— Eu te dou o celular. — gritei, apavorado.
Acontece que eu não só gritei. Eu já estava na sacada. E ela seguia ali, sentada no parapeito, como se fosse algo... normal, sendo que botava em risco não só a sua própria vida, como a do nosso bebê.
— Entre! — pedi, com a voz embargada — por favor, entre e saia daí. Eu te dou o celular. Aliás, posso comprar todos os celulares do mundo para você.
— Poupe-me dos seus exageros. Você só os usa quando lhe convém. O que eu faria com vários celulares?
— Poder ligar... para o seu cachorro imaginário. Ou a sua samambaia.
— Eu detesto samambaias. — ela finalmente desceu do parapeito.
Quando Maçãzinha desceu, se desequilibrou e quase caiu. A amparei e logo em seguida a abracei. Ela tentou se desvencilhar e respirei fundo, me lembrando que tinha que lhe dar o espaço.
Quando Maria Fernanda se afastou, percebi lágrimas em seus olhos. Caralho, aquilo me destruía! O que eu estava fazendo? Ela era a mulher que eu amava. E esperava um filho meu.
Entre a dúvida e a chance de ela me odiar e eu perdê-la para sempre, eu preferia ficar com a dúvida. Ou... não. Tinha Davi. Meu filho vinha acima de qualquer coisa. Mas... Maçãzinha também estava esperando um filho meu.
Ela limpou as lágrimas e me estendeu a mão:
— Meu celular.
Não pensei duas vezes e fui atrás do celular, voltando em breve e entregando-lhe:
— Você tem direito a uma ligação.
— Você é o delegado? Acabei ser presa em flagrante e tenho direito a uma ligação?
— Sim. Podemos negociar duas.
— Isso está ficando interessante! Devo ir para a escada agora?
— Nem brinque com isso.
— Eu nunca brinquei — sua voz embargou — Você brincou comigo. E quer saber? Estou louca para que se canse e doe o seu brinquedo logo.
— Eu jamais faria isso.
— Saia que quero ligar.

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