— Estou te entregando o que eu tenho de mais precioso — lembrei a Aayush — e também algo que não é tão preciso assim. — Will era só... Will — Você já falhou uma vez quando lhe dei essa missão. E o resultado foi trágico: meu filho foi parar no hospital e Maçãzinha perdeu o nosso bebê.
— Protegerei eles com a minha vida, senhor. Até... o não precioso. Eles estarão mais seguros fora da mansão.
— Infelizmente... é isso.
— Eu só gostaria que o senhor lembrasse que, até então, não temos provas concretas contra Shirley. Só sabemos que ela é uma mentirosa, fez uma tatuagem para imitar a senhora Maria Fernanda e faz de tudo para seduzi-lo. Matá-la ainda não me parece a melhor coisa a fazer. O senhor precisa manter a calma, ou corre o risco de tudo dar errado.
— Se ela continuar falando mal da minha Maçãzinha, não respondo por mim.
— Pense que, caso a mate, o senhor poderá ser preso. E... seu filho e sua Maçãzinha estarão sozinhos.
— Acha mesmo que eu seria preso? — eu ri — eu nunca deixei vestígios dos meus atos. Jamais poderei ser preso se não houver um corpo. No caso de Shirley, matar é pouco.
Me despedi de todos voltei para a mansão. Eu não estava disposto a perder tempo com Shirley. Cada minuto com aquela mulher significava ficar longe da minha mulher e do meu filho.
Quando eu cheguei no quarto, a fim de trocar de roupa, deparei-me com a babá anzol vestindo somente uma lingerie, deitada na minha cama.
Respirei fundo e tentei manter a calma. Mas nos meus sonhos eu a estrangulava.
— Acho que nosso momento chegou — ela sorriu.
Shirley estava de lado na cama, com a perna levemente levantada, tentando sensualizar. Nem morto eu seria capaz de tocar naquela mulher. Eu a repudiava mais do que qualquer coisa.
Por mais que não tenham encontrado nada comprometedor nos pertences Shirley, enquanto ela provocasse Maçãzinha, ainda era uma inimiga mortal. E não havia ninguém naquela casa que quisesse o mal de Maria Fernanda além dela.
— Você é bem rápida. — comentei, forçando um sorriso.
Shirley se levantou da cama e veio na minha direção. Quando me alcançou, deslizou os dedos pela minha camisa e disse:
— Eu sempre sei muito bem o que quero. E faço tudo para conseguir.
— Nesse caso... você me quer. — saiu como uma afirmação.
Shirley desfez o nó da minha gravata e foi me empurrando em direção a cama, onde caí.
Ela veio para cima de mim e eu tinha que pensar rápido ou não conseguiria contê-la. E não conseguir controlá-la significava botar todo o plano abaixo.
Fiz com que a babá anzol rolasse para o lado e fiquei sobre ela.
— Pensei em... usarmos alguma coisa para tornar o nosso momento mais quente.
— O que? Seja mais específico.
Meneei a cabeça, tirando aquilo da mente. Eu sabia que aquilo jamais se concretizaria... porque minha Maçãzinha estaria naquela boia dormindo. Ela não tinha tempo para ter um amante. Metade de seu dia era comigo e Davi e a outra metade com a cama. Aliás, se ela pudesse escolher um amante, seria a cama.
Mas cama era um substantivo comum feminino. “A cama”. Então Maçãzinha provavelmente não teria um caso imaginário com a cama. Porém “o colchão” era um substantivo masculino e...
Pensar em Maçãzinha sempre me fazia ficar em alerta. E me levava para um lugar na mente onde tudo parecia estar fora de lugar.
— Talvez... você tenha razão. Eu nunca desconfiei de Aayush, porque ele sempre foi leal a mim.
— Lealdade é algo muito relativo, Enzo. O amor é um sentimento que quebra qualquer coisa. Inclusive a lealdade.
— Eu fico me perguntando se foi ela que dopou o meu filho.
— Eu tenho certeza de que sim. Eu vi quando Maria Fernanda estava com Davi nos braços. Não tinha como ser outra pessoa. Ela deu o medicamento para Davi.
— Mas... ela não se aproximou de Davi antes do ocorrido. Então... como poderia ter administrado o medicamento?
— Na verdade... ela se aproximou sim. E acredito que tenha administrado o Zolpidem no Davi botando na sobremesa e por isso apagou as imagens das câmeras. Aposto que ela também tem um caso com o segurança que cuida disso.
Eu ri. Eis a confissão. Eu nunca tinha dito a Shirley que meu filho tinha sido dopado com Zolpidem. Só mencionei que Davi tinha sido dopado, nada mais.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A babá é a mais nova obsessão do CEO
Porque não desbloqueiam mais capítulos?...
Excelente leitura...