— Minha mãe era legal comigo, mas não tinha tempo para nada. Não tive... amor da minha família.
— E o seu pai?
— Ausente. Totalmente ausente.
— Como era a relação dos seus pais?
— Mal se falavam. Ele fazia tudo para não vir para casa e cruzar comigo e mamãe.
— Você fala no tempo passado. Isso significa que ele morreu?
— Graças a Deus.
Ela estreitou os olhos:
— Você... se sentiu feliz com a morte do seu pai?
— Eu nem senti tanto pelo fato de ele deixado boa parte da herança para o meu irmão, filho que teve com outra mulher. Eu lamento mais por não ter podido matá-lo com as minhas próprias mãos.
— Você... sentiu desejo de matar o seu pai?
— Sim, desejei matá-lo com uma Derringer.
— Derringer? — ela arqueou uma sobrancelha.
Suspirei, orgulhosa de mim mesma. Se era para vestir o personagem, que usasse a família toda!
— Uma arma. — expliquei.
— Você tem uma arma, senhora Asheton?
— Aqui não. Mas eu devo ter em casa.
— “Deve ter”? — ela se ajeitou na cadeira, parecendo desconfortável.
— Ando muito esquecida por conta da gravidez. — confessei. — Mas mafiosos tem armas.
— Mafiosos? O que a sua relação com armas tem a ver com a máfia? — pigarreou.
— Na verdade, eu tenho quase certeza de que o meu marido é mafioso. Ninguém é tão rico do nada! — Dei minha real opinião.
— A senhora já teve vontade de atentar contra sua própria vida?
— Não. Quer dizer, certeza, certeza eu não tenho. — Como eu teria certeza se eu não estava dentro da cabeça do Enzo?

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