Acontece que eu não consegui convencer o meu pai, o que não me surpreendeu. Talvez eu devesse dizer que era para a segurança dele, mas isso significava ter que dizer a porra que eu fiz ao pegar dinheiro com um agiota, ter pago a dívida e ainda assim ele me ameaçar.
Enzo tinha razão. Papai Noel descobriria que eu era casada com ele e nunca mais pararia de tentar me extorquir, porque saberia que a fonte era inesgotável.
— Por favor, Fê, respeite a minha decisão. — ele pediu.
— Farei isso, papai.
Infelizmente eu tinha que aceitar.
— Eu não virei morar aqui. Ficarei com o papai — Will foi sensato — não posso deixá-lo sozinho.
— Eu não quero que você fique comigo, Will. — meu pai disse seriamente — a oportunidade que Enzo e sua irmã estão lhe dando é irrecusável. Eu não me importo de ficar na casa sem vocês. Lá é o único lugar do mundo em que eu jamais me sentirei sozinho.
— Nem cogite isso, papai. — Will disse.
— Por favor, Will. Deixe-me viver o resto dos meus dias com as lembranças de Lola. Já recebi uma notícia bem ruim hoje — referiu-se a ser ludibriado por estelionatários que usaram sua condição física para se aproveitar. — Se você não aceitar a proposta de Enzo por minha causa, eu ficarei muito bravo. E me sentirei culpado.
Olhei para Will. Minha vontade era realmente dizer que ele deveria ficar com o nosso pai. Mas eu sabia que ficar naquela casa era como ser enterrado vivo. Nosso pai jamais sairia daquela condição: a de sofrer dia após dia por causa da minha mãe.
Meu irmão tinha uma vida inteira pela frente. Ele era alegre, inteligente e talentoso. Will sempre sonhou alto demais. Mas isso não significava que não tinha potencial.
Enzo poderia fazer com que Will encontrasse seu caminho. E esse caminho o que eu me referia não era o da fama, mas o de conseguir um emprego real que o valorizasse.
— Will... eu acho que papai tem razão. E você deve ficar.
Não, em momento algum eu pensei que meu pai ficar em casa sozinho fosse um problema, afinal, ele sempre se virou bem com as tarefas da casa e tudo naquele lugar era adaptado para que pudesse se locomover com sua cadeira de rodas sem barreiras.
Não precisei insistir muito. Parece que Will só estava esperando que eu concordasse com aquilo.
Davi desceu logo em seguida. O jantar transcorreu de forma tranquila. Meu pai comeu pouco, porque não conhecia praticamente nada do que foi servido e não se dava ao luxo de provar coisas novas.
Will comeu tudo que lhe foi oferecido e eu tinha certeza de que ele passaria mal depois. Eu? Bem, eu comi aqueles vegetais com gosto de nada e algumas batatas com ervas finas. Meu paladar ainda estava se adaptando ao que era servido naquela casa.
Nos despedimos do meu pai e do meu irmão, que foram para casa com o motorista da família. Pusemos Davi para dormir e depois fomos para o quarto.
Tomei um banho demorado com água bem quente. Eu estava cansada. O simples fato de receber meu pai e meu irmão me deixou totalmente esgotada, porque precisei me manter acordada.
Quando fui deitar, Enzo já estava na cama, vestindo somente uma cueca branca. Ok, meu sono poderia esperar. Eu andava bem tarada nos últimos tempos e meu marido era uma tentação.
Mas antes de qualquer coisa eu precisava agradecer:
— Eu agradeço do fundo do meu coração o seu gesto de hoje — deitei a cabeça no ombro dele — obrigada por pensar na minha família.
— Eu acho... que agora eles são da minha família também, estou certo?

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