em conta de que ele tinha traído a esposa. E eu havia sido só a vagabunda que ele comeu. Claro que ele fingiria que eu nunca existi! Eu tinha sido só mais uma a ser traçada numa cabine.

No fim, eu era mesmo uma azarada. E alguém com quem o cupido decidiu cortar relações.

— Por que trancou a faculdade?

Essa pergunta veio mais a calhar.

— Porque precisei trabalhar mais — respondi, firme. — Eu estudava de dia e só conseguia trabalhar à noite. Chegou um ponto em que não dava para conciliar e precisei fazer uma escolha.

— Mesmo sendo bolsista?

— Justamente por isso. — Inclinei um pouco o corpo para frente. — A faculdade não custava dinheiro, mas custava tempo. E tempo era o que eu precisava para trabalhar.

Talvez ele já soubesse a parte que eu não consegui empregos decentes naquele meio tempo a não ser freelancers. O que ele não sabia era que eu estava esperando ansiosamente por aquela entrevista, apostando minha vida no trabalho que ele oferecia... sendo que ainda assim consegui chegar atrasada e foder tudo.

Ele me encarou, avaliando:

— Então não foi por falta de capacidade?

— Não — respondi, sem hesitar. — Eu era bolsista porque tinha boas notas. Tranquei porque precisava de renda, não porque não dava conta.

Algo mudou no rosto dele naquele momento. Pareceu ficar satisfeito com a resposta. Foi quase imperceptível, mas eu notei.

Meu estômago voltou a reclamar. Ignorei outra vez.

— Tem mais alguma tatuagem em lugares… inusitados? — ele perguntou, como se estivesse falando do clima.

Franzi a testa:

— Não.

Era verdade. A maçã não contava. Não oficialmente. Sem contar que era pessoal. E ele jamais veria. Pelo visto tatuagens poderia ser um problema para aquele emprego.

— Tem certeza?

Engoli em seco, atordoada:

— Absoluta.

Ele sustentou o olhar:

— E o coração no dedo anelar, o que significa?

Ok, aquilo estava ficando estranho:

— Posso perguntar por que isso importa numa entrevista para babá? — devolvi, educada, mas desconfiada.

Ele não respondeu de imediato. Quando decidiu fazer, soou como algo realmente banal:

— Curiosidade — disse, por fim. — Por que escolheu esse símbolo? E justamente nesse dedo?

A entrevista (II) 1

A entrevista (II) 2

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