Peguei o telefone de Maçãzinha e pus para carregar. Assim que a bateria foi conectada, começou a vibrar. Mensagens, ligações perdidas... no mínimo umas 80. Ela era assim tão popular?
Eu não tinha a senha, mas consegui ver no visor de quem eram as mensagens, embora não o conteúdo de cada uma delas. A maioria, tanto de ligações perdidas quanto de mensagens eram de Michael. Algumas poucas de Will, que certamente não tentou entrar mais em contato porque eu havia dito que Maçãzinha e eu iríamos viajar.
Tinha algumas ligações de números desconhecidos. Entre eles um que estava nomeado como “Papai Noel”. Eu ri. Não duvidava que Maçãzinha realmente acreditasse em Papai Noel.
Sobre as mensagens do garoto zumbi... não me preocupei. Ele jamais veria Maria Fernanda novamente.
Deixei o celular carregando e, depois de tantos dias, finalmente fui vê-la. Ou melhor, ela dormia todos os dias na minha cama e eu a via. Mas quando Maçãzinha acordava, eu não estava mais lá. Sem contar que, mesmo ela sabendo que acordaria na minha cama, todas as noites ia para o quarto de hóspedes.
Ela nunca questionou o motivo pelo qual eu a carregava para o meu quarto. Na verdade, Maçãzinha interagia se eu interagisse com ela. Se eu a ignorasse, ela retribuía da mesma forma.
Eu sentia uma saudade do caralho.
Quando abri a porta ela estava na porta da varanda, olhando para o jardim. Parecia perdida em pensamentos. O que passava na cabeça de Maçãzinha?
— Oi. — tentei ser firme, mas não consegui.
Ela simplesmente me olhou e depois voltou a cabeça de volta para o jardim, me ignorando. Me aproximei alguns passos e ela se afastou, dando um passo em direção à sacada.
— Maçãzinha, eu...
— Por que tiraram meu sangue? — perguntou — o que você tem em mente, seu doido, lunático, monstro.
Doeu. Cada palavra foi o equivalente a uma facada no meu coração.
— Exames de rotina, Maçãzinha. Você fará mensalmente hemogramas e outros que fazem parte do pré-natal. É pela sua saúde. E a do bebê.
— Eu quero o meu telefone. Preciso saber notícias do meu pai.
— Seu pai está bem. E ainda não viajou.
— Eu quero ouvir a voz do meu pai e do meu irmão.
— E o garoto zumbi?
— Sim, eu também quero ouvir a voz do Michael. Aliás, eu quero ouvir a voz de todo mundo, menos a sua.
— Infelizmente não posso te dar o seu celular.
— Isso que você está fazendo é crime. Se chama cárcere privado e dá cadeia.
— Estou fazendo isso para o seu bem.
— Não — ela riu — não diga que isso é para o meu bem, Enzo. Você está me aprisionando.
— Maçãzinha, eu quero que você fique segura.
— Não quer. Você quer me punir, porque acha que eu fiz algo contra o Davi. E contra você.
— Se eu te der liberdade, você fugirá.
Ela me encarou:
— Sim, eu vou fugir para um lugar que você nunca mais me encontrará.

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