POV Maria Fernanda
Quando saí pela porta, deparei-me com Michael sentado na escada da varanda. Olhei no relógio. Era exatamente 6:02 da manhã.
— O que você está... fazendo aqui?
Ele levantou o rosto e percebi seus olhos avermelhados. E senti pena. Imaginei que tinha sido bem difícil para ele lidar com o fato de ser corno. E o agravante era que Michael estava com o coração ferido, porque gostava de Letícia.
— Precisamos conversar.
— Eu estou indo trabalhar. E não posso me atrasar.
— Por que você vai de ônibus se tem uma Ferrari agora? — o tom foi de ironia.
— Por que está essa hora me esperando se você tem uma noiva?
— Eu não tenho mais.
Eu ri:
— Imaginei. Sinto muito por tudo que aconteceu. E sei que não acreditará, mas não tive nada a ver com a revelação da traição de Letícia, embora eu soubesse.
— Por que não me contou?
— Porque você não iria acreditar. E acharia que eu estava com ciúme.
— E você estava com ciúme, Fê?
O encarei e disse, com sinceridade:
— Não, eu não estava, Michael. Mas achei que era melhor você ver com seus próprios olhos. Acho que Will fez errado em expor Letícia e você daquela forma. Porém acredito que, se não fosse da maneira que foi, você acabaria pegando-a no flagra mais cedo ou mais tarde.
— Eu não fiquei chateado com Will. Eu terminaria com Letícia de um jeito ou de outro.
Respirei fundo. Eu não queria ouvir a parte que ele estava arrependido e blá, blá, blá. Precisava trabalhar. E ver Enzo... ou morreria. Eu só tinha o domingo em casa. Porém, cada vez mais, minha casa era o lugar onde ele e Davi estavam.
— Isso não tem a ver comigo, Michael — tentei descer os degraus, mas ele me puxou pelo braço, fazendo-me cair no seu colo.
Tentei me desvencilhar, mas Michael me segurou com força entre seus braços.
— Me solte. Agora. — falei, entredentes.
— Por favor, me ouve.
— Se não me soltar, eu vou gritar. E meu pai vai ver você me pegando a força. E contarei aos seus pais sobre o chupão que você me deu, sem consentimento. E todos saberão o idiota que você é.
Michael levantou o corpo do degrau, ainda comigo em seu colo.
— Me solte, agora. — comecei a bater nele.
Michael me botou no chão e pegou meus ombros, encarando-me:
— Por favor, me deixe falar... em nome do que tivemos um dia. Você sabe que, apesar de tudo que aconteceu nos últimos tempos, fomos amigos. Eu mereço a chance de ao menos dizer o que eu penso, Fê. Você me deve isso... pelo nosso passado.
— Eu realmente não posso me atrasar.
Enzo odiava atrasos. E eu odiava me atrasar.
— Serei breve.

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