— Eu ouvi tudo, seu filho da puta.
— Ouviu o que, seu doente mental?
— Doente mental?
— Esse é o mais leve dos seus diagnósticos.
— Agora você também é psiquiatra? — cruzei os braços — Isso é muito interessante. Aproveite bem suas várias especializações, pois em breve você será destituído da profissão. E envolvido em um escândalo tão grande que não conseguirá ser médico nem brincando de faz de conta com os seus filhos.
— Eu senti muito ter perdido a Fê. Fui um idiota e sei que me arrependerei pelo resto dos meus dias. Mas sabe o que é pior? — me analisou demoradamente — o pior de tudo é saber que a perdi para você, o ser mais repugnante que eu já conheci.
— Eu sou o repugnante? Você teve tudo nas mãos, Michael. E jogou fora por causa de uma vagabunda. Agora Maria Fernanda é minha. E nada nem ninguém vai mudar isso.
— Posso lhe fazer uma pergunta... de homem para homem?
— Infelizmente não. Porque você não é um homem. É só um garoto.
Ele sorriu, meneando a cabeça com ironia.
— Se é assim que me vê, deve ser assim que vê ela também. Para mim, Maria Fernanda é uma mulher. Mas, comparando com você e sua idade, uma garota. A questão é... o que você sente por ela é paixão? Ou só obsessão? Acha que ela é um brinquedo que você usa e jogar fora?
— Ela... te falou sobre isso?
Caralho, até sobre as nossas conversas Maçãzinha tinha falado com ele? Ah, sim! Sempre foram AMIGOS. E, mesmo depois de tudo que o garoto zumbi havia feito, ela ainda mantinha a intimidade com ele.
— Qual o seu problema? — o garoto zumbi perguntou.
O meu problema é que, não importa o que ela faça, eu nunca vou deixar de amá-la. E, embora minha vontade seja deixá-la ir, meu coração se nega a fazer isso, porque sabe que estar longe da Fê é me autodestruir.
— Aproveite seus últimos momentos exercendo a profissão, garoto. Em breve você será um médico conhecido nacionalmente por ter transado com a mulher de outro homem num hospital.
— EU NÃO TRANSEI COM ELA.
— Eu ouvi.
— Você... o quê?
— Ouvi você mandá-la abrir as pernas e relaxar.
O garoto se afastou alguns passos e depois me encarou, com a testa franzida:
— Eu... sou ginecologista e obstetra. E... falo isso para cada mulher que entra no meu consultório. A Fê acabou de abortar um dos filhos. E você... está preocupado porque eu a mandei abrir as pernas para examiná-la?
Fazia sentido. Por um breve momento me senti ridículo. Mas não adiantava eu tentar me enganar. Ela ainda seguia sendo a pessoa que dopou o meu filho e tentou me dar o golpe.
— Vou levá-la para casa. — avisei.
— Ela jamais aceitará ir com você.
— Ela não tem opção.
— O estado dela é delicado. E a gravidez considerada de alto risco. A Fê precisa de monitoramento rigoroso, pois o feto sobrevivente apresenta maior risco de morte uterina, prematuridade e outras complicações.
— A perda de um dos bebês... foi causada de fato pela queda?
— Eu não tenho dúvidas de que sim. E a pergunta que faço é... como isso foi acontecer na sua casa? Que tipo de segurança você deu a ela?

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