— Eu amo o meu pai — falei — mas... talvez o sentimento deveria ser mais forte.
— E por que não é? Elói me parece ser uma pessoa legal. E trata você e Will muito bem.
— Ele é incrível. Meu pai é um sujeito muito legal. Mas tudo que eu lembro dele é um homem com olhos distantes que passou a maior parte dos dias vivendo por uma pessoa que já estava morta.
— O que ele sentia pela sua mãe... realmente era bem forte. Afinal, deixou os filhos em nome dela.
— Nos últimos tempos ele começou a dar mais atenção para nós. Mas Will e eu praticamente nos criamos na casa de Michael, comendo a comida de Marcelisa e ouvindo os conselhos de Maciel. Eles sempre foram praticamente da família e ampararam não só o meu pai, como também a nós. Por isso Michael é importante para mim. Crescemos juntos.
— Mas você o amava. — aquela frase soou junto com um aperto mais forte do meu corpo junto ao dele.
Eu ri:
— Eu confundi os sentimentos, Enzo. E hoje eu tenho certeza disso. O que eu sinto por você é amor de verdade. Minha carência afetiva fez com que eu vislumbrasse em Michael um futuro diferente do que eu vivia. Entende agora que ele não foi tão culpado por tudo que aconteceu?
— Ainda assim eu não gosto do garoto zumbi.
— Por que você o chama assim? — perguntei, curiosa.
— Porque ele anda por aí com uma mira nas costas.
— Como assim? — tentei fingir que não entendi.
— Se ele tocar em você, morre.
— Acho que você deve matar quem realmente merece e não o meu melhor amigo.
— Você tem uma tatuagem compartilhada com ele, porra.
— Will disse que ele já fez a primeira sessão para apagar. Michael fez como você pediu. E... eu agradeço por você tê-lo ajudado... porque eu pedi.
Enzo, num gesto rápido, me pôs sob seu corpo e apoiou os braços no colchão, me prendendo sem encostar na minha barriga.
— Eu vou te dar o futuro que você quer. Jamais pensei que um dia me interessaria por alguém... até você aparecer na minha vida.
— Com um Zolpidem em cada mão — brinquei.
Enzo ficou em silêncio, me encarando. Ergui a cabeça e roubei-lhe um beijo. Senti seu pau entre as minhas coxas e ri.
— Você é sempre bem rápido.
— Você me deixa assim.
— Eu te amo, Enzo Asheton... te amo do seu jeitinho louco... te amo com cada uma das suas imperfeições.
— E eu te amo sempre... e para sempre.
Voltamos a colar nossos lábios e a língua dele, exigente, invadiu minha boca. Eu não era muito experiente nem com beijos. Mas Enzo me ensinou. E eu duvidava que alguém pudesse me beijar da forma como meu marido me beijava.
Desde o dia em que nos conhecemos, o ato de beijar nunca foi vazio ou desprovido de sentimentos. Lembrei daquele banheiro apertado, a noite em que meus dois bebês foram gerados. Mary ainda estava conosco e eu era grata por aquilo todos os dias.
Por um breve momento lembrei da cena da escada e senti um frio percorrer a minha barriga. Eu senti a mão leve me empurrando. Foi quando me desequilibrei e caí. Mas não foi Shirley. Não tinha como ser ela, pois Shirley estava de frente para mim, com Davi no colo.
Cessei o beijo e olhei para Enzo:
— Eu lembro.
Minha mente estava me traindo nos últimos tempos, mas daquela parte eu lembrava. Aposto que meu cérebro agiu como o de Davi, que escondeu numa caixinha escura e distante o momento traumático quando sua mãe tentou tirar-lhe a vida.
— Do que você lembra, Maçãzinha?
— Eu não caí sozinha na escada, Enzo. Eu fui empurrada.
Enzo rolou para o meu lado, apoiando-se no braço enquanto me olhava:
— Você... tem certeza?
— Eu tenho — franzi a testa, confusa.
Eu tinha mesmo? Eu não lembrava nem o que comi ontem e acabara de me remeter a algo que aconteceu há tempos. Era tão estranho.
Percebi que ele ficou bem nervoso e assim que mencionei minha certeza, os olhos de Enzo escureceram, de uma forma como nunca antes eu vi.
Era para ser uma noite regada a sexo e luxúria, mas acho que não seria. Me pareceu mais um momento de trocar confissões entre marido e mulher, a fim de nos conhecermos.
— Eu tenho um presente para você. — Enzo disse, levantando da cama. — Essa situação será resolvida. E agora eu quero que você fique alegre.
— Eu amo surpresas. — falei, empolgada.
— Eu vou buscar.
POV Enzo.
Cinco minutos. Não mais que isso. E quando cheguei no quarto Maria Fernanda estava dormindo feito um anjo, desajeitadamente na cama.
Embora todos dissessem que era normal, eu não conseguia acreditar que alguém podia dormir tanto. Mas a porra dos hemogramas não tinha nenhuma alteração. Além do Zolpidem, nada havia sido encontrado sangue dela.
Bem, se foi encontrado a substância para dormir no organismo de Maçãzinha, se houvesse qualquer outra também seria encontrada. Talvez eu estivesse exagerando. Ou paranoico.
Mas era bem difícil para mim sentir-me seguro com qualquer coisa. Desde que Maria Fernanda entrou na minha vida, ela também passou a ser um alvo. E eu não estava enganado. Se atentaram contra ela, alguém me perseguia. Alguém queria me destruir. Alguém queria o meu mal. E por isso tinha um policial disfarçado dentro da minha casa.
Ajeitei minha Bela Adormecida na cama e a cobri. Pus as passagens na poltrona e me dirigi ao quarto de Shirley.
Bati na porta e ela atendeu, vestindo uma camisola rendada bordô. Era tão horrível quanto a maçã que aquela mulher trazia tatuada na bunda.
— Eu vim dizer que o nosso momento está chegando — sorri — Vou mandar Maria Fernanda e Davi para longe por uns tempos. Então seremos só nos dois.
Ela tentou me beijar. Sim, eu poderia tentar tornar aquilo mais verossímil. Mas infelizmente não consegui. Trair Maçãzinha era como trair a mim mesmo e todos os princípios que eu nunca tive, que ainda assim eram princípios
Empurrei Shirley, tentando não ser tão agressivo e disse, olhando para os lados:
— Não podemos fazer isso. Eu pedi discrição, Shirley. Você consegue ser discreta?
— Sim, eu consigo. Mas para isso você precisa entrar no meu quarto e me dar um beijo.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A babá é a mais nova obsessão do CEO
Porque não desbloqueiam mais capítulos?...
Excelente leitura...