POV Maria Fernanda
— Como assim você vai em outro carro, Aayush? — perguntei antes de ele embarcar.
— É mais... seguro. — explicou, com a voz baixa, olhando para os lados.
— Eu duvido que Enzo não lhe disse que deveria cuidar de mim e me vigiar.
— Sim, ele ordenou exatamente isso. E justo por esse motivo a senhora irá acompanhada de um motorista e duas guarda-costas no carro.
— Mas me sinto mais segura com você.
— Mas o senhor Enzo é muito inseguro quanto à senhora.
— Aayush, eu não sou “senhora”. Só tenho 22 anos.
Ele olhou no relógio:
— Acho que se demorarmos muito para sair, a senhora perderá o horário da consulta.
Respirei fundo e aceitei que ele iria no outro carro e que eu teria que fazer o percurso em silêncio, sem conversar com ninguém.
A médica naquela manhã me explicou que o cansaço e a sonolência no primeiro e segundo trimestres eram fisiológicos e normais. Ainda assim me deu um remédio natural que se chamava Cocculine. Segundo ela, ajudava no cansaço e mal-estar sem causar sonolência.
Enzo tinha feito uma viagem de emergência e como não abri mão do horário do psiquiatra que agendou, acabou autorizando que eu fosse sem ele, desde que tivesse guarda-costas junto.
Apesar de tudo, ele não confiava em mim e achava que eu fugiria assim que tivesse oportunidade. E ele estava certo. Nem eu confiava em mim mesma.
Mas já fazia um tempinho que eu queria ficar sozinha com Aayush e falar com ele sobre os meus planos. No entanto, ouvir a opinião do psiquiatra era fundamental para ter certeza se o que eu planejava fazia sentido ou não.
Eu sabia que certamente Enzo havia escolhido um profissional de sua confiança. O que eu tinha que fazer era convencer o médico de que a ética fazia parte dos juramentos que ele fez ao se formar, a fim de que não contasse a Enzo tudo que eu falaria.
Poder sair daquela mansão já era uma vitória. Era como cansar de ficar tanto tempo num resort e dar uma breve saída para o mundo real.
Eu tinha saudade de Will e do meu pai. Mas, no momento que meu irmão me deixou aos cuidados de Enzo naquele hospital, eu tive quase certeza de que ele havia agido de forma proposital. Eu só não sabia o real motivo de Will agir daquela forma.
O que mais me preocupava era a ligação do Papai Noel no meu celular, a qual Enzo mencionou. Não tinha como ele saber que eu me referia ao agiota daquela forma. Ou seja, certamente ele não conseguiu desbloquear o meu telefone, mas conseguia ver cada vez que alguém ligava.
Quando eu cheguei ao psiquiatra creio que todo mundo no prédio tenha pensado que eu era uma mafiosa ou esposa de um mafioso ou sheik bilionário, dono de metade de Dubai.
Duas guarda-costas mulheres me acompanhavam e atrás delas Aayush, com seu terno de grife ajustado impecavelmente ao corpo e com óculos escuros modernos que o deixavam... sexy.
Se eu fosse um indiana certamente não teria deixado Aayush partir. Aquele homem era incrível. Simpático? Não. Pelo contrário, era sério demais. Mas passava confiança. E segurança. Sem contar que era lindo. Só não mais lindo que o meu paranoico bipolar preferido.
Desde que conheci Enzo, parece todos os homens do mundo ficaram desinteressantes. Meu marido, e Deus, como eu tentei não aceitar aquilo, era o mais lindo do mundo. E eu estava prestes a desvendar todos os problemas dele. E resolver o que o terapeuta incompetente dele não fez.
Eu amava Enzo em todas as suas versões. Eu amava o Dr. Jekyll e o Ms. Hyde que habitavam nele. Eu amava Enzo mesmo ele tendo as caixinhas da cabeça todas desorganizadas. Eu amava a forma como ele cuidava do Davi. Eu amava o ciúme doentio dele. Eu amava a forma como ele se desestruturava com cada ação que eu fazia para testá-lo. Eu amava a forma como ele tentava se impor sendo que minutos depois estava rendido aos meus desejos. Eu amava a forma como ele me beijava, como se o mundo inteiro fosse acabar dentro de poucos minutos. Eu amava a forma como ele me fodia, forte, falando feito um doido, mas me deixando totalmente rendida ao prazer. Eu amava a forma como ele me fazia gozar. Eu amava até o fato de ele comprar calcinhas usadas para me irritar e fazer ciúme. Eu amava Enzo Asheton como nunca alguém o amou. E Deus, como ele merecia ser amado! E como eu gostaria de ser o amor dele, assim como ele era o meu.
Fui recebida por “uma psiquiatra”. Eu ri. Claro que Enzo não me deixaria ser atendida por um homem. E sinceramente, eu pouco me importava. Eu também detestava quando ele se aproximava de qualquer mulher.
— Sou a doutora Meire, psiquiatra e psicóloga. Me sinto lisonjeada em atendê-la, senhora Asheton.
— Vou sincera com você — falei — sei dos seus juramentos para exercer a profissão e eu não gostaria de que o que falarmos aqui saia dessa sala e vá parar nos ouvidos do meu marido.
Ela sorriu e meneou a cabeça:
— Você deve imaginar que o senhor Asheton não me contratou por acaso e sim porque eu sou uma profissional renomada.
— O profissional renomado que atende ele é péssimo.

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