— Está querendo dizer que isso tudo é um plano de Pietra contra a minha esposa, Aayush? — eu ri, incrédulo.
Aquilo não fazia sentido. Pietra não tinha motivo algum para atacar Maçãzinha.
— Estou dizendo que Pietra não tinha motivos para procurar algo oculto na mochila da senhora Fernanda. Ou tinha? O senhor falou a ela algo sobre suas desconfianças com relação a sua esposa?
— Não... nunca.
Talvez ele tivesse razão naquela parte. Pietra mexeu dentro dos bolsos da mochila de Maria Fernanda por qual motivo? A ordem havia sido simples: retirar as roupas e guardar no outro cômodo.
Mas...
— Um dia teve uma governanta espiã — olhei para Aayush — isso não significa que todas as governantas que trabalham para a família Asheton sejam assim, Aayush. Eu sei que a história de Emma e Marcelle ainda o afeta. Mas não confunda as coisas. Pietra é só uma pessoa comum. Ela não tem um caso com nenhum homem influente ou poderoso. E sequer tem filhos. É uma mulher viúva e sem um passado duvidoso.
— Peço que não me demita, senhor Asheton. Não até que eu consiga provar a inocência da senhora Maria Fernanda.
— Por que você acredita tanto assim nela, porra?
Aayush suspirou e disse:
— Ela o ama demais para atentar contra o senhor. E o mesmo sentimento ela tem por Davi. Isso é tão nítido, tão transparente... que todo mundo consegue perceber. Será que só o senhor não entende isso? Não consegue ver nos olhos dela os sentimentos que nutre por sua pessoa?
Senti um aperto no peito. Eu desejava, ardentemente, que Aayush tivesse razão. Mas a vida inteira eu vi pessoas derrubarem outras por dinheiro e poder. Amor nunca existiu. Somente ganância. E por esse motivo eu me aproximei de Amanza. E a usei, depois percebendo que ela me usou ainda mais.
Desde o momento em que vi Amanza Laflame apontar uma arma na direção do próprio filho, eu virei outra pessoa. A pessoa que duvidava até de mim mesmo.
— Você tem um mês. — falei para Aayush — um mês para provar que Maria Fernanda não é culpada.
— Já tenho algumas informações, senhor Asheton.
— Me fale.
— Não. Prefiro não dizer nada sem ter certeza.
— Suas informações... apontam para um complô contra mim? Um complô pessoal ou corporativo?
— Corporativo. — ele disse com segurança. — Mas como eu disse, preciso ir mais a fundo. Não quero ser injusto com ninguém.
— Você falou com Maçãzinha ontem? — questionei, temendo que ela tivesse ido atrás dele.
— Sim, ela me procurou, senhor. Pediu que conseguisse uma cópia do contrato que assinou na empresa no momento em que foi contratada.
Eu sorri. Ela era esperta. E ao mesmo tempo burra, porque assinava documentos sem ler.
— Entregue a cópia a ela. Maçãzinha se certificará de que, caso decida romper o contrato, terá que me pagar até a alma. Se minha esposa tiver qualquer outra dívida, compre o banco para o qual ela deve. Quero que ela não tenha opções a não ser ficar presa a mim.
— Sinceramente, senhor: eu duvido que ela gostaria de estar em outro lugar nesse momento. — ele deu um breve sorriso, saindo.
Cada vez eu ficava mais confuso. Mas uma coisa era certa: tudo começou com o meu doping. Depois o de Davi. E qual seria o próximo acontecimento? Eu não podia ficar esperando, sem fazer nada, quando a vida do meu filho estava em risco.
Por um momento me arrependi de ter botado Maçãzinha para dentro da minha casa. Mas era tarde para mudar de ideia. Ela esperava um filho meu.
Terminei o que eu tinha para fazer e fui para o quarto. Quando cheguei, Maria Fernanda estava na cama, deitada confortavelmente, usando uma camisola de cetim com renda, assistindo televisão. Sobre a cama, havia uma bandeja com o que restou do que imaginei que fosse o café da manhã.
Apontei para a maçã:
— O que é isso?
— Uma maçã. — ela disse, não desfocando os olhos da TV.
— E por que... está aqui, sem sequer ter sido tocada?
— Eu não como maçã.
— Não come maçã? — arqueei uma sobrancelha.

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