POV Maria Fernanda
Assisti com Davi “O jardim secreto” e os “A princesinha” durante aquele dia. Não saímos do quarto. Pedimos batatas fritas, mas ganhamos frutas frescas cortadas em palitos. Pedimos Coca-cola, mas ganhamos suco de uva natural. Pedimos pizza de calabresa, mas veio pizza marguerita com base de abobrinha.
Resultado final: meu estômago estava roncando. Eu estava com tanta fome que comi parte de uma daquelas maçãs lindas que vinham cada vez que podíamos comida. E eu odiava maçãs. Mas talvez Enzo tivesse razão. Se fazia bem para o bebê, era melhor eu comer.
Shirley ficou conosco. Não na cama, óbvio. A mandei ficar bem distante, numa poltrona que nos afastava alguns metros. O quarto era grande o suficiente para que mal respirássemos o mesmo ar.
Vez ou outra eu olhava discretamente na direção dela. E me certificava de que estava sendo observada minuciosamente.
Shirley deixou de ser uma possível inimiga para ser uma inimiga declarada. Mentiu descaradamente para Enzo a fim de me destruir. Acontece que, no momento que ela tentou fazer com que eu deixasse aquela casa, voltei por cima.
Saí do chão depois daquela queda da escada, ferida, destruída psicologicamente. Voltei como esposa de Enzo. E embora ele quisesse me machucar na maioria das vezes com suas atitudes e palavras, deixara claro para todos naquela casa que eu tinha autoridade a partir de agora.
Eu não era burra. Sabia que, de alguma forma, ainda tinha poder sobre Enzo. O coração dele podia não gostar tanto de mim. A mente podia criar mil personalidades sobre a minha pessoa, sendo que em nenhuma delas eu era a mocinha e sim a vilã. Mas o corpo dele me queria. Os lábios dele me desejavam. E, não havia como negar que a química que nos unia era forte, intensa, eterna.
O beijo que Enzo me deu naquele dia me fez renascer. Ele podia ser um filho da puta, mas seus lábios eram o que me gerava energia suficiente para seguir em frente.
Resumir Enzo num filme seria “Meu malvado favorito”. Ele queria ser mau. E na maioria das vezes ele conseguia, me deixando totalmente atordoada a agitada com seu jeito bipolar de agir. Ainda assim ele tinha cuidados comigo e com o nosso bebê.
Por mais que eu quisesse a minha liberdade, estar ali, junto dele e Davi, não era uma coisa ruim. Eu decidi encarar aquilo como estar de férias num resort: quarto confortável, vista para a piscina, café da manhã incrível, serviçais para me atenderem a cada minuto.
Enzo não poderia me prender para sempre. E eu tinha uma missão: fazê-lo compreender que esposas não eram submissas por causa da ideia distorcida dele do que significava casamento.
Enzo abriu a porta e olhou para mim, para Davi e depois para Shirley, a uma distância segura, obedecendo a medida protetiva que criei contra ela.
— Vamos descer — ele disse, seco — temos visitas.
Levantei-me da cama, ansiosa:

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