POV Aayush
Dentre todas as coisas que já fiz na minha vida profissional, e isso incluía até mesmo manter em sigilo segredos de estado, jamais me passou pela cabeça separar uma briga de Enzo Asheton no corredor de um hospital, engalfinhado com um garoto que devia ter metade da sua idade.
O segurei com firmeza, enquanto Will e outros enfermeiros davam conta de Michael. Enzo estava totalmente transtornado e era difícil contê-lo.
— Eu vou te matar. — Enzo gritava enquanto eu o segurava por trás, torcendo para conseguir mantê-lo longe do garoto.
— Estão todos ouvindo: ele está me ameaçando de morte — Michael levantou o dedo indicador acusatório na direção de Enzo.
Quando vi Maria Fernanda saindo do consultório, sem entender nada, com o semblante visivelmente cansado, eu mesmo tive medo de dar uma surra em Enzo e quebrar a cara de Michael.
Conseguimos afastar os dois e Will e Maria Fernanda ficaram falando com Michael enquanto eu puxei Enzo.
Meu patrão andava de um lado para o outro e tocava o maxilar, parecendo querer ter certeza de que ainda estava no lugar. A camisa estava para fora da calça e o blazer parecendo que passou pela guerra. Suava. Os cabelos estavam em completo desalinho.
Mas eu sabia que o que mais estava em desalinho era a sua cabeça. Aliás, acho que ela nunca foi muito alinhada. Os Asheton não tinham capacidade nem paciência para pensar como pessoas comuns. Pensavam com o pau. E achavam que o mundo inteiro girava em torno deles. E suas mulheres, óbvio.
Se eu gostava do garoto zumbi? Nenhum pouco. Mas o fato de ele olhar para Maria Fernanda já o tornava um inimigo em potencial de Enzo Asheton. Ou seja, independente da forma como ele agisse, Enzo sempre o odiaria.
— Senhor Enzo — tentei — o senhor precisa se acalmar.
— Ela está com ele, Aayush! — apontou para Maria Fernanda, que conversava com Michael, parecendo querer entender o que tinha acontecido.
— Senhor, o Davi ainda está internado, lembra? Ele precisa do senhor. O que acha de ir até lá um pouco... e ver se está tudo certo?
Enzo meneou a cabeça, passou os dedos pelos cabelos, bagunçando ainda mais o que já estava desarrumado. Enfim... ele estava o caos em pessoa. Para quem o visse, diria que fisicamente destruído. Mas eu sabia que psicologicamente o negócio era bem mais sério.
Tentei usar o nome de Davi para fazê-lo voltar a realidade e dar um tempo para Maria Fernanda e até mesmo para ele se acalmar.


Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A babá é a mais nova obsessão do CEO